Pesquisa
Política do pé na rua
Governante popular é o que troca o gabinete pelo contato com
o eleitor, revela Brasmarket
Adriana
Souza Silva e Inês Garçoni
Os seis
telefones da Prefeitura de Ariquemes, em Rondônia, tocaram incessantemente
na tarde da última quarta-feira, no horário de expediente.
Ninguém atendeu. Era a reportagem de ISTOÉ tentando
falar com o prefeito Francisco Duarte Azevedo (sem partido), o último
colocado na pesquisa realizada pelo Instituto Brasmarket em 422 municípios.
Não se sabe por onde os administradores de Ariquemes andavam.
O fato é que para Azevedo recuperar algumas posições
nos últimos meses de seu mandato, o mais prudente seria usar
as horas vagas longe do gabinete para perambular pela cidade, no corpo
a corpo com a população, como fazem os campeões
de popularidade da pesquisa.
Já
visitei todas as salas de aula da minha cidade, orgulha-se
Wander Borges (PSB), prefeito de Sabará (MG), o quinto na
preferência dos entrevistados. As saídas às
ruas, porém, só funcionam para os que estão
de bem com o eleitor. Borges conta que duplicou o número
de vagas na rede de ensino e reduziu o custo fixo da prefeitura,
usando, por exemplo, o próprio carro para trabalhar. A mesma
fórmula foi usada em São Gonçalo do Amarante
(RN), cujo prefeito Francisco Potiguar (PMDB), o Poti, reduziu sua
renda e a de seus secretários em 30% para sanear as contas.
Resultado: é o administrador mais querido do País,
segundo a pesquisa. Poti e os outros quatro primeiros colocados
são candidatos à reeleição e lideram
as pesquisas de intenção de voto.
O Instituto
Brasmarket ouviu 211 mil pessoas em todo o País para a pesquisa
concluída em abril deste ano. A classificação
tem como base o Fator de Excelência Administrativa (FEA),
calculado a partir da soma dos resultados positivos da qual se subtraem
os negativos. Para cada um dos sete conceitos que podem ser atribuídos
a uma administração é dado um peso: o porcentual
de ótimo é multiplicado por 4; de bom, por 3; de regular
positivo, por 2; de regular, por 1; regular negativo, por -2; de
ruim, por -3 e de péssimo, por -4. A qualidade da gestão,
portanto, é avaliada sem riscos de distorções.
Nenhuma
capital do País tem sua administração municipal
entre as 20 primeiras colocadas. O resultado da pesquisa derruba
a idéia de que as prefeituras de grandes municípios,
com dinheiro disponível para gastos em propaganda e realização
de obras faraônicas, têm mais chances de agradar a população.
É o caso de São Paulo, onde o prefeito Celso Pitta
(PMN) ficou em último lugar no ranking feito só entre
as capitais. Nessa tabela o primeiro colocado, Alfredo Nascimento
(PL), prefeito de Manaus, tem um FEA equivalente à 23ª
colocação na tabela das demais cidades. Para Ronald
Kuntz, diretor-presidente da Brasmarket, isso é prova de
que um dos fatores mais importantes para a aprovação
de um governo é a percepção, por parte do eleitor,
de que o administrador está preocupado em resolver os problemas
da cidade. A maioria das prefeituras com alta aprovação
é de municípios pobres. O povo sente que o prefeito
está presente e sabe que ele não pode resolver todos
os problemas, avalia.
A política
do pé na estrada também se aplica aos
governos estaduais. Roseana Sarney (PFL), governadora do Maranhão,
é a mais querida do País e ensina: O administrador
não pode ficar trancado no gabinete. Tem de sair para a rua,
conhecer os problemas do povo. Roseana descentralizou o governo,
acabando com as secretarias e criando 18 gerências no Estado.
Se rezarem pela cartilha de Roseana, o governador que menos agrada,
José Bianco (PFL), de Rondônia, e o prefeito Pitta
talvez se saiam melhor nas próximas pesquisas.
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