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Especial
O
perigo mora ao lado - continuação
|
A
ameaça do fungo
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Em
nome da luta contra o comunismo, os Estados Unidos patrocinaram
uma guerra militar e biológica no Vietnã, utilizando
o famoso agente laranja, que desfolhava a selva, e o agente
azul, que dizimava as plantações de arroz, base
alimentar dos vietcongs. Agora, em prol do combate ao narcotráfico,
os americanos pressionam o governo colombiano para usar armas
biológicas (agentes que atacariam os cultivos de coca,
papoula e maconha) no país, especialmente na sua parte
que lhe cabe da Amazônia. O capítulo das armas
biológicas é um dos mais controvertidos do chamado
Plano Colômbia. Do país saem cerca de 80% das
drogas consumidas nos Estados Unidos. Há cerca de 120
mil hectares de coca e 17 mil hectares de papoula (da qual
se faz a heroína) plantados na Colômbia.
A
simples possibilidade de se utilizar um fungo chamado Fusarium
oxysporum, em meio à discussão sobre
como erradicar os cultivos ilícitos deixou entidades
ambientalistas, países vizinhos à Colômbia,
a comunidade científica e os camponeses que vivem no
Sul do país em estado de alerta máximo. Se fosse
líquido e certo que este fungo (que infecta a planta
através de sua raiz, provocando sua morte), ou outras
armas biológicas que estão sendo novamente estudadas,
atacasse somente os cultivos ilícitos, não prejudicasse
o meio ambiente nem a saúde das pessoas, tudo bem.
Mas não é. Testes realizados em meados da década
de 90 mostram que o fungo Fusarium oxysporum pode infectar
outras espécies. Não se sabe tampouco se o fungo,
por ter longa vida, pode sofrer mutações, infectando
outras plantas inocentes. O governo peruano já
se negou a testar ou desenvolver o polêmico fungo em
seu território. Mas o governo americano, que tem a
chave do cofre, pressiona os colombianos a adotar algum tipo
de arma biológica. As autoridades locais dizem que
não aceitam usar fungos estranhos à biodiversidade
do país e por isso vão pesquisar se o Fusarium
oxysporum é nativo da Colômbia.
Na
quinta-feira, 2, a discussão pegou fogo, quando o senador
independente Rafael Orduz, segundo o jornal El Tiempo, criticou
a falta de transparência nas discussões
sobre a guerra biológica que se pretende levar a cabo
no país. O uso de fungos, estrangeiros ou nativos
da Colômbia, pode ter efeitos nefastos sobre a saúde
humana e o meio ambiente num dos países mais ricos
em biodiversidade do mundo, afirmou. O senador protestou
ainda contra o lobby feito pelo governo dos Estados
Unidos e pelo Programa das Nações Unidas para
a Fiscalização Internacional de Drogas
para a utilização do fungo. No mesmo dia, mais
de 50 colombianos da comunidade científica enviaram
uma carta ao presidente Andrés Pastrana expressando
sua preocupação com a guerra biológica
através de fungos como o Fusarium oxysporum.
F.C.
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Morte
por fax
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esmo
para quem está acostumado à violência
das grandes cidades brasileiras, a Colômbia choca. Apesar
de ser cantada em verso e prosa como a mais antiga democracia
da América do Sul, a Colômbia está
longe disso. Dois partidos, o Liberal e o Conservador, revezam-se
no poder há décadas. Quando o partido Unidade
Patriótica (UP) surgiu, em 1985 fruto de um
acordo entre as Farc e o governo , a fragilidade da
democracia colombiana foi comprovada. Até hoje foram
assassinados mais de 3 mil integrantes da UP.
O
clima de terror é forte no interior, onde há
combates entre guerrilheiros, forças públicas
e paramilitares. Além dos massacres feitos pelos paras,
há os sequestros e recrutamentos forçados, boa
parte atribuída às guerrilhas. Mas mesmo em
grandes cidades, como Bogotá, o medo é evidente.
Quem se destaca nos movimentos sociais é ameaçado
de morte. Para garantir a segurança da missão
da Via Campesina, com nove representantes de entidades camponesas
da Europa e da América Latina, além de dois
jornalistas (o fotógrafo francês Georges Bartolli
e eu), o governo colombiano cedeu um carro blindado, armas
para os seguranças das próprias entidades e
rádios de comunicação. A missão
visitou cinco Estados do país, todos atingidos por
conflitos armados.
Quase
toda a direção do movimento agrário está
ameaçada de morte. Os paramilitares nos mandam fax
avisando que somos alvos. Eu mesmo estou ameaçado de
morte e tenho que ficar me escondendo aqui em Bogotá,
contou Javier Orozco, ex-presidente do Sindicato dos Funcionários
do Instituto de Terras da Colômbia.
Nesse momento, Javier recebeu um fax, das Autodefesas Unidas
da Colômbia (AUC), com 21 nomes de camponeses, acusados
de serem espiões das Farc, no qual constava
um amigo seu. O aviso: Vocês lêem os jornais?
O que prometemos, cumprimos. Vocês vão morrer.
Saiam de Campo Alegre e nos esqueceremos de vocês.
F.C.
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