
Pátria amada Escritor quer mudar o hino e deputado tenta mexer na bandeira Valéria Propato
Você
sabe cantar o Hino Nacional do início ao fim? Pois é.
A maioria dos brasileiros enrola. Em partidas de futebol, é comum
ver jogadores fingindo que acompanham o texto. Também não
é raro assistir a políticos escorregando na música
em tom soleníssimo. O presidente Fernando Henrique Cardoso foi
um que tropeçou nas metáforas do hino durante a festa
dos 500 anos do Descobrimento na Bahia. A dificuldade de memorização
é culpa do autor, o poeta Joaquim Osório Duque Estrada,
que encheu o hino de palavras rebuscadas e estrofes extensas. Foi com
esse argumento que o escritor paulista Paulino Rolim de Moura lançou,
há sete anos, uma campanha para mudar o Hino. Ela nunca decolou.
Quando se pensava que o assunto era letra morta, Moura decidiu ressuscitar
o movimento. Enviou uma carta ao ministro da Educação,
Paulo Renato Souza, tentando sensibilizá-lo para a causa. Também
montou um coral que ensaia uma versão mais curta e simples do
Ouviram do Ipiranga, criada pela poetisa Elisa Barreto.
O próximo passo é gravar o novo hino em CD. Na opinião
de Moura, há muitas redundâncias, expressões fora
de uso e maus exemplos no poema de Duque Estrada. Deitado eternamente
em berço esplêndido, a seu ver, é um convite
à vadiagem. O brasileiro é um lutador e a frase
não condiz com sua imagem, indigna-se o escritor, 82 anos.
Ele afirma ainda que uma peça tão importante da arte cívica
não pode ser maculada por cacofonismos do tipo heróico
brado. O maestro José Machado Neto apóia a tese.
Uma versão com menos imperfeições e mais
atual é bem vinda, diz. Machado ensaia a letra de Elisa
Barreto em 25 vozes do Conservatório Artístico Musical
Bela Bartok, em São Paulo.
O movimento
ganhou o reforço da Associação de Imprensa de Brasília.
Um artigo divulgado em seu site na Internet gerou polêmica e recebeu
dezenas de e-mails. O povo não entende o que canta. É
mais fácil mudar o Hino do que instruir a população,
afirma o diretor da Associação, Helio Porto Junior. Já
se tentou mexer no Hino Nacional, oficializado em 1922, várias
vezes. Nenhuma mudança vingou, e o imortal Lêdo Ivo, da
Academia Brasileira de Letras, acha ótimo. Hino é
coisa pétrea, não se mexe nunca. O de Elisa parece propaganda
da Companhia Siderúrgica Nacional, brinca. Para esquentar
ainda mais o debate sobre os símbolos nacionais, tem gente achando
de grande importância mudar também o desenho de nossa bandeira.
O deputado federal Jorge Pinheiro apresentou projeto de emenda constitucional
sugerindo que a estrela representativa do Distrito Federal isolada
na parte de baixo do círculo celeste fulgure sozinha acima
da faixa Ordem e Progresso. Um lugar de destaque é
mais adequado para representar a capital do País, explica
Pinheiro. Só que o posto é ocupado pela estrela do Pará.
O parlamentar já marcou uma reunião com a bancada paraense
e diz ter argumentos poderosos para convencê-la. Colaboraram: Eduardo Hollanda (DF) e Aziz Filho (RJ) |
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