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A
raiva do baixinho
Herói
do jogo contra a Bolívia, Romário vive seus dias de glória,
confessa a frustração de não estar em Sydney e não perdoa Luxemburgo
Francisco
Alves Filho
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Carlos
Magno
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Romário: “Se ele perder sem ter me convocado, vai segurar
sozinho”
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Na
semana de comemoração da Independência do Brasil,
dom Pedro I foi ofuscado pelo herói nacional da vez. O atacante
Romário, aos 34 anos, voltou a ser o assunto preferido dos
brasileiros por conta dos três gols que marcou pela seleção,
contra a Bolívia, no domingo 3. A atuação confirmou
que o jogador é hoje o ídolo de todas as torcidas
foi aplaudido tanto por vascaínos quanto por flamenguistas
no Maracanã e serviu como resposta ao técnico
Wanderley Luxemburgo, que se fez de surdo aos seus apelos para integrar
a seleção olímpica que está em Sydney.
Agora, se ele perder, vai segurar a responsabilidade sozinho,
avisa Romário, que vive o contraste entre a alegria de ter
alcançado o reconhecimento de todos e a tristeza de estar
fora das Olimpíadas. O episódio foi encarado pelo
atacante como um dos momentos mais frustrantes de sua carreira,
só comparável ao corte da Copa do Mundo de 1998. Com
a língua afiada como de costume, ele volta a criticar o técnico
Luxemburgo, ataca Zico que apoiou a decisão de não
mandá-lo às Olimpíadas e dispara também
contra Edmundo. Evita fazer planos, mas não descarta a possibilidade
de disputar a Copa de 2002. As críticas e as adversidades,
garante, servem para ele como motivação para superar
marcas e buscar recordes em sua carreira. Encontrou uma forma bem
própria de responder ao técnico que o desprezou, aos
críticos e às torcidas adversárias: marcando
gols. É assim que transformo minha tristeza em alegria.
ISTOÉ Como se sente no posto de unanimidade nacional?
Romário Me sinto hoje como me senti
há alguns anos, quando o Brasil também precisava de
uma vitória contra o Uruguai, no último jogo das eliminatórias
de 1993. A partir desse momento, senti que o povo brasileiro tinha
um carinho especial por mim. Foi ali que eu passei a fazer gols
não para poucos torcedores, mas para uma nação.
ISTOÉ
Essa admiração faz esquecer os momentos ruins
da sua carreira?
Romário Todos têm de passar por momentos
ruins, porque, se você tiver apenas momentos bons, a vida
cai numa monotonia. No lado profissional, as piores coisas que me
aconteceram foram o corte da Seleção Brasileira em
1998 e essa ausência nas Olimpíadas.
ISTOÉ
Você já é um profissional realizado.
Por que queria tanto ir às Olimpíadas de Sydney?
Romário Participar das Olimpíadas é
um sonho para qualquer atleta. Eu tive a oportunidade de realizar
esse sonho em 1988. Vim de uma geração que conquistou
quase todos os títulos com a camisa da Seleção
Brasileira, menos esse. Dessa geração, o único
que tem condições de jogar na seleção
olímpica sou eu. O objetivo era conquistar esse título
como um presente para a minha geração. Por isso me
preparei durante dois anos.
ISTOÉ
A vontade de vestir a camisa amarela contrasta com a de jogadores
que atuam no Exterior.
Romário Os jogadores lá de fora talvez
não tenham a mesma noção do que seja uma derrota
da Seleção Brasileira porque quando perdem eles vão
embora para a Europa. Mas isso mexe com eles também. É
ruim você sair de lá, passar por 13 horas de vôo,
chegar aqui e perder. Acho natural que as Olimpíadas tenham
mais valor para uns do que para outros. Para mim, esse é
o ponto máximo de um atleta, mais até que a Copa do
Mundo. Você joga por amor e não porque está
ganhando financeiramente. Ali, o esporte ainda guarda uma certa
pureza, os atletas vão para levar algo a seu país
e eu tinha isso na minha cabeça.
próxima>>
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