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A
obstinação de um brasileiro
A
vitória de Rubens Barrichello no Grande Prêmio da Alemanha
surpreendeu e emocionou a quem acordou cedo, no domingo 30 de julho,
para assistir à corrida pela televisão. Surpreendeu
porque não permitiu aquele agradável segundo sono
das manhãs de domingo que o tédio da Fórmula
1 tem proporcionado. Antes de Hockenhein era difícil quem
aguentasse acordado mais de dez voltas e não caísse
no sono de novo. E emocionou porque premiou a persistência
de um brasileiro obstinado que, como já foi escrito aqui
neste espaço, além das dificuldades naturais em sua
carreira, carrega a bordo de sua Ferrari o peso extra das expectativas
nativas de ter um substituto para o insubstituível Ayrton
Senna. O prêmio para sua obstinação não
poderia ser mais incontestável: largou no fim da fila, guiou
de maneira agressiva, não cometeu erros e tomou decisões
arriscadas e acertadas. E, para arrematar, esta sua primeira vitória,
depois de sete anos e meio e 123 Grandes Prêmios de espera,
foi conquistada na casa do primeiro piloto de sua equipe, o privilegiadíssimo
Schumacher.
Barrichello, que já foi capa de ISTOÉ, ganha espaço
nesta edição a partir da pág. 70. Lá
o leitor vai conhecer a história do encontro de Paulo Facin
um competente jornalista que foi editor da revista Motor
3, hoje a MotorShow, publicada aqui na Editora Três
com o piloto em 1981. Rubinho tinha apenas 8 anos e escreveu uma
carta para Facin. A história e a carta são reveladoras
da obstinação e do caráter do piloto. E sua
leitura é tão comovente quanto a vitória em
Hockenhein.
Hélio
Campos Mello, Diretor de Redação
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