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O desvio - continuação

Mino Pedrosa e Eduardo Hollanda

Foto: Ronaldo de Oliveira/CBPRESS
Teotônio ia pagar o pato, mas seu suplente Lessa acusou Jorge

Eduardo Jorge Caldas, quem diria, está envolvido em outra encrenca: o desvio de R$ 4,5 milhões do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para a Fundação Teotônio Vilela. Preocupado em garantir que o rico dinheirinho fosse para a fundação do PSDB, que tem o presidente Fernando Henrique como um dos conselheiros, Eduardo Jorge resolveu matar dois coelhos com uma só cajadada. Conseguiu no Ministério do Trabalho que a verba ficasse também no ninho de um outro aliado: o governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB). Boa parte do dinheiro, que deveria ter sido usado para o treinamento de 54 mil trabalhadores, acabou sumindo. O escândalo estourou e a culpa sobrou para o presidente nacional do PSDB, senador Teotônio Vilela Filho (AL), e para o diretor-presidente da fundação, Geraldo Lessa, suplente de Teotônio. Mas agora se descobriu que Eduardo Jorge também estava no caso. É que, para se livrar das acusações, Teotônio jogou a batata quente nas mãos de Geraldo Lessa. Revoltado, o suplente resolveu entregar a história.

“Como eu podia armar essa coisa, se não conheço ninguém no governo do Distrito Federal? Quem tinha relações com o governo do DF dentro do PSDB era o Eduardo Jorge”, afirma Geraldo Lessa. De fato, nem o próprio Teotônio Vilela Filho admite que tivesse relações com a turma de Roriz capazes de sustentar a armação. “Nunca tive nenhum contato com o Wigberto Tartuce (secretário do Trabalho que acabou afastado do cargo), nem com Roriz, nem com o GDF”, afirmou Teotônio. O que ele não nega é sua amizade com Eduardo Jorge. Dois irmãos do ex-secretário-geral da Presidência trabalham no seu gabinete no Senado.

Por conta da confusão, Lessa e Teotônio agora estão brigados. E o suplente começou a levantar o fio da meada para se defender. Está contando reservadamente que, segundo apurou, a história começou quando Fernando Henrique incumbiu Eduardo Jorge de procurar uma estratégia para cortar pela raiz a carreira política do então governador do DF Cristóvam Buarque, que despontava como candidato do PT para suceder Lula na eleição presidencial de 2002. Para cumprir a missão, Eduardo Jorge virou a sombra política de Roriz, interferindo diretamente nas últimas duas eleições para o Palácio do Buriti. Na eleição de 1994, coordenou informalmente a campanha de Valmir Campelo (PTB) para governador, mas foi derrotado por Cristóvam. Deu o troco quando Cristóvam tentou a reeleição, em 1998, apoiando ativamente a candidatura de Roriz, o que lhe valeu a inimizade de outro concorrente ao governo do Distrito Federal, o senador tucano José Roberto Arruda. No segundo turno, quando Cristóvam e Roriz disputavam cabeça a cabeça, Eduardo Jorge mostrou seu poder acionando o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha (PMDB), para ajudar a injetar recursos na campanha de Roriz. Empreiteiras que tinham faturas pendentes, principalmente do Norte, tiveram seus recursos liberados pelo Ministério. Em troca, colaboraram com a campanha de Roriz. O empreiteiro e ex-governador do Acre Orleir Cameli foi um dos doadores da campanha. Coincidência ou não, o advogado de Roriz é o mesmo de Orleir: Eri Varela.

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