Aventura
O dono do céu
Atração nos jogos de futebol, dirigível
irá à Sydney e à Copa de 2002
Sara
Duarte
Para
os fãs de filmes de guerra, a palavra zepelim lembra um colosso
de metal recheado de hidrogênio. Já aprendizes de piloto
pensam no clássico dirigível de Santos Dumont, que
circundou a Torre Eiffel em 1901. Mas qualquer torcedor de futebol
tem uma referência bem mais moderna: a de um gigantesco balão
azul e amarelo invadindo o estádio em dia de jogo. Em São
Paulo, onde a fabricante de pneus Goodyear mantém um dirigível
para transmissões esportivas da Rede Globo, não é
díficil encontrar quem perdeu até lance de gol por
ter sua atenção desviada pela engenhoca.
Nos
Estados Unidos e na Europa, há projetos para voltar a utilizar
dirigíveis em transporte de cargas e vôos turísticos
- os primeiros protótipos devem entrar em funcionamento até
2002. Nesse mesmo ano, a Goodyear enche o céu com outro dirigível
para cobrir a Copa do Japão e da Coréia. A empresa
mantém sete deles em países diferentes para cobrir
futebol, beisebol, iatismo e golfe. Já colocou um em Sydney,
na Austrália, para as Olimpíadas. A Rede Record pensa
em comprar um só para ela.
Símbolo
de um tempo em que tudo parecia ir mais devagar, o dirigível
hoje é instrumento de marketing. Com 39 metros de comprimento,
é um outdoor ambulante e pode ser visto num raio de 15 quilômetros.
É tão silencioso que as pessoas só percebem
sua aproximação quando uma sombra invade o quintal.
Então acenam ou vão buscar a câmera fotográfica.
Quem
entra na cabine não precisa desligar o celular nem ficar
com medo de turbulências. Pode-se voar de janela aberta, sentindo
o vento no rosto. Um rasante pelo bairro do Morumbi revela a intimidade
de mansões com piscinas e quadras de tênis, além
de áreas verdes esquecidas numa São Paulo cheia de
prédios. Lá de cima, pessoas e carros parecem formigas
e o engarrafamento fica distante. Sente-se paz.
Os
dirigíveis atuais são quase iguais aos dos anos 20.
Voam a uma altura de 150 a 300 metros e a no máximo 70 km/h.
Dois pedais e uma simplória roda, presa ao banco do piloto,
servem de comando. O impulso vem de dois motores movidos a gasolina
de avião. "O dirigível é como um paquiderme:
grande, dócil e sensível", diz Wagner Miggiorin,
piloto do dirigível da Goodyear, o único do Brasil.
Também é seguro, pois o balão que sustenta
a cabine é cheio com gás hélio, leve e inerte.
Isso evita tragédias como a do Hindenburg - o Titanic da
aviação, que pegou fogo num pouso em Nova Jersey,
em 1937, por ser movido a hidrogênio, um gás inflamável.
A Globo
utiliza o dirigível gratuitamente em transmissões
esportivas e tomadas de trânsito. Em troca, mostra o logotipo
da Goodyear, o que compensa os gastos de manutenção
(US$ 1 milhão ao ano). Na última Maratona de São
Paulo, no domingo 11, sua imagem foi vista por dez milhões
de pessoas. Na semana anterior, no jogo Corinthians e Palmeiras,
por 40 milhões. O merchandising representou uma economia
de R$ 81 mil, preço de cada inserção de 30
segundos no horário nobre.
RADIOGRAFIA
* Reforço dianteiro para ancoragem
* Balonete (controla a pressão interna)
* Cabine ou gôndola (leva o piloto e o câmera ou até
três passageiros)
* Cortina catenária e cabos de apoio (sustentam a cabine)
* Lemes e profundores
* Motores American Blimp Corporation, modelo A60+
* Válvulas de regulagem de pressão 8 Válvula
de gás hélio
PASSEIO
O piloto checa as condições meteorológicas antes de decolar (acima,
à esq.). Em 20 minutos, avista-se a Marginal Pinheiros. Em seguida
voa até o Estádio do Morumbi, onde é capaz de ficar até 8 horas
parado no ar. No momento do pouso, precisa ser amparado por 12 pessoas
e ancorado ao solo
Colaborou
Chico Silva
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