Perfil
Pedra
no sapato
Cintra
barra debate na tevê e conta que deixou Maluf para não infringir a
lei
Ana
Carvalho
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Juca Rodrigues
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"Maluf deveria me agradecer por ter cumprido o mandato
de prefeito. Suplementar a verba para publicidade em US$ 20
milhões seria ilegal" |
Ele
é discreto em tudo. O desempenho eleitoral é de menos
de 1% de intenção de voto. A campanha no horário
gratuito é curta e se limita a convidar o eleitor a visitar
a sua home page. Mas nada disso impede que o candidato do PL à
Prefeitura de São Paulo, Marcos Cintra, faça barulho,
principalmente quando o assunto é debate na tevê e
sua conturbada relação quando secretário do
ex-prefeito Paulo Maluf. Pela primeira vez, Cintra conta a ISTOÉ
por que brigou com o chefe e deixou o governo. Diz também
por que entrou com uma representação na Justiça
para impugnar o primeiro debate entre aqueles que disputam o Palácio
das Indústrias. Sem sorteio, Cintra tinha ficado fora do
primeiro bloco, formado pelos cinco mais bem votados e pelo ex-presidente
Fernando Collor (PRTB), sétimo colocado nas pesquisas. A
Justiça lhe deu razão e suspendeu na segunda-feira
21 o primeiro confronto entre os candidatos na tevê Bandeirantes.
Não estou bem posicionado, mas sou um candidato sério.
Queria um debate digno. Ser humilhado eu não aceito,
explica Cintra.
Para o acadêmico que passou por Harvard e deputado federal
atuante na comissão que analisa a reforma tributária,
o único passaporte carimbado para o segundo turno é
o de Marta Suplicy (PT). Ela sustenta a primeira posição,
tem uma campanha bonita. Por conta da sua origem e imagem entra
na classe média, avalia. Cintra, um liberal convicto,
defende o polêmico projeto que restringe megacomércios
para poder gerar empregos e está disposto a fazer valer sua
tese do imposto único. Propõe ainda substituir todas
as taxas municipais por um tributo a ser calculado em cima do uso
do espaço urbano (R$ 5 por metro quadrado). Ele não
descarta apoiar Marta, embora se mostre mais afinado com Luiza Erundina
(PSB): Não tenho acordo prévio, nem preconceitos.
ISTOÉ
O sr. tem menos de 1% nas pesquisas e pouco tempo
na tevê. Como espera crescer?
Marcos Cintra É uma tarefa difícil,
mas já houve candidaturas com poucas chances que cresceram
muito em função da mensagem, do momento. A propaganda
está começando, posso chegar a 6% e eu não
represento a velha política.
ISTOÉ O sr. já foi secretário
de Planejamento de Maluf e líder de seu governo. Não
teme o rótulo de malufista?
Cintra Não me considero malufista. Desde 1994
estou no PL, um partido com vida própria. Em 1996, fui o
vice do Rossi (PDT) contra o Pitta.
ISTOÉ Por que o sr. saiu da Secretaria de
Planejamento?
Cintra Certas coisas que um prefeito pede não
dá para fazer. Quando assumi a secretaria, em 1993, herdei
um orçamento já aprovado. Existia uma inflação
de 30% a 40% ao mês e a Lei de Diretrizes Orçamentárias
dizia que a verba promocional era o equivalente a US$ 7,5 milhões.
Era proibido o aumento desse valor. Na Lei Orgânica também
não se podia suplementar essa verba. Maluf não tinha
uma agência de publicidade e, na época, o secretário
Edevaldo Alves da Silva foi quem orientou a licitação
para a contratação. O edital demorou seis meses e
a verba, devido à inflação, foi se corroendo.
No meio do ano, estava em torno de US$ 2,2 milhões. Maluf
não achava suficiente e queria que eu suplementasse essa
verba para chegar a uns US$ 20 milhões. Por força
desse desentendimento, saí da secretaria. Se tivesse feito
isso, ele seria alvo de impeachment. Maluf deveria me agradecer
por ter conseguido cumprir seu mandato.
ISTOÉ Na sua opinião, quem vai para
o segundo turno?
Cintra A única com passaporte carimbado é
Marta. O segundo nome está indefinido. Maluf disputa com
Erundina. Romeu Tuma (PFL) e Alckmin (PSDB) cresceram após
a propaganda. Mas quando a campanha apertar, o Tuma tem telhado
de vidro e vai ficar numa situação difícil.
O Alckmin tem o Covas atrelado à sua imagem e Maluf sofrerá
ataques mais sérios.
ISTOÉ O que fez o sr. impugnar o debate?
Cintra A lei e a minha dignidade. Não houve
sorteio. Concordei com dois blocos e eles disseram que eu iria para
o segundo que seria na terça-feira 22, num canal UHF,
em outro horário e fora da programação
por estar numa segunda categoria. Não aceitei esse tratamento
e a Justiça me deu razão. Encontrei com Erundina no
avião e ela me parabenizou. Disse que nós candidatos
temos que pôr um limite na prepotência da mídia.
ISTOÉ O PL hoje é o braço
político da Igreja Universal?
Cintra O PL é um partido leigo. Recebemos em
nossas fileiras gente de todas as religiões. O PL hoje tem
dois deputados importantes da Universal: o bispo Rodrigues, do Rio,
e o bispo Wanderval, meu vice. Podemos contar com o apoio deles
sem ter a marca da Universal. O apoio da igreja é nos ajudar
a montar a legenda em Estados onde a nossa estrutura é fraca.
ISTOÉ O sr. disse que o próximo prefeito
tem de fazer a cidade funcionar. De que forma?
Cintra É fazer o arroz-com-feijão. Superar
a limitação financeira e atacar o desemprego. Vivemos
uma guerra civil com a crescente violência. O que assistimos
é uma briga selvagem pela sobrevivência. Precisamos
de uma abordagem emergencial para essa questão.
ISTOÉ Qual seria essa ação?
Cintra Na França existe a Lei Royer, criada
em 1973, que obriga grandes comércios a detectar o impacto
econômico que será causado na região antes de
serem instalados. Temos em São Paulo megalojas, megacomércios,
quase monopolizadores. Eles destroem a atividade econômica
existente ao redor, principalmente o pequeno comerciante. Em Paris,
o Carrefour só tem seis lojas. Poderemos até impor
restrições à implantação dessas
megalojas como um ataque à perda de empregos. Fazer isso
não é ser atrasado ou retroceder no tempo. É
defender o mercado e criar renda.
ISTOÉ E a corrupção em São
Paulo?
Cintra Ela sempre existiu. A prefeitura sempre esteve
envolvida em atividades de corrupção. Quanto à
Câmara, é a mesma que esteve com Maluf e em gestões
anteriores. Os escândalos apareceram porque Pitta perdeu o
controle. A máquina ficou sem direção e cada
um passou a usá-la em benefício próprio. 
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