Trabalho
Infantil
Proibido para crianças
Projeto incentiva alunos a voltar à escola no Sul do
País
Gilberto
Nascimento, de Santa Cruz do Sul
|
Inor
Assmann / Divulgação
|
 |
|
Produtores rurais vão estimular seus filhos para o estudo |
A indústria
do cigarro está preocupada e sabe que enfrentará cada
vez mais dificuldades para a sobrevivência de seu negócio.
Diante do cerco, as empresas do ramo procuram pelo menos atenuar
o impacto das campanhas antitabagistas através de apoio a
projetos e iniciativas na área social. A Souza Cruz, por
exemplo, acaba de criar um instituto para atuar nas áreas
de educação e meio ambiente. No Sul do País,
o Sindicato da Indústria do Fumo (Sindifumo) também
criou o programa O Futuro é Agora, para tentar erradicar
o trabalho infantil. A agricultura familiar predomina no cultivo
do fumo nos Estados do Rio Grande do Sul, do Paraná e de
Santa Catarina. Centenas de adolescentes ajudam os pais na lavoura
e deixam de frequentar a escola.
Por isso, cinco mil famílias de agricultores dos municípios
de Santa Cruz do Sul (RS), Araranguá (SC) e Rio Azul (PR)
se tornaram o alvo de uma campanha contra o trabalho infantil no
cultivo do fumo. Não estamos fazendo isso para melhorar
a imagem da empresa. É um problema concreto e queremos resolver.
Já temos incômodos demais e esse é mais um,
que também pode prejudicar nosso negócio, afirma
Haroldo Roedel, gerente de assuntos corporativos da Souza Cruz.
Ainda existem crianças trabalhando. Mas estamos mostrando
aos produtores os prejuízos causados ao jovem que deixa a
escola. Vamos contratar universitários para checar as áreas
de cultivo e também fiscalizar a frequência escolar,
acrescenta Roedel. A Abifumo foi alertada pela Organização
Internacional do Trabalho (OIT) e o Unicef sobre o trabalho de crianças
e adolescentes nas plantações de fumo e se dispôs
a colaborar. A evasão escolar nos cursos noturnos em Santa
Cruz do Sul, atualmente, é de 30%. A repetência girava
em torno de 20% há quatro anos e, agora, caiu para 11,8%.
O programa já está contribuindo para aumentar
a permanência dos alunos na escola, garante a secretária
de Educação de Santa Cruz, Jane Aline Kuhn. 
|