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As tentativas do governo de desqualificar as fitas publicadas
com exclusividade por ISTOÉ na quinta-feira 13 não
resistiram a uma prova pericial. A tropa de choque de FHC
acionou Andrea Matarazzo, secretário de Comunicação
da Presidência da República, para iniciar a operação
abafa e tentar evitar que a crise se alastrasse, principalmente
nos meios de comunicação com relações
mais institucionalizadas com o Planalto. Enquanto
ocorria a reunião ministerial, na noite de quinta-feira,
Matarazzo entrou em contato com o ex-secretário-geral
da Presidência, Eduardo Jorge, o Dudu, para pôr
o plano de desqualificação das fitas em ação.
Quis saber com Dudu de onde poderiam ter saído as gravações.
Dudu admitiu que poderia ser coisa do amigo e ex-senador Luiz
Estevão ou de assessores próximos ao político
cassado. Mais: combinaram que a versão oficial sobre
as fitas diria se tratar de gravações feitas
num restaurante, armadas e com consentimento do juiz Nicolau
dos Santos Neto. As fitas publicadas por ISTOÉ passaram
pelas mãos do perito Eduardo Zocchi. Ele não
só atestou a voz como sendo, de fato, a do juiz como
desmontou a tese do governo de que se tratava de uma armação
feita num restaurante. Na parte inicial da fita, ouvem-se
latidos de cachorros e o juiz conversa com seus interlocutores
sobre animais e comida para cães. O local é
uma casa, onde poderia estar escondido o juiz. Para garantir
o sigilo da fonte, ISTOÉ resolveu chamar de outro os
dois homens que participaram da conversa. Um deles é
um coronel da reserva ligado ao extinto SNI. O laudo do perito
é um forte argumento em favor do jornalismo e contra
a tentativa do governo de desqualificar a fita e, com isso,
minimizar o seu explosivo conteúdo, cujos estilhaços
atingem o Palácio do Planalto e alta cúpula
do governo.
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"Essa
conta do Fábio é dinheiro de pinga, uma
coisinha assim"
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Outro:
Qual é a denúncia?
Nicolau: Eles falaram dessa tal denúncia...
nem sei se é isso. (começa a ler) A conta
de Nicolau dos Santos Neto proveio do Commercial Bank, em
New York, de onde partiu a ordem bancária de Fábio
Monteiro de Barros em favor da empresa Rossi International,
no valor de 6.230. Pô, nunca tive conta nem no
Commercial Bank ou qualquer outro. Não existe.
Outro: O sr. não podia era tentar desqualificar
a denúncia (...)
Nicolau: Não existe isso. (lendo) No valor
de 6.230, em favor da Rossi International. Não
é daquele canalha do Lauro?
Outro: A firma é do Lauro (Bezerra Filho),
a Rossi International.
Nicolau: O Fábio (Monteiro) teria feito alguma...
Outro: Fábio pode ter pago alguma coisa...
Nicolau: (...) abrir conta...
Outro: Não, não. Isso é furada.
Essa conta do Fábio é uma conta muito...é
coisa de...dinheiro de pinga mesmo, uma coisinha assim. Ele
pode ter pago o Lauro, não sei, mas não dado
origem...acredito que a Rossi é que foi...não
é essa a denúncia?
Nicolau: A Rossi, não.(lendo) De onde partiu
a ordem bancária de Fábio Monteiro de Barros
em favor da empresa Rossi International.
Outro: Então, e daí, qual é o
problema?
Nicolau: (...) É uma menção completamente
perdida.
Outro: Só se o Lauro forçou...
Outro: Ah, ele deve ter dito que ele era...
Nicolau: Mas em compensação o filho do
Lauro quando prestou depoimento disse que não quer
saber do pai, que o pai é um crápula. (...)
Nicolau: Mas não tem absolutamente nada...
Outro: Pode ficar sossegado. Isso não existe.
Ele pode ter dito que passou pro sr. alguma coisa, sei lá.
O Lauro, né. Mas não tem, essa conta do Fábio,
o saldo dela é 200 dólares, 500 dólares.
Outro: O sr. na declaração da Receita
disse que dia o sr. iniciou a conta, não disse?
Nicolau: Não entendi.
Outro: Quando o sr. fez o reajuste de sua declaração
em 89...
Nicolau: Mas eu não declarei nada, eu pedi a
verificação.
Outro: Mas naquela época o sr. já tinha
conta lá. Como é que abriu conta...?
Nicolau: Ah, sim. Quando eu fiz a declaração
aqui em juízo, eu disse que já tinha conta fora
desde 79, 80.
Outro: Bom, não tem sentido um papo desse,
entende. Agora, precisava pegar o processo e a cópia
(...) Porque, olha, eles escrevem cada coisa que o sr. não
acredita.
Nicolau: É, umas aberrações que
não têm tamanho.
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Uma
história complicada de Carlos Wilson
em Miami
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Outro:
Carlos Wilson (senador PPS-PE)?
Nicolau: Nunca. Alguém me falou muito mal do
Carlos Wilson, inclusive uma passagem que houve em Miami.
Uma ocasião ele estava lá e levou duas putas
(...) pro apartamento, mandou chamar o ponto e ficaram numa
briga (...).
Outro: É um moralista, né? (...)
Nicolau: (...) Filho da puta.
Outro: Aquele cara é mau-caráter.
Outro: Muito.
Nicolau: Também o tipo dele é... (...)
Nicolau: Ele é de que terra, hem?
Outro: Pernambuco.
Outro: Ele é parente de Wilson Campos?
Outro: O pai dele foi senador e foi cassado na época
da ditadura. Pegaram ele roubando, montaram um flagrante,
ele recebia propina, e aí o Geisel (general Ernesto
Geisel, ex-presidente) mandou cassar ele. Usaram os AI-5,
essas coisas aí, mas ele foi cassado por corrupção, não por
política. E eles têm esse trauma. Quer ser candidato agora
a prefeito de Recife. (...) É um puxa-saco do Antônio Carlos.
Nicolau: Mas não se elege...
Outro: Ele é muito puxa-saco Nicolau : Muito, é ele
e o Paulo Souto (senador, PFL-BA) são dois lacaios.
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