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POLÍTICA
Congresso

Pizza de marmelada
Num clima geral de impunidade, transações de Lalau e Eduardo Jorge ficam sem investigação

Isabela Abdala

André Dusek
Briga Renan saiu da comissão fustigando ACM: mais um duelo PMDB-PFL

Acabou a farsa. Depois de 40 dias de trabalho e 25 depoimentos, a subcomissão do Senado que apura o desvio de R$ 169 milhões do TRT paulista chegou ao melancólico fim sem conseguir avançar um passo nas investigações. Na manhã da quarta-feira 6, a senadora Heloísa Helena (PT-AL) anunciou a debandada do bloco de oposição da subcomissão. A decisão provocou um efeito cascata. Poucas horas depois o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) renunciou à presidência da subcomissão, o que provocou a saída também do vice-líder do PFL, Edison Lobão (MA). “Não me sentiria confortável para presidir uma comissão chapa branca. Sem a oposição a comissão perde a isenção. Não sou ator e não tenho vocação para participar de farsa nenhuma”, atacou Renan, que apesar do arroubo de independência não assinou o pedido de uma CPI para investigar Eduardo Jorge, ex-secretário-geral da Presidência, envolvido até o último fio de cabelo com o caso TRT e outros negócios suspeitos nas áreas de informática, seguradoras e fundos de pensão.

A morte mais do que anunciada da subcomissão foi decretada com a manobra governista de bloquear qualquer investigação que esbarrasse em EJ. Além de enviar para a Comissão de Fiscalização e Controle todos os requerimentos que pediam a convocação de pessoas ligadas a negócios suspeitos com o ex-ministro, a subcomissão protelou a votação do requerimento que convocava Clóvis Carvalho, ex-chefe da Casa Civil. Segundo o ministro do Planejamento, Martus Tavares, foi Clóvis quem despachou com o presidente o pedido de verbas suplementares para a obra do TRT. Também contribuiu para melar os trabalhos o presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que há mais de um mês sentou em cima da quebra de sigilo de Eduardo Jorge, sua mulher Lídice, seus sócios e suas empresas.

A implosão da subcomissão caiu sob medida para os planos do presidente do PMDB, Jader Barbalho (PA), de se tornar o próximo presidente do Senado. Na avaliação do partido, a responsabilidade pela impunidade no caso cai no colo do cacique baiano. Em discurso no plenário, Renan disse que a CPI do Judiciário, que tinha plenos poderes inclusive para quebrar sigilos, foi omissa na investigação do desvio dos R$ 169 milhões.

 

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