CAPA
 ÍNDICE
 Exclusivo Online
 REPORTAGENS
 MULTIMÍDIA
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS
 FOTOGRÁFICOS
 ISTOÉ CONFERE
 ARTIGOS
 ESTAÇÃO DA LUZ
 BATE-PAPO ÍNTEGRAS
 Editorias
 ARTES & ESPETÁCULOS
 BRASIL
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 COMPORTAMENTO
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 EDUCAÇÃO
 ENTREVISTA
 INTERNACIONAL
 MEDICINA & BEM-ESTAR
 POLÍTICA
 Seções
 A SEMANA
 CARTAS
 DATAS
 EDITORIAL
 EM CARTAZ
 FAX BRASÍLIA
 GENTE
 SÉCULO 21
 VIVA BEM
 Busca
  Procure outras matérias
BRASIL
Denúncia

Lição de anatomia - continuação
Cadáveres tirados do IML de Curitiba eram recortados no laboratório de uma faculdade e vendidos para universidades do Sul e Sudeste do País

Mino Pedrosa - Curitiba

Foto: Ricardo Stuckert
Taylor cumpria ordens do
ex-diretor do IML

Foragidos – Procurado por ISTOÉ, Roberto Taylor confirmou o envolvimento da Faculdade Tuiuti no esquema. A ordem, segundo ele, vinha sempre de Chico Louco. “Ele chegou um dia e me pediu prioridade total para a Tuiuti. Disse que não interessava quantos cadáveres a faculdade, através de Sérgio, requisitasse. Para não perder o emprego, obedeci”, contou. Acima de Taylor, estão a chefe do Necrotério, Marilza Zaven Guimarães, e o chefe da Divisão Técnica do IML da capital, Marcos Souza, que apesar do afastamento de Chico Louco permanecem nos cargos. Sérgio Luís e Taylor foram depor na semana passada e confirmaram a história toda à polícia. Eles foram indiciados e estão foragidos. O coronel Sidney negou qualquer participação na venda ilegal de cadáveres através da sua faculdade. Disse ter afastado os funcionários Sérgio Luís e João Henrique Faryniuk e aberto uma sindicância. Mas manteve Chico Louco no quadro de professores.

O esquema funcionava de forma planejada. O alvo eram os cadáveres carimbados como “não identificados” e “não reclamados” pelo IML. De cada dez corpos que chegam ao instituto, um é de indigente. Na média feita por legistas, cerca de 40 corpos por ano deveriam parar em alguma faculdade. O esquema contribuía para aumentar esse número. Chico Louco negou ter participado e chamou Sérgio e Taylor de doentes mentais. No entanto, uma comissão de legistas que tenta moralizar o IML promoveu um levantamento mostrando que, em quatro anos, 280 cadáveres foram doados, sendo 200 para a Tuiuti. A média permitida é de no máximo três cadáveres por faculdade para uso de 175 alunos/ano.

Foto: Ricardo Stuckert
Chico Louco para atender às solicitações da Faculdade Tuiuti, da qual é professor

Para que ninguém notasse a diferença entre os cadáveres que entravam e os que saíam do IML, Chico Louco e Roberto Taylor, com a ajuda de Sérgio Luís, enterravam em covas coletivas no Cemitério Santa Cândida somente os restos não vendidos dos cadáveres. As mortes eram registradas, por meio de Fichas de Acompanhamento Funeral, nos cartórios da cidade – principalmente no Registro Civil do 3º Ofício e no Distrital do Uberaba. Só o 3º Ofício recebe por mês 200 fichas de óbitos, sendo pelo menos 60 de indigentes. Depois do registro, o corpo estava pronto para ser enterrado ou doado para uma faculdade. Os documentos então eram entregues à Funerária Paranaense, que encaminhava à Central de Luto do Município de Curitiba uma guia de sepultamento, invariavelmente no Cemitério Santa Cândida, destino final de nove entre dez indigentes da capital paranaense.

