Investigação
Pororoca
na Procuradoria
Empresário
diz que Brindeiro aceitou documento falso para arquivar inquérito
contra o governador do Amazonas
Mário
Simas Filho
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Foto:
Alcyr N. da Silva
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Juarez Barreto e o comprovante da carta remetida a Brindeiro:
“Jamais inocentei o governador”
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No
início do ano, o procurador-geral da República, Geraldo
Brindeiro, guardou uma bomba na gaveta. Essa bomba, agora, está
muito perto de explodir. Trata-se de um detalhado dossiê com
indícios de corrupção praticada pelo pefelista
Amazonino Mendes, governador do Amazonas. No inquérito, revelado
por ISTOÉ em maio, o empresário Juarez Barreto Filho,
dono da North American empresa de importação
e exportação com sede em Nova York , admite
ter pago propinas ao governador em troca de ter exclusividade na
venda de geradores elétricos para o Estado. Para mostrar
que dizia a verdade, Barreto Filho encaminhou à Procuradoria
cópias de cheques no valor de US$ 2,1 milhões, ficha
de abertura de conta assinada pelo governador no Maryland National
Bank, em Luxemburgo, e um recibo de depósito de US$ 500 mil
feito nessa conta. Para engavetar a explosiva papelada, Brindeiro
usou uma declaração que teria sido feita pelo próprio
Barreto Filho. Em 32 linhas, o empresário teria escrito que
tudo o que dissera e mostrara era mentira. Bastou isso. Brindeiro
não remeteu à perícia nenhum dos documentos
entregues por Juarez. A novidade que poderá fazer a bomba
engavetada explodir é que o empresário assegura jamais
ter assinado tal documento.
A
declaração é falsa. Nunca inocentei o governador.
Quero que o procurador faça as perícias necessárias
em cada documento. Inclusive no falso desmentido, desafia
Barreto Filho. Sou o maior interessado em levar esse caso
até o final, pois depois que fiz as denúncias não
consegui vender um parafuso para o Brasil, lamenta. Se antes
de inibir as investigações o procurador-geral tivesse
submetido os papéis a exames técnicos, certamente
saberia se a declaração apresentada pelo governador
Amazonino Mendes era verdadeira ou não. O mesmo poderia ter
ocorrido em relação aos demais documentos presentes
no inquérito. O arquivamento do caso sem um exame preliminar
dos documentos foi precipitado, diz o presidente da Associação
Nacional dos Procuradores da República, Carlos Frederico
dos Santos. Agora, com essas novas informações
fornecidas pelo autor das denúncias, o procurador-geral tem
o dever de reabrir o inquérito, sentencia Santos.
A declaração
que levou Brindeiro a colocar na gaveta as acusações
contra o governador Amazonino Mendes teria sido redigida em Nova
York, no dia 24 de agosto do ano passado. Mas Barreto Filho diz
ter se dirigido ao procurador duas semanas antes, através
de uma carta registrada. Nessa carta, o empresário cobra
o andamento das investigações, se colocando à
disposição da Procuradoria para qualquer esclarecimento
futuro. Está evidente que houve má-fé
e não apenas um deslize funcional no arquivamento feito por
Brindeiro, reclama o deputado estadual Eron Bezerra (PCdoB-AM).
O procurador-geral deve se afastar do cargo. Ele não
tem condições morais para dirigir a Procuradoria.
Para
que o inquérito seja reaberto, basta uma iniciativa do próprio
Brindeiro. Caso isso não ocorra, o deputado Bezerra pretende
fazer um pedido formal para que as investigações sejam
retomadas. Entre os procuradores da República, o engavetamento
desse caso é visto como uma das melhores explicações
sobre os motivos que levam Brindeiro a carregar a fama de o arquivador-geral
da República.
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