Música
No ritmo da invenção
Antologia de 20 CDs extraídos do acervo da Sony/Columbia resgata fase
iluminada do jazz
João
Marcos Coelho
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Foto:
Facely/Sipa Press
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Trompete mágico em obras essenciais
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Já
está nas lojas a Jazz collection, imponente antologia de
20 CDs pinçados do riquíssimo acervo da Sony/Columbia.
Ninguém precisa torcer o nariz porque são relançamentos.
Quem se aventurar a ouvir alguns destes álbuns de primeira
qualidade vai perceber a surpreendente atualidade de músicos
como Thelonious Monk, Bill Evans, Miles Davis, Herbie Hancock e
Wayne Shorter. O historiador Scott DeVeaux ressalta que enquanto
as big bands e o estilo New Orleans soam sempre nostálgicos,
o bebop tem sabor atual aos nossos ouvidos internéticos de
passagem do milênio. É porque o ritmo constitui o núcleo
da passagem do jazz como arte autenticamente popular para a condição
de música de invenção. As gravações
de músicos novos, entre eles os trompetistas Terence Blanchard
e Wynton Marsalis, são verdadeiros exercícios de estilo,
ou seja, tocam jazz com o distanciamento do músico clássico.
E aí não entra nenhum juízo de valor, apenas
a constatação. É assim que as melhores avaliações
de cada um dos discos da coleção recaem sempre sobre
os registros dos anos 50/60.
Para
o consumidor, também conta a relação custo-benefício.
Em vez das tradicionais e caríssimas caixas temáticas,
a gravadora preferiu lançar os discos individualmente, remasterizados,
acrescidos de faixas inéditas e takes desprezados. Entre
as grandes obras, o álbum duplo Monk alone reúne tudo
o que o pianista e compositor registrou em solo. São 37 faixas
iluminadas, já que seu piano não tem paralelo, no
jazz ou em qualquer gênero musical. Outro grande destaque
é o trompete mágico de Miles Davis em quatro CDs-chave
do jazz moderno: Sketches of Spain, Porgy and Bess, Miles ahead
e Kind of blue. Ainda na categoria obras-primas entram Piano player,
de Bill Evans; o duplo Ellington at Newport; o ótimo Mingus
dinasty; e Lady in satin, penúltimo disco de Billie Holiday,
de 1958, em que ela, com um fio de voz, consegue ser nada menos
do que magistral e comovente.
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