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As jogadas de Dudu
Eduardo Jorge sempre atuou à sombra do poder e hoje está rico

Foto: Emivaldo Silva/Jornal de Brasilia
Eduardo Jorge (à dir.), ao lado da mulher, Lídice, e o amigo Cláudio Haidamus, entre Patrícia Rangel e Gisele Haidamus: agora sócios nas empresas Meta, com sede em Brasília

Os procuradores da República estão convencidos de que o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge Caldas Pereira tem muito a explicar sobre sua participação no processo de liberação de verbas para a obra superfaturada do fórum trabalhista em São Paulo. Por exemplo: sua sociedade com o empresário Cláudio Faria na L.C. Faria Consultores Associados, uma empresa que os procuradores suspeitam ter recebido parte dos R$ 169 milhões desviados do TRT. Terá de justificar também como conseguiu, tendo sido funcionário público a vida inteira, juntar dinheiro suficiente para se exibir agora como novo milionário. A ponto de no começo deste ano ter comprado um apartamento, avaliado em R$ 1 milhão, no luxuoso condomínio Praia Guinle, em São Conrado, endereço nobre do Rio de Janeiro. As investigações pretendem esclarecer ainda a teia de interesses em que o ex-ministro está envolvido e que começou a ser revelada por ISTOÉ em dezembro de 1998. Numa série de reportagens, a revista mostrou como ele manipulava os fundos de pensão e seguradoras das estatais e revelou suas ligações com o lobista Cláudio Haidamus, seu amigo íntimo.

Foto: Carlos Magno
O imóvel de R$ 1 mi, em São Conrado, e o prédio no Leblon (à dir.): R$ 10 mil de aluguel

Haidamus virou um empresário de sucesso depois de se casar com uma sobrinha de Jorge e atuar como intermediário de empresários e políticos junto ao homem forte do primeiro governo FHC. Na época, os dois só admitiram o relacionamento pessoal. “Sou amigo de Eduardo, mas nunca tratamos de qualquer negócio”, disse Haidamus. “O Cláudio é meu amigo e não é nenhum canal com o governo. Só trato com ele assunto de família”, endossou Jorge. Menos de quatro meses depois das reportagens de ISTOÉ, Eduardo Jorge assumiu a sua condição de empresário e, pelas mãos de Haidamus, tornou-se formalmente sócio do grupo Meta, uma holding que controla outras duas empresas – a Metacor e a Metaplan – e atua na área de seguros.

Capital externo – A Meta tem um plano ambicioso: atrair um parceiro estrangeiro para participar da privatização do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB). Devem ser ajudados pelo escritório dos advogados Marcos e Rui Caldas Pereira, irmãos de Eduardo Jorge, com ampla experiência adquirida nas vendas de empresas do porte da Embraer e da Paranapanema. Todos esses empreendimentos tiveram a parceria do Previ, o bilionário fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Os irmãos Caldas foram advogados da Incal, a empresa responsável pela construção do fórum de Lalau. Também foram contratados pela empreiteira Encol, protagonista de outro grande escândalo no primeiro mandato de FHC.

ISTOÉ publica, em dezembro de
98, denúncias contra Eduardo Jorge

Quem também desempenhou papel de destaque na mãozinha dada à Encol com recursos do Banco do Brasil foi o amigo Cláudio Haidamus. Mostrando que sua atuação na família não se limitava às festinhas comandadas por Lídice, mulher de Eduardo Jorge, ele levou no início de 1995 o diretor-regional da empresa em Brasília, Marcus Vinícius de Sousa Vianna, para um encontro com o secretário-geral da Presidência. Também intermediou várias idas do dono da Encol, Pedro Paulo de Sousa, ao Palácio do Planalto. “Sempre que eu precisava falar com Eduardo Jorge, pedia ao Cláudio Haidamus para marcar o encontro”, contou o próprio Pedro Paulo a ISTOÉ. A partir dessas conversas, a operação de socorro da construtora deslanchou no Banco do Brasil. Em julho de 1995, num empréstimo que teve o dedo de Eduardo Jorge, a diretoria do BB aprovou a rolagem da dívida de R$ 60,9 milhões da Encol, que já dava passos largos no caminho para se tornar o maior trambique imobiliário do País.

Antes que os escândalos viessem à tona, Jorge ainda exerceu a função de coordenador operacional da campanha da reeleição de FHC. Sua intenção era voltar a trabalhar no Planalto. Depois das denúncias publicadas por ISTOÉ, perdeu o lugar no governo, passou a morar num apartamento alugado por algo em torno de R$ 10 mil mensais em frente à praia do Leblon, no Rio, e partiu com tudo para a área empresarial. Mas até recentemente admitia apenas que era dono da EJP Consultores Associados, que lhe asseguraria uma renda mensal fixa de R$ 60 mil, pela prestação de serviço a grandes empresas. “O que faço é dar consultoria estratégica para compatibilizar políticas empresariais com as políticas de governo”, explica, negando-se a revelar os nomes de seus clientes. Numa tentativa de justificar o seu novo padrão de vida, andou espalhando em Brasília que tem faturado cerca de R$ 100 mil por mês. Tamanha competência nos negócios contrasta com a gestão financeira da campanha de FHC, que deixou um rombo de mais de R$ 3 milhões e a nebulosa história da invasão por hackers da conta do comitê no Banco do Brasil. A sociedade com Cláudio Farias na LC Farias, concorrente da própria EJP, só veio a público porque foi descoberta pelos procuradores na Junta Comercial de Brasília.

Além de colocá-lo como a bola da vez no escândalo, os procuradores pretendem jogar um holofote sobre os negócios de Eduardo Jorge. Tentarão tirá-lo das sombras em que sempre atuou na vida pública e na privada.

 

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