Rodeio
Chique no úrtimo!
Vip, nem pensar. Sem as mordomias habituais, famosos dão
bolo na festa do Peão de Barretos
Valéria
Propato
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Max
G. Pinto
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Menos ousados este ano, os agroboys não laçaram
as mulheres. Mas não faltou azaração |
A abertura
da 45ª Festa do Peão de Boiadeiro de Barretos, no último
fim de semana, não teve o fuzuê de gente famosa como
nas edições anteriores. O fervo (festa boa) aconteceu
do lado de fora dos camarotes, mesmo com um público bem inferior
ao do ano passado. O povo comeu muita vaca atolada (sopa de mandioca
com costela de boi) e moiô as palavra (tomou uma cachaça)
como manda a religião. Divertiu-se menos com o rodeio do
que com os shows, as gincanas e concursos com direito a prêmios.
O agito no camarote da Brahma, o mais disputado do evento pelo frisson
habitual de personalidades e artistas, não virou (não
deu certo). Como vip só sai de casa com tudo pago e este
ano não teve jatinho nem estadia de grátis
para os convidados, ninguém apareceu. Segundo as intrigas
do mundo country, a cervejaria não quis investir nos chiques
porque está renegociando o contrato de patrocínio
que expira neste ano e não sabe se irá
renová-lo. Preferiu apostar no consumidor comum, instalando
estruturas infláveis que dispersavam ar fresco pelo parque
e alegrando a balada na avenida 43, no centro da cidade, com trio
elétrico.
Para os visitantes do camarote, nada da opulência que a cervejaria
costuma promover no carnaval da Marquês de Sapucaí,
no Rio de Janeiro, onde confete é bufê completo. Em
Barretos, só deu azeitona, queijo em cubinhos e salame. Dentro
e fora do camarote, os homi, como sempre, eram maioria.
De famosos mesmo só a modelo Núbia de
Oliveira e a atriz global Mônica Carvalho, que não
podiam respirar de tanta pose para fotos, autógrafos e assédio
de marmanjos alcoolizados. Um fã chegou a colar uma fotografia
sua em forma de adesivo na manga da camisa de Núbia. Quem
sabe um dia cê vai conhecer minha casa em Piracicaba,
sugeriu. Eu preciso disso. É a prova de reconhecimento
de meu trabalho, agradeceu Núbia. Ao lado dela, um
trio de modelos ajeitadas (bonitas), de shortinho e bota cano longo,
era instruído por seu agente a galgar o caminho do sucesso:
Vocês têm que colar nos fotógrafos ,
dizia ele.
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Max
G. Pinto
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Querem saber tudo. Se faço xixi, como durmo. É
o que vende |
Nem
a estrela internacional de Barretos, a cantora country Reba MacEntire
(Réba Maquetai para os peões) apareceu. Depois de
misturar tambaqui (peixe da Amazônia), leitoa, galinhada e
feijão tropeiro em almoço no rancho do fazendeiro
Henrique Prata, Reba quase não se mexia no palco ao lado
de Chitonzinho and Xouroróu. Se ela não
falasse inglês, seria igual a gente, observou Prata.
Sandy e Júnior também desprezaram a festa da Brahma.
Foram tantas entrevistas para a imprensa, que a dupla quis evitar
a confusão do camarote. Sandy falou sobre o rompimento do
namoro com o ator Paulo Vilhena e disse que acha um saco
quando perguntam sobre sua virgindade. Querem saber tudo,
se faço xixi, como eu durmo. A gente tem de entender... É
o que vende, lamentou. Do camarote, uma fã da cidade
de Guaíra assistia ao show agarrada a uma estatueta de Nossa
Senhora de Aparecida que ganhou do marido. A festa era tão
família que não passou da meia-noite. Os peão
macho pra valê calça justa e braços
fortes deixaram o camarote com o brinde da Globo.com (parceira
da Brahma no evento) pendurado no ombro: uma bolsa transparente
com uma bolinha de borracha anti-stress dentro. Chique no úrtimo
(muito bom)! 
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