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O poder de Lalau

Gravações de conversas do juiz foragido comprovam que o alto escalão do governo e parlamentares participavam ativamente do esquema de liberação de verbas superfaturadas

Mino Pedrosa e Ricardo Miranda

Juiz Nicolau dos Santos Neto e o Eduardo Jorge

O governo já tem todos os elementos para saber quais dos seus integrantes auxiliaram o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas a
colaborar com o esquema de superfaturamento da construção da sede do Fórum Trabalhista de São Paulo. Uma investigação que dura um ano, feita em parceria pela Polícia Federal e a Agência Brasileira de Informações (Abin), com mais de 400 horas de gravações de conversas telefônicas entre o juiz foragido Nicolau dos Santos Neto e seus amigos, retrata o submundo das negociações entre o magistrado, hoje caçado pela polícia, e autoridades do primeiro escalão em Brasília. ISTOÉ obteve trechos de algumas dessas fitas que revelam a prática de vários crimes, entre eles prevaricação e tráfico de influência.

Nas conversas grampeadas, Nicolau, além de contar como negociava com Eduardo Jorge a escolha de juízes classistas pró-Plano Real, expõe o caminho das pedras por onde conseguia mais dinheiro para a obra, que teve um desvio de R$ 169 milhões. Primeiro, ele procurava pessoalmente ou telefonava para Jorge, com quem costumava se encontrar no escritório particular que o ex-ministro mantinha para conversas sigilosas. Lá, fazia os acertos. Encaminhado por Eduardo Jorge, Nicolau seguia para encontros com o hoje ministro do Planejamento, Martus Tavares, na época secretário-executivo do Ministério e responsável pela chave do cofre. As fitas, somadas a documentos assinados por Martus e divulgados na quarta-feira 12 por deputados da oposição, mostram que o ministro adotava critérios pouco ortodoxos no exercício de sua função de decidir o destino dos recursos do Orçamento. “Já que você tem um pistolão desses, nem precisa dizer mais nada”, teria dito Martus, conforme conta Nicolau numa conversa gravada na primeira quinzena de março deste ano.

 

Colaboraram: Leonel Rocha e Isabela Abdala (DF)

 

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