Investigação
CPI do seguro
Deputados pretendem apurar possíveis relações entre o governador
Covas e Eduardo Jorge
Adriana
Souza Silva e Gabriela Carelli
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Foto:
Jayme Carvalho Jr./Folha Imagem
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Tatto suspeita de caixa de campanha |
O governador
Mário Covas (PSDB) passou a semana resmungando. Ele ficou
irritado com a revelação feita por ISTOÉ de
que pode ter havido intermediação do esquema de Eduardo
Jorge ex-secretário de FHC nos negócios
realizados pela Companhia de Seguros Gerais do Estado de São
Paulo (Cosesp). Sua raiva, porém, de nada adiantou. Tão
logo termine o recesso parlamentar, a agenda da Assembléia
Legislativa paulista será preenchida com um pedido de CPI.
Deputados de oposição querem saber qual foi a participação
do Grupo Meta, ligado a Eduardo Jorge, na transferência, sem
licitação, de 99,9% da carteira de seguros de automóveis
da Cosesp para a Sul América Seguros. A transferência
levou de carona R$ 33 milhões a título de reserva
técnica, uma espécie de poupança usada para
eventuais sinistros. Covas se diz a favor das CPIs e das transparências.
E há denúncias de que sua caixa de campanha passou
por empresas de consultoria, de publicidade e pela Cosesp,
afirma o petista Jilmar Tatto, que promete pedir a imediata instalação
da CPI.
O também petista Paulo Teixeira enfatiza a necessidade de
o Legislativo buscar informações sobre o que chama
de caso nebuloso. Tudo aconteceu às vésperas
de uma campanha eleitoral, diz. Sabedor desse movimento, o
governador tentou se justificar. Na quinta-feira 27, convocou uma
coletiva apenas para dizer que não tem nada a ver com Eduardo
Jorge. Não houve intermediação da Meta
por parte da Cosesp no negócio com a Sul América,
esbravejou o tucano. O vice-presidente de produtos da Sul América,
Minas Mardirossian, no entanto, confirma que a Meta intermedia a
aquisição de novos clientes na sua companhia, incluindo
os que vieram da carteira da Cosesp, conforme ISTOÉ publicou
em sua última edição. O caso teve início
em junho de 1998 e até hoje não foi investigado.
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Foto:
Milton Michida/AE
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O deputado
Teixeira bem que tentou. Em agosto daquele ano, questionou a falta
de licitação, mas não houve resposta da Cosesp.
Na semana passada, o Ministério Público começou
a se mexer. Chamou para depor o ex-presidente da Cosesp José
Maria Monteiro, tesoureiro da campanha de Covas em 1998. O promotor
Fernando Capez suspeita que o negócio tenha violado a Lei
de Licitações. O Ministério Público
tem informações de que Monteiro assumiu a presidência
da Cosesp por indicação de Eduardo Jorge. Monteiro
foi trabalhar na seguradora Brasil Saúde quando deixou a
Cosesp em janeiro de 1999. A Sul América é uma das
principais controladoras da Brasil Saúde. O restante pertence
ao Banco do Brasil.
Em
Brasília, o deputado Agnelo Queiróz (PCdoB-DF) descobriu
que a Brasil Saúde recebeu, em 1999, R$ 11,7 milhões
de órgãos federais relativos a convênios de
saúde. Desse total, R$ 7 milhões teriam saído
do Ministério da Cultura. Os contratos foram intermediados
pela mesma Metacor. A Brasil Saúde não comenta a informação
e se diz no direito de não revelar os corretores de seus
clientes. Por que o BB usou a Metacor se tem a sua própria
corretora?, indaga o deputado, que pediu ao TCU investigação
sobre o caso. Não é de hoje que o Grupo Meta fecha
contratos na área de saúde sem licitação.
Em 1999, intermediou contrato entre a Cosesp e a Golden Cross para
atender órgãos públicos.
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