Governo
O assessor-bomba
Eduardo Jorge cria problemas para FHC ao revelar que o juiz
Nicolau ajudava o Planalto
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ISTOÉ detalhava as relações entre
Nicolau e Jorge
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Desconforto,
constrangimento e o sentimento de traição tomaram
conta do Palácio do Planalto depois que o ex-secretário-geral
da Presidência Eduardo Jorge Caldas revelou as relações
institucionais do juiz foragido Nicolau dos Santos Neto com
o governo Fernando Henrique. A entrevista do amigo do presidente
há 15 anos, dada ao jornal Valor no meio da semana, amargou
o café da manhã servido quinta-feira 6 pelo presidente
aos jornalistas no Alvorada, como parte das comemorações
dos seis anos do Plano Real. A lama na qual está mergulhada
a construção da sede do Tribunal Regional do Trabalho
de São Paulo, depois de atingir o Senado com a cassação
de Luiz Estevão, espirrou no Planalto. Eduardo Jorge abriu
mão do silêncio e da discrição habituais
para admitir que o ex-presidente do TRT juiz Nicolau atuava como
informante do governo na defesa do Plano Real. Cabia a ele, acusado
de desviar R$ 169 milhões da obra do TRT, indicar ao Planalto
os nomes de juízes classistas que vetariam a indexação
salarial, contrária à filosofia do plano que elegeu
pela primeira vez FHC. O TRT de São Paulo derrubou
todos os planos anteriores ao Real, com sentenças a favor
do Sindicato dos Metalúrgicos, afirmou Eduardo Jorge,
afastado do gabinete de FHC quando foi convidado a assumir
a coordenação do comitê da reeleição.
Depois da morte de Sérgio Motta, passou a ser o responsável
pelo caixa da campanha.
O presidente
interrompeu a estratégia de dar ênfase aos comentários
otimistas sobre a economia para justificar as declarações
do ex-colaborador. FHC sentiu-se traído pelo amigo, que vinculou
suas relações com Nicolau a indicações
de juízes favoráveis à desindexação
salarial. O presidente reconheceu as ligações entre
Eduardo Jorge e o juiz que está foragido. No que eu
sabia, o Eduardo Jorge se envolveu na questão dos tribunais
do trabalho, não só no de São Paulo, para que
eles fossem bem informados sobre o plano e não decidissem
contra o Real, pela volta da indexação. Na entrevista,
Eduardo Jorge contou que Nicolau não era mais presidente
do TRT quando me foi apresentado como o homem que falava pelo
tribunal. Ele fez relatórios sobre os nomes que constavam
das listas encaminhadas ao Planalto e apontou quais, dentre eles,
eram a favor da indexação. Depois da indicação
de Nicolau, Eduardo Jorge levava os nomes favoráveis ao Plano
Real a Fernando Henrique, que os nomeava.
Hoje,
Eduardo Jorge é consultor de empresa e recebe uma aposentadoria
de R$ 8,5 mil do Senado. A compra de um apartamento avaliado em
US$ 1 milhão na praia de São Conrado (RJ) despertou
a atenção do Ministério Público. Os
promotores vão investigar também a origem do dinheiro
com o qual paga o aluguel de cerca de R$ 10 mil de um apartamento
onde mora no Leblon. O MP vai à Justiça pedir a quebra
dos sigilos bancário, telefônico e fiscal do ex-colaborador
de FHC. Há o entendimento de que Eduardo Jorge teria confessado
crime de tráfico de influências ao falar de Nicolau.
Na edição 1545, de maio de 1999, ISTOÉ publicou
reportagem sobre as estreitas relações entre o juiz
e Eduardo Jorge. Nicolau vangloriava-se da amizade. Os procuradores
querem saber exatamente que tipo de ligação tinha
o ex-secretário com o juiz. A CPI do Judiciário descobriu
117 telefonemas do juiz para Jorge, quando ele estava no governo.
Conforme antecipou Tales Faria, na coluna Fax Brasília, edição
1605, Eduardo Jorge aproveitou sua amizade com FHC e foi ao Planalto,
há duas semanas, tentar a última cartada para evitar
a cassação do amigo Luiz Estevão. Nada conseguiu
e viajou para os EUA. Já no fim de 1998, ISTOÉ mostrava
as amizades suspeitas do todo-poderoso assessor de FHC. Ele reempregou
na Dataprev diretores acusados de corrupção no governo
Collor e demitidos por Itamar. No mesmo dia da publicação
da explosiva entrevista, o irmão de Eduardo Jorge, Tarcísio
Pereira, deixava a Presidência da Casa da Moeda.
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