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Cinema I

Kid vinil
Stephen Frears retrata viciado em música
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Luiz Chagas

Divulgação
listas intermináveis dos melhores discos, canções e mullheres

Uma tribo de fanáticos espalhada pelo planeta costuma medir a passagem do tempo pelas capas dos discos de suas imensas coleções. Por isso, quando o diretor inglês Stephen Frears deslocou a ação de Alta fidelidade (High fidelity, Inglaterra/Estados Unidos, 2000) – cartaz nacional a partir de sexta-feira 27 – de Londres, como no livro homônimo de Nick Hornby, para Chicago, capital do electric blues, tudo permaneceu tal e qual. A Championship Vinyl, loja de discos pilotada por Rob (John Cusack) é uma réplica dos incontáveis púlpitos em que se transformaram estabelecimentos semelhantes com o advento do CD. Cercado de dois funcionários, Dick (Todd Luiso) e Barry (Jack Black), ambos viciados em listas de melhores – “quais as melhores faixas 1 do lado A dos álbuns ingleses lançados entre 1975 e 1977?” seria uma delas –, Rob, um sonhador romântico, ou um vagabundo incorrigível conforme a ótica, resolve checar suas próprias listas.

Elabora então um ABC das ex-mulheres, como a problemática Sarah (Lili Taylor), a suspeita Charlie (Catherine Zeta-Jones), a estonteante Marie DeSalle (Lisa Bonet) e a inconstante Laura (Iben Hjejle), que passa o filme na dúvida se fica ou não fica com Rob, embora já esteja morando com o vizinho, Ian (Tim Robbins). Cusack fala para a platéia o tempo todo. Às vezes com os próprios inspiradores, como Bruce Springsteen, presente numa ponta. Além de protagonista, ele é a mola mestra por trás do projeto, tendo participado da confecção do roteiro e da produção da comédia, que custou US$ 20 milhões, quantia irrisória para os padrões americanos. Tal empenho justifica-se. O texto é tão bom que funciona até no palco. No Brasil, o grupo curitibano Sutil Companhia de Teatro está lotando as salas do País com A vida é cheia de som e fúria, adaptado do mesmo livro de Nick Hornby. A Stephen Frears restou comandar o espetáculo com ousadia e bom humor, o que não fazia há um bom tempo.

 

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