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COMPORTAMENTO
Bichos II

Cobras e lagartos

Até o final do ano, chegam às lojas reptéis liberados para criação

Camilo Vannuchi

Ricardo Giraldez
Rasmussen cria espécies diferentes

Troca-se pitbull violento por serpente dócil. Até o final do ano, chegam às lojas as primeiras espécies de cobra liberadas para criação doméstica. Segundo Richard Rasmussen, 30 anos, dono do criadouro Casa da Tartaruga, em São Paulo, o lote de cerca de 500 animais não conseguirá suprir a demanda. “Os répteis despertam fascínio. Os brasileiros começam a se interessar por jibóias e lagartos, bastante comuns nos Estados Unidos”, acredita. Lá, as espécies estranhas cativaram famosos como o cantor Iggy Pop, dono de uma iguana, e a atriz Angelina Jolie, que não troca sua cobra por nada. “Em geral, os donos de serpentes são tatuados, andam de moto e ouvem rock”, generaliza Rasmussen.

A venda de répteis foi autorizada em 1997 pelo Ibama, preocupado em minimizar o comércio ilegal de espécies selvagens. Segundo a lei, só as netas das matrizes podem ser vendidas e elas começam a nascer a partir de dezembro. Um microchip será implantado em sua pele para identificar o respectivo comerciante em caso de fiscalização. Para manter uma cobra em casa, deve-se reproduzir o seu hábitat natural em um aquário, com troncos e plantas. Também é necessário ficar atento à umidade e à temperatura do local. Répteis preferem espaços quentes e úmidos, o que obriga o dono a borrifar água diariamente ou a criar um lago artificial. Com lagartos, como os teius e as iguanas, os cuidados são os mesmos.

Há muitas vantagens na criação de répteis, avalia Richard Rasmussen. “A cobra cabe em uma caixa, exige limpeza e alimentação apenas uma vez por semana e o criador não precisa levar para passear”, diz. Mas alimentá-los é tarefa para apaixonados. Seu cardápio está restrito a um ou dois camundongos por semana. “Nos Estados Unidos já existem frozen rats (camundongos congelados). Os donos de cobra esquentam no microondas antes de servir. Aqui, ainda é preciso comprar os ratos nos criadouros especializados, por cerca de R$ 2”, conta Rasmussen. O preço de uma jibóia, espécie típica do Brasil, deve ficar por volta de R$ 500.

Outros animais domésticos são os tubarões e os polvos. Na loja Tecnomarim, em São Paulo, um polvo com 30 centímetros pode ser adquirido por R$ 30, enquanto um tubarão custa de R$ 250 a R$ 3 mil, dependendo da espécie. “O mundo todo captura tubarões e manda para Miami, de onde trazemos nossos animais”, conta Renato Veiga, um dos donos da loja. Para acomodar tubarões, é necessário um aquário de água salgada. E grande, já que os bichos alcançam um metro de comprimento e não vivem enrolados como as serpentes.

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