Mulher
Pesadelo na noite
Os pitboys, jovens ricos, em geral lutadores de jiu-jítsu, voltam
a atacar nas boates do Rio
Francisco
Alves Filho e Leticia Helena
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Foto:
Domingos Peixoto/ Agência O Globo
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estudante Rodrigo da Silva teve o nariz fraturado numa briga
na boate Skipper. |
Som
estridente, luz difusa, jovens de classe média alta dançando
ao som dos últimos sucessos. Um simples esbarrão e
a festa vira pesadelo. Voam cadeiras, vidros se estilhaçam.
Esse é o novo hit das boates do Rio de Janeiro: brigas monumentais,
envolvendo, quase sempre, lutadores de jiu-jítsu e seguranças.
Para atacar, vale tudo. Socos, mordidas, pontapés e até
tiros. Nos últimos 15 dias, cenas como essa repetiram-se
seis vezes. Em uma delas, o estudante Rodrigo Leandro da Silva,
17 anos, teve o nariz fraturado durante uma briga na boite Skipper.
Em outra, no Barrashopping, o segurança Reginaldo Peixoto
precisou levar 12 pontos no rosto para consertar os estragos de
uma dentada que sofreu de Davi Soares. Os brigões já
ganharam o apelido de pitboy numa referência ao raivoso
cachorro pitbull. Grupos organizados vão nas boates
apenas para brigar. Tem de haver mais policiamento, reclama
a mãe de Rodrigo, Maria Lúcia da Silva.
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Foto:
Domingos Peixoto/ Agência O Globo
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segurança do Barrashopping, Reginaldo da Silva, levou uma mordida
de David Soaresipper. |
Para
tentar garantir tranquilidade a quem quer apenas diversão,
a polícia carioca criou o Núcleo de Controle e Fiscalização
de Casas Noturnas. O objetivo é centralizar as informações
sobre tumultos, identificar os baderneiros e cadastrar os seguranças.
A xerife da patrulha do sossego é a delegada Monique Vidal,
29 anos, responsável pela prisão em fevereiro do lutador
Ryan Gracie. Herdeiro do mais tradicional clã de artes marciais
do País, Ryan, hoje em liberdade, agrediu um desafeto na
Ilha da Fantasia, uma boate da Barra da Tijuca. Na semana passada,
outro Gracie cruzou o caminho de Monique. Roger, 18 anos, primo
de Ryan, e mais três amigos foram autuados por formação
de quadrilha. Motivo: atacaram quatro pessoas com tiros de ar comprimido.
Os agressores são sempre pessoas de alto poder aquisitivo.
Nunca vi alguém que morasse na favela envolvido em confusões
desse tipo, diz a delegada.
As gangues classe A são sinônimo de confusão
e de despesa para os empresários. Na Slavia, uma cervejaria
da moda, são R$ 23 mil destinados mensalmente à segurança.
A casa criou um estilo de vigilância que está fazendo
escola: contratou lutadores de jiu-jítsu para trabalhar à
paisana e identificar os brigões antes mesmo de sua entrada
na boate. Tudo para não reviver o trauma de novembro de 1999.
Naquele mês, logo depois de inaugurada, a Slavia quase foi
destruída num batizado promovido por pitboys.
Não existe outra saída. Para dar paz aos clientes
é preciso investir alto em segurança, observa
o gerente-geral, José Estephânio.
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Foto:
Domingos Peixoto/ Agência O Globo
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O responsável
pela equipe de vigilantes é Stênio Lutgardes, 39 anos,
que pratica jiu-jítsu desde os 16. Conhecemos os lutadores
que causam tumultos, falamos a língua deles e sabemos como
neutralizá-los, afirma. Lutgardes gaba-se do fato de
que, nos três meses em que trabalha na Slavia, nenhuma briga
foi registrada. A idéia é evitar confrontos.
Se a situação complica, acionamos a polícia.
Para o psicanalista Marcelo Carvalho, que atende a jovens na Câmara
Comunitária da Barra da Tijuca, os brigões vêm,
em sua maioria, de famílias desestruturadas. Para compensar
a pouca atenção que dão aos filhos, muitos
pais de classe média deixam de impor limites. Eles acham
que podem fazer tudo.
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