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O poder de Lalau - continuação


Em 30 de setembro de 1996, o presidente Fernando Henrique Cardoso endossou parecer do ministro Martus Tavares (documentos abaixo), liberando uma quantia extra de R$ 25,76 milhões para o prédio do juiz Nicolau. Na ocasião, o TCU já havia apontado irregularidades na obra

Eduardo Jorge era mesmo poderoso. Martus seguiu suas ordens e no dia 27 de setembro de 1996 propôs a abertura de crédito suplementar de R$ 25,7 milhões para tocar a obra do TRT. Para convencer o presidente Fernando Henrique da necessidade de dar mais dinheiro para o prédio de Nicolau, Martus endossou os argumentos da Justiça trabalhista de que sem novas verbas a construção do edifício poderia ser comprometida.

 

 

“O relatório técnico que acompanha a solicitação demonstra o estágio avançado da construção e alerta para os comprometimentos e prejuízos que advirão da descontinuidade do empreendimento”, escreveu Martus na exposição de motivos número 238 enviada ao presidente, que remeteu o projeto de lei ao Congresso três dias depois. Na quarta-feira 12, o Planalto disse que o presidente não leu o que assinou. O dinheiro para o fórum que até hoje não está pronto saiu da reserva de contingência, destinada a gastos urgentes, como atendimento a desabrigados por enchentes e outras catástrofes. Martus desconsiderou a denúncia do deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA), baseada em relatório do TCU, de que a obra estava superfaturada. “O ministro alegou que, sem o novo dinheiro, havia até o risco de ressecamento das tubulações. Mas o risco mesmo era secar o duto da propina”, ataca o deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF).

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