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INTERNACIONAL
México

Fox trota - continuação

Na primeira eleição sem fraude do México, o oposicionista Vicente Fox derruba sete décadas de domínio do PRI

Hátia Mello - Cidade do México

O mais jovem presidente da Coca-Cola da América Latina – Fox assumiu o cargo em 1974, aos 32 anos – também aglutinou o apoio do empresariado dentro e fora do país. “Fox irá privilegiar as pequenas e médias empresas”, acredita o industrial mexicano Sergio Labra, da Cromadora Golar. O panista também anunciou sua intenção de estreitar os laços com o Brasil (leia quadro). Seu assessor esquerdista Porfirio Muñoz disse a ISTOÉ que “é urgente o incremento das relações comerciais com o Brasil”. A cooperação comercial entre os dois gigantes latino-americanos hoje é quase insignificante e esse incremento mudaria totalmente o panorama entre os dois países. O candidato do PRD, Cuauhtémoc Cárdenas, também disse a ISTOÉ em sua casa que “qualquer presidente que assuma o governo do México terá de voltar os olhos para a América Latina, e o Brasil é um país muito importante”. Segundo dados do Secom, os investimentos brasileiros no México não passam de US$ 50 milhões e os do México no Brasil não atingem US$ 100 milhões anuais. “É o momento para se fazer um tratado de livre comércio com o Brasil. Os empresários brasileiros deveriam se reunir com o presidente Fernando Henrique Cardoso para acertar uma nova proposta a ser oferecida ao novo governo mexicano. Os impostos hoje estão muito altos. O comércio entre os dois países poderia triplicar”, afirmou com entusiasmo o representante no México da indústria de calçados Eucatex, Francisco Cirett Ávila. O diretor-geral da Cofap-Disa (que inclui a Metal Leve, Freios Vargas e Xadec), Hermann Borda, também disse a ISTOÉ que está otimista. “Vejo com bons olhos a vitória de Fox. Haverá estabilidade e talvez consigamos o tratado com o Brasil que nunca aconteceu.”

Conservadorismo – Apesar de ter idéias inovadoras como empresário, Fox é essencialmente um conservador. Divorciado e pai de quatro filhos adotivos, esse estudante aplicado do colégio de jesuítas aliou-se à ala conservadora da Igreja Católica mexicana na luta contra o aborto. Sua filha mais velha, Ana Cristina, 20 anos, uma de suas conselheiras durante toda a campanha e que já está sendo chamada de “primeira-filha”, afirmou a ISTOÉ que Fox irá enfocar muito mais os problemas da mulher. Mas Ana Cristina, que foi adotada com um mês de idade, afirmou que, como ela, seu pai é totalmente contra o aborto. Fox também considera o homossexualismo “um ato contrário à natureza humana”.

O novo governo vai ter de fazer malabarismos para reformar as instituições, muitas delas corruptas e diretamente ligadas ao narcotráfico. “A única garantia que temos na vida é a morte, mas uma promessa eu posso fazer: em seis anos, acabo com a corrupção no México”, disse Fox. Em tom cuidadoso e conciliatório, o presidente eleito afirmou que seu governo irá contar com membros do PRI e do PRD, além de seus aliados ecologistas.

Um dos maiores expoentes da intelectualidade mexicana, o escritor Carlos Fuentes escreveu que nestas eleições todos saíram vencedores: o povo mexicano, o presidente Zedillo, o IFE, Fox e Labastida. Ganhou a democracia, que começa a despertar no México. Como em Las Mañanitas.

Aproximação com o Mercosul

A derrota de Labastida (foto) desencadeou
uma violenta luta interna no PRI, com críticas ao presidente Zedillo
Na terça-feira 4, o presidente eleito Vicente Fox concedeu uma coletiva no Hotel Fiesta Americana, na Cidade do México, a 300 jornalistas do mundo inteiro.

ISTOÉ – O sr. disse que gostaria de ver de perto algumas experiências de países da América Latina, incluindo o Brasil. O sr. pretende incrementar as relações com o governo brasileiro?
Vicente Fox – Todas as experiências de países que passaram por transformações democráticas como o Brasil, o Chile e a Argentina nos interessam. Também nos interessa nos aproximarmos do Mercosul.

Sobre América Latina


Creio que chegou a hora, depois de mais de um século, de converter em realidade um sonho bolivariano de irmanar os países latino-americanos, não apenas na língua, costumes e raízes, mas principalmente em ações políticas e econômicas. Eu creio que o século XXI será o século da América Latina.

Sobre Chiapas


O mais importante é restabelecer o diálogo. Se houver um compromisso sério, a resolução será retirar o Exército da região.


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