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ISTOÉ, que nos últimos anos apresentou o motorista que levou ao impeachment de Collor, denunciou o escândalo do Sivam e o envolvimento do ex-ministro Élcio Álvares com o crime organizado, mostra laudo que comprova a autenticidade das fitas do juiz Lalau

Gabriela Carelli e Mario Simas Filho

Foto: Alan Rodrigues
Avalistas Massini (à esq.) e Negrini defendem o laudo de Zocchi

Na última semana, alguns setores do governo estiveram mais preocupados em questionar a origem e a autenticidade das fitas reveladas por ISTOÉ do que em procurar esclarecer o conteúdo delas. Na quinta-feira 20, a revista recebeu os primeiros resultados oficiais da análise técnica das gravações. Depois de exaustivos exames, o físico Eduardo Zocchi concluiu que as fitas não resultam de nenhuma montagem e que os diálogos reproduzidos pela revista foram mesmo protagonizados pelo juiz foragido Nicolau dos Santos Neto. Para chegar a essa conclusão, Zocchi, que durante três anos trabalhou com análises de vozes para identificação criminal no Instituto de Criminalística de São Paulo (IC), comparou as fitas apresentadas por ISTOÉ com a gravação do depoimento do juiz na CPI do Judiciário. “Os métodos utilizados no exame das fitas são consagrados internacionalmente”, diz Osvaldo Negrini Neto, diretor do IC. “Com equipamentos de última geração, foi feita a verificação das características gerais das vozes e a análise estrutural dos espectros sonoros referentes a fonemas identificadores. O resultado é absolutamente idôneo.”

Conteúdo – O perito Nelson Massini, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, também acompanhou a elaboração da análise. “O trabalho realizado na perícia é o mais indicado. Pelo que pude acompanhar, fica absolutamente claro que a fita foi gravada em ambiente aberto e que os diálogos transcorreram de forma natural. São conversas informais gravadas no início de março em dois momentos diferentes”, afirma o perito. Para evitar que os diálogos revelados pelas gravações fossem efetivamente investigados, além de questionar a autenticidade das fitas, houve, no governo, quem tentasse desqualificar seu conteúdo por ter informações fornecidas por um juiz foragido da Justiça e acusado de desviar R$ 169 milhões das obras do fórum trabalhista de São Paulo. O problema é que os fatos contados por Lalau não são fruto de imaginação nem de uma armação. Isso ficou muito claro na última semana.

Foto: Ricardo Stuckert
Negócios do deputado Robson Tuma confirmam acusações do juiz na fita

“Sei que o senador Romeu Tuma (PFL-SP) e Nicolau foram amigos”, disse o atual presidente do TRT paulista, Floriano Vaz da Silva, durante depoimento prestado à CPI do Judiciário, em 3 de maio do ano passado. Na gravação revelada por ISTOÉ, Lalau define o senador como “um amigo”, “um aliado”. Para indicar ao interlocutor o grau dessa amizade, o juiz admite ter nomeado 16 pessoas a pedido do senador e outras dez a pedido do deputado Robson Tuma (PFL-SP), filho do senador. Não era novidade para ninguém que o ex-juiz classista Antônio Dirane fora nomeado por Lalau. Coincidência ou não, Dirane é irmão de Zilda Tuma, esposa do senador. Também na sede da Polícia Federal, onde a influência de Romeu Tuma ainda é marcante, poucos se surpreenderam com as revelações do juiz. Até a segunda-feira 17, apenas dois agentes estavam efetivamente empenhados em capturar Lalau. Só na última semana, após a amizade de Tuma e Nicolau tornar-se pública é que as buscas se intensificaram.

Bom negócio – As revelações do juiz em relação ao deputado Tuminha também se confirmaram na última semana. A compra de uma mansão num bairro nobre de Brasília mostra como o deputado da CPI do Narcotráfico engorda seu patrimônio, utilizando-se do seu sobrenome. A casa, construída em um terreno de 20 mil metros quadrados, custou oficialmente R$ 700 mil, pagos em dinheiro. Na verdade, a operação de compra esconde uma história mais complicada. O antigo proprietário, Ricardo Amaro Gonçalves, é filho de Joel Amaro Gonçalves, um empresário que respondia a alguns inquéritos na Receita e na Polícia Federal por fraudar certidões negativas do INSS para habilitar empresas a participar de concorrências públicas. Esses casos acabaram arquivados por influência de Tuma pai. Em Brasília, corretores de imóveis asseguram que a casa custou para Tuminha um valor bem inferior aos R$ 700 mil declarados. Hoje, 13 meses depois de passar a escritura, o deputado colocou a casa à venda por R$ 1,8 milhão.

 

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