CAPA
 ÍNDICE
 Exclusivo Online
 REPORTAGENS
 MULTIMÍDIA
 FOTO DA SEMANA
 ENSAIOS
 FOTOGRÁFICOS
 ISTOÉ CONFERE
 ARTIGOS
 ESTAÇÃO DA LUZ
 BATE-PAPO ÍNTEGRAS
 Editorias
 ARTES & ESPETÁCULOS
 BRASIL
 CIÊNCIA & TECNOLOGIA
 COMPORTAMENTO
 ECONOMIA & NEGÓCIOS
 EDUCAÇÃO
 ENTREVISTA
 INTERNACIONAL
 MEDICINA & BEM-ESTAR
 POLÍTICA
 Seções
 A SEMANA
 CARTAS
 DATAS
 EDITORIAL
 EM CARTAZ
 FAX BRASÍLIA
 GENTE
 SÉCULO 21
 VIVA BEM
 Busca
  Procure outras matérias
ARTES & ESPETÁCULOS
Cinema

Amor pela diferença
Bernardo Bertolucci mostra a paixão entre um músico inglês e sua criada africana em O assédio


Veja trailer do filme
O Assédio

Ivan Claudio

Foto: Divulgação
Thandie é peça de um jogo de sedução num filme de ritmo totalmente musical

Por 14 anos o diretor italiano Bernardo Bertolucci recusou fazer filmes no seu país. Dizia que o marasmo da Itália não lhe atraía. Neste período, preferiu imprimir seu estilo luxuoso em enredos passados na China, Marrocos, Nepal e Butão, assinando produções exóticas como O último imperador, O céu que nos protege e O pequeno Buda. Agora, no entanto, Bertolucci parece ter fincado os pés para sempre na sua terra natal. Sucessor do luminoso Beleza roubada, O assédio (Besieged, França/Itália, 1998), em cartaz no Rio de Janeiro e em São Paulo, confirma seu renovado interesse pelos temas peninsulares. Rodado numa Roma florida e ensolarada, o filme trata da crescente imigração africana no país. O mais interessante é que Bertolucci não força no viés sociológico. Aborda o fenômeno através de uma história de amor invulgar e completamente longe dos clichês habituais.
Valendo-se de uma admirável liberdade narrativa, o diretor de 59 anos mostra o relacionamento da estudante africana de Medicina Shandurai (Thandie Newton) e do pianista inglês Jason Kinsky (David Thewlis) através de uma trama elíptica, que mais esconde do que mostra. Separada do marido, preso político na África, a jovem sobrevive trabalhando como doméstica do músico. Enquanto ele passa o dia junto a seu Steinway, ela tira poeira de valiosas antiguidades. À noite, aproveitando-se do sono da criada, alojada no primeiro andar do palazzo, Kinsky lhe manda presentes e mensagens cifradas pelo elevador passa-pratos, usado por ela como guarda-roupas.

As diferenças culturais e linguísticas entre os personagens servem de pretexto para o uso mínimo de diálogos e a aposta máxima no poder da imagem. Desnecessário dizer que o visual é deslumbrante nesta história feita de lances inesperados, que revelam o progressivo envolvimento do casal através do olhar que cada um deposita sobre o outro. No auge de sua paixão pela criada, Kinsky se declara e promete fazer tudo para que ela o ame. Shandurai, então, lhe implora para libertar o marido da prisão. O que se segue é uma sucessão de cenas magistrais, que ilustram sem um pingo de sentimentalismo como o amor pode transformar as pessoas.

Bertolucci afirmou que O assédio é uma espécie de “trecho de música de câmara para o cinema”. De fato, o filme – feito originalmente para a tevê – se afasta do lado sinfônico e portentoso das suas superproduções épicas. Mas a música assume um papel especial, servindo como meio de comunicação entre os personagens. Ao tentar expressar seu amor por Shandurai, Kinsky se entrega a peças clássicas de Mozart, Bach e Scriabin, enquanto a criada se alegra ao som pop africano de Salif Keita e Papa Wemba. Sem falar que o próprio ritmo do filme é totalmente musical.

Banhado por uma atmosfera romântica, não por acaso O assédio foi filmado no coração da Piazza di Spagna, local escolhido pelo poeta inglês John Keats – que tem as mesmas iniciais do personagem Jason Kinsky – para fixar residência no século XIX. Apenas um detalhe sim, mas que mostra como nos filmes de Bernardo Bertolucci nada é gratuito ou acessório.

LEIA TAMBÉM


Apocalipse now

A idade do ouro

No ritmo
da invenção

De olhos
bem abertos

Amor pela diferença


 
ENQUETE 1

Você é monogâmico?
  Sim
Não
ENQUETE 2

É possível ter prazer
na monogamia?
Sim
Não
Às vezes
FÓRUM 1
O que você acha do comércio de cadáveres feito pelo IML do Paraná?

FÓRUM 2
Em Portugal agora o uso de drogas não é mais crime, é problema de saúde pública. O que você acha disso?
Leia em Artigos On Line
A política do avestruz


EDIÇÕES
ANTERIORES


ESPECIAIS

ASSINATURAS

EXPEDIENTE

PUBLICIDADE

FALE CONOSCO


ASSINE A
NEWSLETTER


 


| ISTOÉ ONLINE | DINHEIRO | ISTOÉ GENTE | PLANETA | ÁGUA NA BOCA | EDIÇÕES ANTERIORES | ESPECIAIS |
| ASSINE A NEWSLETTER | ASSINATURAS | EXPEDIENTE | FALE CONOSCO | PUBLICIDADE |
© Copyright 1996/2000 Editora Três