Bichos
O ratinho da vez
O animal de estimação da moda é o ferret,
um roedor feinho mas muito simpático
Eliane
Lobato
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Renato
Velasco
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| Tainá
cuida de Fred como se fosse um bebê |
Cães
e gatos são coisa do passado. Agora, o bicho da moda é
o ferret, um roedor comprido, meio feinho, parecido com um rato,
mas simpaticíssimo. Recentemente, atingiu a marca de terceiro
animal mais vendido no mundo, em resultado da febre iniciada em
países como Estados Unidos e Japão. As razões?
Ele brinca o dia inteiro, reconhece seus donos, é manso e...
diferente. Ao levar o bichinho para passear, o dono certamente atrairá
atenção. Mas, ao contrário do animal, seu preço
é arisco: vendido em poucas lojas, um ferret, da família
do furão, custa entre R$ 500 e R$ 600 e o arsenal de apetrechos
indispensáveis que o acompanha não sai por menos do
que isso.
Importado dos Estados Unidos, o ferret só pode entrar no
País castrado, com chip de identificação do
Ibama (introduzido no pescoço, para controle) e após
extraídas suas glândulas anais (para evitar mau cheiro).
Reprodução em território brasileiro? Nem pensar.
O ferret é um roedor e, como predador, poderia causar um
grave desequilíbrio ambiental, caçando pequenos insetos,
comendo ovos de passarinhos e eliminando grupos de preás.
São animais de fácil adaptação e inteligentes.
Segundo o veterinário Jaime Gonzalez, um dos poucos habilitados
a tratar da espécie no Rio de Janeiro (já que o bicho
é novo no mercado), os donos de ferret não correm
risco algum. Ele aconselha, no entanto, que haja um rígido
controle das enfermidades intestinais do animal. O ferret
pode ter verminose ou protozoários. É recomendável
que se faça exame de fezes duas vezes ao ano, acentua.
Além disso, deve ser vacinado contra raiva e cinomose, doenças
comuns em cães. Os animais da espécie vivem, em média,
de seis a oito anos. Alguns conseguem chegar a 12 anos.
A loja
Pet Ipanema é a primeira a comercializar o ferret no Rio
de Janeiro. Com filiais em vários bairros da cidade e uma
em São Paulo, a rede Pet vende todos os bichinhos que consegue
comprar do seu fornecedor. Este, por sua vez, só pode importar
100 por mês. Ou seja, muita gente precisa entrar na fila de
espera. Segundo Felipe Moreira de Paula, dono da loja Patas e Penas,
em Botafogo, as vendas estão cada vez mais aquecidas. Ele
vende em torno de cinco por mês, e esse é todo seu
estoque. Vendo igualmente para crianças e adultos.
É um animal independente, que se apega ao dono, completa.
No começo, enquanto não estiver adaptado ao novo ambiente,
o ferret pode ferir os donos com pequenas e esporádicas dentadas.
Para a carioca Tainá Teixeira Dewitte, nove anos, foi paixão
à primeira vista. Diante da vitrine de uma loja, caiu de
amores por um ferret assim que pousou os olhos nele. Por sorte,
sua mãe, Míriam Teixeira, também gostou do
bicho, a ponto de gastar, imediatamente, R$ 2 mil com o animal e
apetrechos. Batizado de Fred Teixeira Dewitte, o ferret de Tainá
completou 1 ano recentemente e ganhou festa com direito a bolo de
chocolate, doces e copos de plástico, como se fosse aniversário
de uma criança. Algumas amigas acham o Fred esquisito,
mas eu o acho muito bonitinho. Gosto mais dele do que do meu hamster
porque ele brinca mais comigo, explica a menina.
Além
dos acessórios básicos (gaiola, ração,
comedouro, bebedouro e vasilha sanitária), Fred possui um
guarda-roupa capaz de despertar inveja em atrizes e modelos. Roupinhas,
coleiras, bandana para pescoço, chapéus, saco de dormir,
saco para viagem, roupa de cama e banho, colônia, xampu, condicionador
e até um secador de cabelo só para ele.
Superbem cuidado, toma banho de dois em dois dias para evitar o
mau cheiro. A maior parte do trabalho fica com os empregados da
casa, mas Tainá ajuda a cuidar do bicho sempre que pode.
Vou ganhar um cachorro e espero que eles se dêem bem.
Se não acontecer uma amizade, vou dividir a atenção,
diz. O ferret escala cortinas e sofás e corre o risco de
despencar da janela. Não é aconselhável deixá-lo
solto sem que alguém esteja de olho. A pequena Tainá
gosta de passear com Fred na coleira e se impressiona com suas estripulias.
Quando vamos para Búzios, solto o Fred na praia e ele
sai cavando buracos na areia. Ele adora nadar no mar ou na piscina.
Ontem, dei uma planta para a minha avó e, quando vi, ele
estava fazendo um buraco dentro do vaso, conta. 
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