7
de setembro O
grito da dívida
Oposição participa da festa da Independência com campanha contra
política econômica
Florência
Costa
| Luiz
Carlos Murauskas/Folha Imagem | |
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Depois de ser vaiado durante desfile militar, Mário Covas é consolado pela índia
Aigo | Na
festa da Independência do Brasil, o governo FHC dançou conforme a
música tocada pelos seus críticos. A oposição aproveitou
o feriado de 7 de Setembro para questionar, entre outras coisas, o patriotismo
do governo tucano, mirando suas armas na direção da dívida
externa brasileira, do acordo com o FMI e das mazelas sociais. Pelo sexto ano
consecutivo, os setores progressistas da Igreja Católica, movimentos sociais,
como o MST, centrais sindicais e partidos de oposição reeditaram
em todo o País o Grito dos Excluídos com o tema Progresso
e vida: pátria sem dívida. Mas neste ano a marcha dos descontentes
foi mais ousada, ao organizar o Plebiscito da Dívida Externa.
Informal e simbólico, o plebiscito, no entanto, incomodou tanto o Planalto
que os principais generais de FHC, como o ministro da Fazenda, Pedro Malan, trataram
de metralhar a iniciativa, acusando seus idealizadores de pregarem o calote da
dívida externa. A idéia de que a suspensão do pagamento
da dívida externa resultaria em mais dinheiro para programas sociais só
pode encontrar guarida na militância das entidades que organizaram o plebiscito,
que desconhecem o tema, criticou Malan. O governo reagiu nervosamente,
escalou os principais dirigentes da política econômica para tentar
desqualificar o plebiscito, revelando que o problema existe e é grave,
pois em cachorro morto ninguém dá pontapé, devolveu
João Pedro Stédile, coordenador do MST. Uma guerra verbal antecedeu
as paradas militares da quinta-feira 7, tendo na linha de frente os bispos progressistas.
Nunca falamos de calote, mas temos de cumprir a Constituição
e priorizar a área social antes do pagamento a banqueiros e a investidores
sem escrúpulos, atacou dom Orlando Dotti, vice-presidente da CNBB.
O próprio FHC saiu em sua defesa, em cadeia nacional de rádio e
tevê, no Dia da Independência, descartando a reaparição
do fantasma da inflação. Hoje, podemos afirmar com segurança
que as medidas no campo econômico deram certo, reagiu um presidente
bem diferente do primeiro mandato, quando costumava menosprezar seus adversários.
Fernando Henrique estava tão empenhado em preservar sua imagem em casa,
onde assistiu ao tradicional desfile militar em Brasília, que ignorou os
holofotes internacionais da Cúpula do Milênio, em Nova York.
Em vários Estados as paradas militares foram sucedidas por atos de protesto,
onde alguns governantes se expuseram ao mau humor dos populares, como o prefeito
Celso Pitta (PTN) e o governador Mário Covas (PSDB), que foram vaiados
no Sambódromo de São Paulo. O tucano, pelo menos, teve o consolo
de ser abraçado pela bela índia Aigo, que tenta um lugar ao sol
como atriz e modelo. No Rio, a comemoração ganhou um tom mais alarmista,
com a explosão de duas bombas de fabricação caseira no pátio
da Companhia Siderúrgica Nacional, perto do desfile militar, em Volta Redonda.
O tradicional 7 de Setembro foi lembrado mais pela dependência econômica
do Brasil do que pela independência política que o País conquistou
há 178 anos.
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