Pesquisa
O mapa do amor
Cientistas ingleses mostram quais áreas do cérebro são ativadas
quando se está apaixonado
Mônica
Tarantino
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Foto:
AE
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“Depois de Daniela, em 29 jogos
marquei 29 gols”
França, atacante do São Paulo
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Os
primeiros a tentar desvendar os mistérios do amor foram os
poetas e romancistas. Agora o desafio está nas mãos
de cientistas. O mais recente progresso para explicar uma das principais
emoções humanas foi publicado na semana passada na
revista New Scientist. Os neurologistas Semir Zeki e Andreas Bartels,
do University College de Londres, conseguiram mapear as áreas
do cérebro que são ativadas com os estímulos
do amor.
Eles
confirmaram o aumento de atividade do cérebro em quatro regiões
e a diminuição em uma outra. Das quatro primeiras
áreas, duas estão numa região profunda do lobo
temporal. Uma é a insular medial, provavelmente ligada às
sensações no abdômen, daí a explicação
para aquele inconfundível friozinho na barriga. A segunda,
o giro do cíngulo, situa-se no sistema límbico, associado
às emoções. As duas restantes estão
relacionadas aos movimentos e comportamentos condicionados pela
busca de recompensa. Como fazem, por exemplo, os bebês, que
aprendem a mandar beijinhos para obter a aprovação
dos pais.
A região do cérebro inibida é o giro pré-frontal
do córtex, a mesma que fica menos ativa em pessoas deprimidas.
Talvez por isso o amor correspondido seja sinônimo de disposição.
O jogador França, do São Paulo e da Seleção,
é uma das pessoas que tiveram a vida mudada pela paixão.
Namorando a bancária Daniela Damasceno, 21 anos, há
pouco mais de um ano, França afirma que o seu cotidiano ganhou
um outro ritmo. Antes, eu ficava três jogos sem marcar
um gol. Depois de Daniela, em 29 jogos marquei 29 gols, conta
o jogador.
A técnica
empregada pelos cientistas foi a observação das mudanças
na atividade mental de 17 voluntários manifestadas diante
da visão da foto do amado. Depois testaram as reações
em frente de retratos de pessoas queridas. Com a ajuda do exame
de ressonância magnética funcional (revela em quais
partes cerebrais ocorre gasto maior de glicose, o combustível
dos neurônios), os pesquisadores concluíram que o estado
emocional característico do amor é gerado pelas alterações
químicas ocorridas nessas áreas. O achado de Zeki
e Bartels é importante, mas não traz respostas definitivas.
A vontade e outras sensações envolvem centenas
de processos simultâneos localizados em diferentes áreas
do cérebro, avalia o neurologista Rogério Tuma,
de São Paulo.
Mapear
as emoções humanas no cérebro vem se tornando
uma linha importante de pesquisa. Já se sabe que sinais
da paixão como suor e tremor nas mãos, faces coradas
e pernas bambas são causados por uma complexa cadeia de reações
químicas, diz o neurocientista Gilberto Azzi, de São
Paulo. É um coquetel de hormônios envolvidos em diversas
funções fisiológicas. Por exemplo, da dopamina
e da norepinefrina, principais responsáveis pelas mãos
úmidas, pele avermelhada e sensação de alegria
e euforia que envolve os enamorados.
As
emoções da paixão também estimulam a
produção dos hormônios noradrenalina e da adrenalina
nas glândulas supra-renais, provocando a constrição
dos vasos sanguíneos e a aceleração dos batimentos
cardíacos. Os cientistas querem descobrir mais sobre as emoções.
Pretendem, por exemplo, explicar o que acontece quando sorrimos
ou amamos. Isso pode fornecer pistas para o desenvolvimento de métodos
que restaurem funções como a audição
e o raciocínio. Uma perspectiva capaz de apaixonar qualquer
cientista.
Colaborou
Chico Silva
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