Eleições
2000
Tiro ao tucano
Proximidade com o PPS e com o PSDB autêntico ameaçam candidatura
de Luiz Paulo em Vitória
Ana Carvalho
– Vitória
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Foto:
Ed Ferreira/AE
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ISTOÉ
Foi um erro não ir para o PPS?
Luiz Paulo Se as ameaças de impugnação
se concretizarem será a prova de que eu estava errado
e Hartung certo. Não é inteligente o PSDB jogar
pela janela esse patrimônio político.
ISTOÉ Se perder o sr. sai ?
Luiz Paulo Só expulso, impugnado ou sob intervenção.
Se eu for proibido de trabalhar, não estou saindo, estou
sendo expulso.
ISTOÉ Quem é o seu candidato ao Planalto?
Luiz Paulo Destaco Serra e Tasso Jereissatti. São
os mais bem preparados. Gestão e política com
qualidade são primos irmãos. Chegar ao poder com
compra de votos e trambicagem dará um governo de baixa
qualidade. Com favorecimentos não se governa para o povo.
ISTOÉ Isso acontece com FHC?
Luiz Paulo Se não se conseguiu avançar
mais deve-se à qualidade da política da base governista.
ISTOÉ Violência e desemprego são
da alçada de um prefeito?
Luiz Paulo A preocupação com o desenvolvimento,
a integração dos serviços públicos
e superação das desigualdades é de âmbito
muito local. É preciso avançar na descentralização.
Temos a lei de responsabilidade fiscal, mas não temos
política de crédito. Costumo dizer que endividamento
é igual a colesterol: tem o bom e o ruim. ão |
No
dia 6 de julho de 1988, um manifesto publicado no Diário
Oficial da União anunciava: Longe das benesses oficiais,
mas perto do pulsar das ruas, nasce um novo partido. Era a
criação do PSDB. Com apenas quatro anos, a legenda
que trazia como símbolo um tucano sustentou no bico um plano
de estabilização, que levou ao Palácio do Planalto
um dos seus principais quadros, o então ministro da Fazenda
Fernando Henrique Cardoso. Hoje, Fernando Henrique avança
em seu segundo mandato e o partido já tem 12 anos. Os compromissos
e a forma de execução do ideário social-democrata
combater as desigualdades sociais, as oligarquias, respeitar
a democracia interna e promover um crescimento econômico rápido
para erradicação da miséria, entre outros
vêm provocando uma divisão e uma acirrada disputa pelo
comando do partido. Os chamados autênticos, corrente da qual
fazem parte os presidenciáveis José Serra, ministro
da Saúde, e o governador do Ceará, Tasso Jereissati,
enfrentam a resistência daqueles que se agregaram ao partido,
com pouca ou nenhuma afinidade com o programa que privilegia a gestão
moderna, responsável, não clientelista e de resultados.
A
luta interna, com os olhos voltados para 2002, começa a fazer
vítimas dentro do partido e atingir aliados de primeira linha
dessa corrente. O PSDB reedita o processo que o originou: expurgar
aqueles que se identificam com a política tradicional. O
prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo Lucas, por exemplo,
pode ter sua chapa à reeleição impugnada a
pedido do diretório regional de seu próprio partido,
o PSDB, comandado pelo governador do Espírito Santo, o também
tucano José Ignácio Ferreira. A Executiva estadual,
presidida pela ex-vice de Luiz Paulo e ex-senadora Luzia Toledo,
decidiu no dia 19 de junho que qualquer coligação
com a oposição (PT-PPS e PDT) teria de ser aprovada
pela regional. Isso ocorreu seis dias antes da convenção
homologar a chapa do prefeito, com vice do PPS e amparada por 13
partidos, entre eles o PDT, o PPS, o PL.
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