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A dívida vai à praça
CNBB e PT querem plebiscito sobre os US$ 237 bi que o País
deve e mexem nos brios do governo
Luiz
Antonio Cintra

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Nos
próximos dias, capitaneadas pelo PT, entidades como Confederação
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem-Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT)
e Confederação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura
(Contag) acertam os últimos detalhes do Plebiscito Nacional
sobre a Dívida Externa. A votação acontecerá
na Semana da Pátria, entre 2 e 7 de setembro. As urnas serão
colocadas nas sedes das entidades, praças públicas
e outros locais movimentados de dezenas de cidades do País.
Três perguntas serão feitas aos interessados em participar:
O governo brasileiro deve manter o atual acordo com o FMI? O Brasil
deve continuar pagando a dívida externa, sem realizar uma
auditoria pública dessa dívida, como previa a Constituição
de 1988? Os governos federal, estaduais e municipais devem continuar
usando grande parte do orçamento público para pagar
a dívida interna aos especuladores?
Ainda desconhecida pela maioria da população, a idéia
mexeu com os brios do governo. O ministro Pedro Malan, na semana
passada, acusou o golpe, criticando abertamente a proposta, de modo
geral, e o PT, em particular. A dívida é perfeitamente
administrável, estamos alongando o perfil e o custo está
caindo, afirmou. Malan argumentou que compromissos do setor
público diminuíram recentemente, somando hoje US$
90 bilhões. O que o ministro deixou de mencionar foi o fato
de a dívida total, incluindo a das empresas privadas, ter
aumentado de US$ 148 bilhões para US$ 237 bilhões,
desde 1994. E que, no fundo, as duas formas de endividamento podem
ser igualmente desestabilizadoras, dependendo do humor dos investidores
e bancos internacionais.
O plebiscito brasileiro foi inspirado em uma discussão que
ocorre hoje na Europa, lançada pelo Vaticano, de perdão
das dívidas de 40 países pobres altamente endividados,
entre os quais não se encontra o Brasil. O ex-presidente
do FMI Michel Camdessus, por sinal, participa da campanha, como
assessor do papa João Paulo II.
O principal objetivo do plebiscito é marcar posição.
As entidades querem deixar claro que são contra a política
econômica do governo FHC. Não por acaso o PT é
mais ativo nos preparativos, aproveitando o tema em seus comícios.
Argumento não vai faltar: somente no ano passado, o País
enviou ao Exterior cerca de R$ 90 bilhões entre juros e amortizações,
enquanto os gastos federais com saúde pública somaram
R$ 19 bilhões.

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