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Quebra de decoro Senador recomenda cassação de Estevão, que acusa relatório de ser peça da oposiçãos Eduardo
Hollanda
Em um relatório
de 47 páginas, o senador Jefferson Peres (PDT-AM), pediu à
Comissão de Ética do Senado a cassação do
mandato do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) por quebra do decoro
parlamentar. Peres considerou que Luiz Estevão, durante as investigações
da CPI do Judiciário, que apurou o superfaturamento e desvio
de R$ 169 milhões da obra de construção da sede
do TRT de São Paulo, não falou a verdade aos senadores
sobre seu envolvimento com o juiz Nicolau dos Santos Neto e com a Construtora
Incal, responsável pela obra. O julgamento de Luiz Estevão
pelo Conselho de Ética está marcado para o dia 14, quando
se encerra o prazo de defesa dado ao senador para explicar uma nova
acusação, feita pelo procurador-geral da República,
Geraldo Brindeiro, de que Estêvão é o verdadeiro
dono da Incal. Para Estevão,
o relatório de Peres não trouxe nenhum fato novo ao processo.
É todo baseado nas denúncias da CPI, afirmou.
Trata-se, segundo ele, de uma peça de oposição
tão alucinadamente condenatório que extrapola.
Segundo o senador, ele pretende também contestar a legitimidade
dos documentos apresentados por Brindeiro e usar todos os prazos regimentais
possíveis para protelar a votação da Comissão
de Ética. Se ocorrer mesmo no dia 14, o presidente do Senado,
Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que já declarou
publicamente seu voto a favor da cassação, afirmou que
pretende realizar a votação final no plenário da
Casa ainda este mês. ACM, com a cassação pretende
atingir seu arquiinimigo Jáder Barbalho (PMDB-PA), líder
do partido no Senado. Ele afirmou que, se for necessário, adia
a votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias
(LDO) até que a votação aconteça. Pela Constituição,
a votação da LDO não pode ser interrompida por
recesso parlamentar. Deste modo, ACM garantiria uma alta presença
de senadores em Brasília para a sessão que decidirá
o futuro de Luiz Estevão, assegurando assim o quórum necessário.
Para cassar um senador, são necessários 42 votos favoráveis
à punição do total de 81 senadores. A CPI do Judiciário acusa Estevão, de ter recebido, através da sua Construtora OK, US$ 39 milhões da Incal, vencedora da concorrência. Estas transferências de dinheiro foram descobertas com a quebra do sigilo bancário da Incal e de seu dono, Fábio Monteiro de Barros. A quebra do sigilo telefônico de Monteiro de Barros e do juiz Nicolau mostrou também dezenas de ligações entre os dois e Estevão. Todas essas negociações ocorreram antes de o senador ser eleito em 1998. O processo de cassação do mandato se deu porque, durante os vários depoimentos prestados à CPI, ele escondeu o relacionamento entre suas empresas e a Incal. Os documentos descobertos pelo Ministério Público Federal, depois da prisão de Fábio Monteiro de Barros em São Paulo, mostram que Estêvão teria 90% das ações da Incal, o que caracterizaria como fraudulenta a concorrência em que a OK foi derrotada. Monteiro de Barros e José Eduardo Teixeira Ferraz, vice-presidente da Incal, já estão presos. O juiz Nicolau dos Santos Neto está foragido. O procurador-geral da República também pediu ao STF que Estêevão seja processado pelos mesmos crimes a que respondem os três (falsidade ideológica, sonegação fiscal e desvio de dinheiro público), por considerá-lo dono da Incal. Documentos mostram que senador é dono de 90% da Incal |
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