Turismo
Caribe colombiano
Citada nos romances de Gabriel García Márquez,
Cartagena de Índias mistura história, fantasia, festas
e belezas naturais
Rita
Moraes - Cartagena
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Foto:
Divulgação
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A muralha de 11 quilômetros
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A Colômbia
costuma aparecer no noticiário como lugar violento, cheio
de sequestradores e narcotraficantes. Mas ela também pode
ser sinônimo de turismo. Existe uma região a noroeste
do país que se ajeita entre picos da Cordilheira dos
Andes e parte da Floresta Amazônica banhada pelo mar
do Caribe e com o clima de realismo fantástico dos romances
de Gabriel García Márquez. Pouco conhecida dos brasileiros,
Cartagena de Índias, a uma hora da capital, Bogotá,
tem pacotes baratos e os mesmos atrativos de outros pontos do Caribe:
céu azul o ano inteiro, temperatura média de 30 graus
e a malemolência que os turistas buscam nas férias.
Seis noites na cidade colonial, com café da manhã,
city tour e passagem aérea pela Avianca incluídos,
custam a partir de US$ 743 (cerca de R$ 1,5 mil). Ricos e famosos
do país têm lá sua casa de veraneio, inclusive
o ilustre García Márquez, prêmio Nobel de Literatura
1982, que nasceu em Arataca, povoado ao norte da Colômbia.
A notoriedade, no entanto, não o livrou de críticas
ao construir uma casa de linhas modernas em pleno centro histórico.
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Foto:
Divulgação
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A matriz da Cidade Antiga são visitas obrigatórias.
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Cercada
por uma muralha de 11 quilômetros, a parte antiga de Cartagena
é cheverie, como dizem os cartagenenses. O máximo.
Admirando-a da baía de Cartagena, não é difícil
se imaginar em galeões piratas rebatendo o bombardeio dos
canhões das fortificações militares. Uma das
primeiras cidades da América espanhola, Cartagena de Índias
foi fundada em 1533 e logo transformou-se em ponto estratégico
para os conquistadores. De lá, os espanhóis remetiam
para a coroa as riquezas saqueadas da colônia, como as peças
fundidas em ouro pelos índios, que cultuavam o Sol como Deus
ou seja, roubada dos índios que cultuavam o sol com
lindas peças fundidas em ouro. Cartagena era também
a preferida dos ladrões dos mares. A cidade sofreu mais de
20 ataques e até o antológico pirata inglês
Francis Drake passou por lá.
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Foto:
Divulgação
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Após o banho nas ilhas, pode-se passear de chiva
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Tombada
desde 1985 pela Unesco como Patrimônio Histórico e
Cultural da Humanidade, a Cidade Antiga tem casas em estilo colonial,
ricas igrejas com altares em ouro e conventos (hoje transformados
em hotéis sofisticados). Por toda parte, há as românticas
charretes, onde casais apaixonados iniciam a noite tomando champanhe.
De índole rumbeira, o povo adora festa. Pequenas praças
são animadas com música ao vivo. O point depois das
dez é a danceteria Mr. Babilla. O teto e as paredes de cores
fortes são cobertos por quinquilharias, como quadros de santos
e barris de cerveja. A ordem é sacolejar ritmos caribenhos
em cima das mesas e o brasileiro pode se surpreender com a versão
tecno-salsa de Aquarela do Brasil.
O convento onde hoje funciona o hotel Sofitel Santa Clara foi um
dos cenários do livro Do amor e outros demônios, de
Márquez. Ali começa a história da menina com
a cabeleira de cobre de mais de 15 metros. No centro do luxuoso
bar do hotel há uma escada estreita que conduz à antiga
cripta onde Márquez encontrou inspiração para
o romance. Dos andares mais altos, também dá para
espiar o quintal da casa do escritor.
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Divulgação
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Ou matar o tempo nos tradicionais cafés de rua
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Enfeite
Fora das muralhas, a cidade de cerca de 800 mil habitantes
cresce com muitos hotéis estrelados. As típicas chivas
réplicas dos primeiros transportes coletivos colombianos
que carregavam cacarecos e animais domésticos engraçam
com suas cores berrantes ruas e pontes ao redor de Cartagena. São
tradição em toda a Colômbia. O engraçado
é que alguns, caindo aos pedaços, apresentam-se com
a inscrição executivo. Imagina-se qual
seria a outra opção. Há também as chivas
turísticas, abertas nas laterais e incrementadas com uma
banda de música. Ainda enfeitam as ruas as palenqueiras,
vendedoras com cestos de frutas e doces na cabeça. Elas
choram com o nascimento de uma criança e fazem festa com
a morte de um parente. Também trabalham para manter os maridos
guardadinhos e descansados em casa, conta o guia Marcos Alvarez,
39 anos. Remanescentes de um grupo de negros rebeldes dos
mais de dois milhões de escravos que entraram no país
por Cartagena , os palenques se isolaram no interior do continente
e mantiveram sua cultura.
Além
de muita história para contar, Cartagena também encanta
pelas belezas naturais. As praias da cidade não têm
a tonalidade verde-azulada dos sonhos do Caribe, mas o Arquipélago
do Rosário é imperdível. É formado por
27 ilhas e fica a apenas uma hora do porto de Cartagena. Um passeio
de barco, com direito a almoço típico pescado,
arroz de coco e patacon (banana verde frita) na Ilha do Sol,
por exemplo, sai por R$ 45. No caminho, há arrecifes de corais,
peixes multicoloridos e um aquário com direito a show de
golfinhos. Com as paradas, o passeio pode chegar a R$ 80. A sensação
de estar fora do mundo no silêncio de um mergulho vale o investimento.
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