A quantidade de enterros chamou atenção: havia algo de podre no reino do IML e da Tuiuti. Consta no livro de registro do Cemitério Santa Cândida que somente no dia 30 de setembro de 1999, no setor GF, quadra 8, lote 48, sepultura 93.381, foram enterrados 23 corpos. A cova pertence à Faculdade Tuiuti. Outro registro mostra que o esquema vem de longe. No dia 9 de maio de 1996, mais sete cadáveres foram enterrados em outra sepultura, no setor G, quadra 2, lote 43, também de propriedade da Faculdade. A descoberta das covas coletivas mostra que existe uma desova clandestina de restos humanos, oriundos do esquema. A maioria dos 30 cadáveres foi liberada no IML por Sérgio Luís. ISTOÉ examinou todas as certidões de óbito, muitas delas assinadas pelo próprio Sérgio. É o caso da certidão 15.291, de um “desconhecido” com idade e parentesco “ignorados”, que teria morrido de cirrose hepática no dia 7 de outubro de 1994 – 1 ano e sete meses antes de seu suposto funeral.

Foto: Ricardo Stuckert
Estudo feito por legistas mostra que, em quatro anos, 280 cadáveres foram doados, sendo 200 para a Tuiuti

Investigação – O esquema de venda de pedaços humanos foi denunciado ao senador Roberto Requião (PMDB-PR), que entregou a ISTOÉ um dossiê com cópias de contratos para venda e “confecção” de órgãos humanos, do livro de entrada de corpos do IML e de atestados de óbito. “É um escândalo inominável, um crime de vilipêndio”, ataca. O senador defende a entrada da Polícia Federal nas investigações. Requião estava certo quando suspeitava que as covas estariam guardando apenas restos de quem deveria estar ali por inteiro. Na quarta-feira 28, o delegado Falzen Salmen, acompanhado dos médicos legistas Wilson Bozzi de Sá, Carlos Roberto Faccin e Vitório Lunardon, exumou nas covas da Tuiuti despojos que seriam de 23 cadáveres. Na reconstituição, os legistas só conseguiram recompor dez troncos, todos sem crânio, faltando alguns membros superiores ou inferiores. Faltavam partes de 13 cadáveres.

O deputado estadual Ricardo Chab (PTB), membro da Comissão de Segurança Pública, tem sido ameaçado por denunciar as irregularidades de Chico Louco. O senador Requião disse ter recebido um organograma da quadrilha, que aponta como chefe do esquema o próprio Chico Louco, funcionário do IML há 42 anos. Exonerado do cargo, foi acusado de ser conivente com um esquema de falsificação de laudos para o recebimento do Seguro Obrigatório de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores (DPVAT) e de assédio sexual contra pelo menos duas meninas, vítimas de estupro, que se submeteram a perícia no seu instituto. O Ministério Público também impetrou ação civil pública contra o ex-diretor do IML por improbidade administrativa e enriquecimento ilícito. Ele cobraria honorários para fazer laudos particulares, contrariando os laudos oficiais do próprio instituto.

<< anterior

LEIA TAMBÉM


Retrato da infância

A incrível história do coronel Breno Cunha

Lição de anatonia

O cisma da
camisinha

Pororoca na Procuradoria



 
ENQUETE 1

Você é monogâmico?
  Sim
Não
ENQUETE 2

É possível ter prazer
na monogamia?
Sim
Não
Às vezes
FÓRUM 1
O que você acha do comércio de cadáveres feito pelo IML do Paraná?

FÓRUM 2
Em Portugal agora o uso de drogas não é mais crime, é problema de saúde pública. O que você acha disso?
Leia em Artigos On Line
A política do avestruz


EDIÇÕES
ANTERIORES


ESPECIAIS

ASSINATURAS

EXPEDIENTE

PUBLICIDADE

FALE CONOSCO


ASSINE A
NEWSLETTER


 

| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três