
Lição de cama Homens aprendem com terapeuta a melhorar sua performance e satisfazer as mulheres Valéria Propato
A terapeuta
corporal pernambucana Valéria Walfrido, 39 anos, entra na sala
de aula carregando nos braços Marilyn, uma boneca inflável
de tamanho natural, vestida com um babydoll. Despe lentamente a modelo,
mostrando pontos sensíveis e posições que dão
prazer na cama. Não, não é uma lição
para o sexo feminino. Na platéia, há apenas homens. A
maioria com mais de 35 anos, alguns meio tímidos, mas todos concentrados
e dedicados. Valéria, que ministrava no Recife cursos para ajudar
mulheres a atingir o orgasmo, resolveu invadir o clube do bolinha e
ensinar os segredos do sexo também aos cabra-machos. Contradizendo
a imagem de conservadores, muitos nordestinos aprovaram a idéia.
Em dois anos, pelo menos 300 alunos já tomaram lições
com a professora em palestras promovidas por pequenas empresas, aulas
individuais ou em grupos em que só entram homens. Eles chegam
a seu consultório cheios de dúvidas sobre o sexo oposto.
Quase todos buscam a fórmula mágica para segurar ao máximo
a ereção e, assim, satisfazer a parceira. Novos tempos.
Se no passado os homens se orgulhavam de saber mais sobre o corpo das
mulheres do que elas mesmas, hoje eles começam a aceitar
pelo menos os que procuram Valéria a idéia de que
ninguém melhor do que um professor de saias para revelar tudo
o que elas esperam de uma transa. As mulheres estão muito
exigentes, depositaram nos homens uma responsabilidade enorme. Mas não
verbalizam seus desejos, afirma a terapeuta. Os exercícios
são centrados na respiração, na contração
da musculatura pélvica e na manipulação de pênis
de silicone. Na primeira aula, os alunos são orientados a simular
uma tosse para sentir o movimento dos músculos da pélvis.
Por meio do controle dessa região, a professora garante ser possível
atingir vários orgasmos antes de chegar à ejaculação.
Como homens e mulheres têm tempo de excitação diferente,
Valéria aconselha que eles se dediquem mais às preliminares
e se demorem nos pontos do corpo em que a parceira demonstre sentir
mais prazer. Eles aprendem a soltar o quadril. Homem é
muito duro. Só sabe ir para frente e para trás,
observa Valéria. E também a estimular o clitóris,
com a ajuda de ilustrações e toques leves na borda das
próprias orelhas. Pensei
que soubesse tudo sobre sexo. Hoje consigo ter três orgasmos numa
transa sem ejacular, afirma o empresário F.V., 53 anos.
Divorciado, ele procurou a ajuda de Valéria por não se
conformar com o desempenho-relâmpago que tinha com a namorada
de 24 anos. Agora ela só pensa em mim. F.V. não
tem nada de machista e acredita que as aulas só surtem efeito
porque o mestre usa salto alto. Se transo com mulher, não
faz sentido aprender o que elas querem com um homem. Valéria discorre sem problemas sobre temas que naturalmente provocam constrangimento. E se diz preparada para o caso de algum aluno se animar demais durante as aulas. No primeiro encontro, mostro logo meu bíceps musculoso e digo que luto judô, brinca. |
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