CAPA
 ÍNDICE

 EXCLUSIVO ONLINE

 REPORTAGENS
 MULTIMÍDIA
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS FOTOGRÁFICOS
 ISTOÉ CONFERE
 ARTIGOS
 ESTAÇÃO DA LUZ
 BATE-PAPO ÍNTEGRAS
 EDITORIAS
 ARTES & ESPETÁCULOS
 BRASIL
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 COMPORTAMENTO
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 EDUCAÇÃO
 ENTREVISTA
 INTERNACIONAL
 MEDICINA & BEM ESTAR
 POLÍTICA
 SEÇÕES
 A SEMANA
 CARTAS
 DATAS
 EDITORIAL
 EM CARTAZ
 FAX BRASÍLIA
 GENTE
 SÉCULO 21
 VIVA BEM
 BIBLIOTECA ISTOÉ
 EDIÇÕES ANTERIORES
 ESPECIAIS
 BUSCA

 Procure outras matérias




 COMPORTAMENTO
Consumo

A volta da fada verde

O absinto, a lendária bebida dos artistas e poetas, começa a ser comercializada no Brasil

Camilo Vannuchi

Ricardo Giraldez

Natureza-morta, de Van Gogh, Mulher bebendo absinto, de Picasso e O absinto, de Degas

A “fada verde” está solta. Varrido da face da Terra durante as primeiras décadas do século XX, o absinto volta a ser comercializado no Brasil. A diabólica infusão de ervas cor de esmeralda tornou-se uma lenda etílica ao fazer a cabeça dos principais artistas da belle époque, conquistados mais pelos efeitos que provocava do que por seu amargo sabor de anis. Por volta de 1910, o principal ingrediente da poção – uma planta alucinógena de nome Artemisia absinthium – foi apontado pelos moralistas da Europa como responsável por alucinações, surtos psicóticos e até mortes. O resultado foi sua proibição. Que outra justificativa além do absinto poderiam encontrar para o comportamento excêntrico de Van Gogh, consumidor fiel da bebida? E como explicar o turbilhão criativo que percorria os neurônios de Picasso, Toulouse Lautrec, Oscar Wilde, Paul Verlaine, Baudelaire e Rimbaud? Virou artigo de tráfico, comercializado no câmbio negro em quase todo o velho continente. Hoje, a produção legal da esmeralda engarrafada é restrita à República Tcheca e Portugal, de onde começa a ser importada. Para ser admitida no Brasil, teve sua gradação alcoólica diminuída de 57% para 53,5% – isso mesmo: mais da metade é álcool puro, uma paulada. Tudo porque a legislação brasileira não permite gradação superior a 54 graus. Apesar de a porcentagem original ser de 68%, o absinto continua sendo a bebida mais forte do mundo (ver quadro). Tão forte que a sutil diferença entre as versões portuguesa e brasileira passa totalmente despercebida. Seus goles amargos chegam a provocar repulsa se bebericados em estilo cowboy. Não é de se espantar que, após duas ou três doses, as paredes do bar assumam um fantástico aspecto esverdeado, composto com pinceladas expressionistas...

Ricardo Giraldez
O empresário Lalo Zanini é o responsável pela novidade

Campanha – O responsável – ou irresponsável? – pela novidade é o empresário Lalo Zanini, proprietário dos restaurantes paulistanos Limone, Sprazza e Jotaka. “Um amigo trouxe de Portugal uma garrafa de absinto no começo do ano. Quase fiquei louco quando vi a bebida na mão dele. Peguei o telefone do produtor no rótulo da embalagem e iniciei minha campanha para aprovar sua importação junto ao Ministério da Agricultura”, conta Zanini. De lá para cá, caixas e caixas começaram a chegar aos três restaurantes do empresário e, somente no começo do mês, sua venda foi estendida a outros estabelecimentos. Em breve, o artigo de luxo chegará às prateleiras do supermercado Pão de Açúcar por R$ 46 a garrafa. Nos restaurantes, seu preço fica em torno de R$ 80.

Ritual – Tradicionalmente, o consumo de absinto cumpre um ritual. Água gelada é vertida lentamente sobre um copo com a bebida, atravessando uma colher perfurada que sustenta um torrão de açúcar. Drinques foram recentemente criados para homenagear os mais célebres apreciadores do mito, como Hemingway (duas doses de absinto diluídas em uma taça de champanhe com gelo) e Monet (uma dose de absinto e duas doses de soda misturadas com hortelã amassado e gelo). José Maria Meira, chef do Restaurante Limone, resolveu testar o sabor da bebida em seus pratos. Concebeu um cardápio especial, utilizando o absinto em patês, molhos para salada e até em pescados. O prato cativa pelo contraste entre o sabor adocicado das maçãs e o amargo sumo da fada verde.

Poção mágica

Hipócrates, o pai da medicina, costumava receitar uma planta chamada Artemisia absinthium para tratar anemia, asma, reumatismo e cólicas menstruais. Em 1792, um médico francês de nome Pierre Ordinaire se surpreendeu ao encontrar, nos campos suíços, a famosa espécie que aparecia em seus livros. Começou a fabricar uma poção composta por 16 ervas, dentre as quais camomila, melissa e anis. Como a principal era o absinto, seu nome foi dado à droga. Não demorou para Ordinaire descobrir que o efeito da mistura poderia ser potencializado em solução alcoólica. Mais precisamente 70% de álcool e 30% da infusão de ervas compunham o elixir.

O principal princípio ativo do absinto é uma substância tóxica chamada tuiona, capaz de manter as células cerebrais em permanente estado de excitação. Tuiona em excesso pode provocar convulsões e até falência do fígado, além de conferir à bebida seu caráter alucinógeno. Hoje, a porcentagem da toxina presente na artemísia é controlada pela União Européia e foi diminuída 26 vezes. Água, açúcar, anis verde e corante juntam-se ao álcool e à infusão de ervas na fórmula do destilado, guardada a sete chaves pela produtora portuguesa Neto Costa. Além da artemísia, entram na infusão sementes de funcho, hisopo e erva cidreira.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

LEIA TAMBÉM



Brasileiras

A volta da
Fada Verde

Vida de artista

Festa do interior

Paraíso Azul

Sotaque francês

 

 
ENQUETE 1

O que você gostaria de
fazer para emagrecer?
Freqüentar academias
Regime com médico
Correr no parque
Reduzir o estômago
Ter boa alimentação
Lipoaspiração
Tomar anfetaminas

ENQUETE 2

Quando você esbarra
em alguém com mau
hálito, qual sua atitude?
Procuro disfarçar
o incômodo

Faço careta

Mando escovar
os dentes
Saio da frente


FÓRUM 1

É possível aos obesos viver em paz, sem discriminação?


FÓRUM 2

Qual sua opinião sobre o projeto do deputado federal Aldo Rebelo, que pretende defender a língua portuguesa limitando o uso de "estrangeirismos"?


ASSINATURAS

EXPEDIENTE

PUBLICIDADE

FALE CONOSCO


ASSINE A
NEWSLETTER


 

| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três