Livros
Apocalipse now - continuação
Depois de vender 18 milhões de exemplares nos Estados Unidos, série
baseada em livro bíblico chega ao Brasil romanceando com terror o
fim dos tempos
Luiz
Chagas
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Imagem clássica do anticristo: submissão ao inimigo planetário
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Ficção
barata Para os detratores da série bíblica-ficcional,
a união profissional teria sido um casamento típico
de elementos dos anos 50: ficção barata e moralismo
retrógrado. De nada adiantaram as pedras atiradas,
pois as vendas foram crescendo ao mesmo tempo que o ano 2000 se
aproximava e as especulações sobre o fim do mundo
se multiplicavam. Numa fabulosa demanda ascendente, a série
explodiu em território americano, principalmente depois do
quinto volume, Apoliom, que, a exemplo do seguinte, Assassinos,
chegou ao segundo lugar dos best sellers. Hoje, a Tyndale House
Publishers, Inc. se orgulha de receber, entre as toneladas de cartas
cheias de elogios, um contingente enorme de declarações
de fé feitas por gente que se converteu após a leitura
dos livros. Para engrossar o show de marketing, LaHaye & Jenkins
atualmente percorrem os Estados Unidos com a Left behind tour, acompanhados
de músicos que dão um colorido extra aos seus discursos
assistidos por multidões pagantes. Porque ninguém
quer ser deixado para trás.
Aqui
no Brasil, o evangélico canadense David Falk, um homem de
negócios que morou no País durante sete anos, cuidava
da Editora Cristã Unida. Falk tinha objetivos modestos. Como
a editora era ligada a uma igreja, havia muita burocracia. Sua idéia,
então, foi comprá-la e transformá-la na United
Press. A transação aconteceu há quatro anos
e assim que farejou a comoção em torno da série
apocalíptica comprou os direitos para o Brasil. Ele acredita
muito na aceitação da saga por parte dos brasileiros.
Natural, porque até os mais céticos, por diversão,
estão lendo os tais livros. Eu ficaria satisfeito com
10% do sucesso nos Estados Unidos, onde o primeiro volume levou
só 39 semanas para vender um milhão de exemplares,
diz Falk. O sexto saiu com uma tiragem inicial de dois milhões
e esgotou-se em três semanas. Em terras tupiniquins, os 25
mil exemplares vendidos dos quatro primeiros volumes são
um feito e tanto em termos de Brasil.
Nos Estados Unidos, os livros que foram traduzidos para 16
línguas se encontram disponíveis nas versões
audio books, dramatic books (leitura dramatizada), vídeo
(Você tem sido deixado para trás?) e CD (People get
ready, com músicas de Al Green, Barry McGuire, etc.). Paralelamente,
também lotam as prateleiras exemplares da Left behind
the kids series, já no seu décimo volume, abordando
o mesmo assunto, mas com enfoque adolescente. No Brasil, Deixados
para trás série teen está no quarto
livro, cada um vendido a R$ 2,99. Para completar, desde março
está sendo rodado em Toronto, Canadá, o filme Deixados
para trás o futuro é claro, baseado no primeiro
volume e deixando entrever que também é uma série.
Em
A colheita, mais recente volume da série lançado aqui,
a ação se passa dois anos após o Arrebatamento.
O piloto Steele e o jornalista Williams, agora seu genro, procuram
suas mulheres entre as ruínas de um terremoto. Hattie, a
comissária, tornou-se companheira de Carpathia, o anticristo.
O mundo se dividiu entre crentes e incrédulos. Descontados
os tropeços e a excessiva literatice da tradução
brasileira, os enredos não deixam de ser atraentes. Também
pudera, é baseado num argumento original de eficiente popularidade
comprovada: a Bíblia.
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