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‘‘Mulas’’ da 3ª idade Uma portuguesa de 75 anos e um uruguaio de 82 são presos em aeroporto transportando drogas Letícia
Helena
A prisão
de dois idosos em quatro meses no Rio levou a Polícia Federal
a intensificar as investigações sobre o uso de vovôs
e vovós como mulas (pessoas que transportam drogas).
No sábado 26, o uruguaio Abel Ayspuro Durán, 82 anos,
foi detido no Aeroporto Internacional Tom Jobim, quando tentava levar
oito quilos de cocaína para Roma. Em fevereiro, a portuguesa
Iselinda Miranda Santa Clara, 75 anos, fora presa no mesmo aeroporto,
sob a acusação de ter 27 quilos de droga na bagagem. Iselinda
ficou dois meses na cadeia, foi julgada e absolvida. Deixou o País
anunciando a intenção de processar o governo brasileiro.
Desde a última segunda-feira 26, no entanto, está novamente
na mira da lei: a Polícia Federal entregou ao Ministério
Público fitas com gravações de telefonemas nos
quais a idosa confessaria ter carregado a cocaína em troca de
dinheiro. Casos como
estes assustam a Federação Nacional dos Aposentados. Após
a prisão de Iselinda, a entidade passou a fazer palestras sobre
os riscos de envolvimento com o crime. O presidente da Associação
dos Aposentados e Pensionistas da Previdência Social, Roberto
Pires, testemunhou uma cena exemplar. Num banco na Tijuca, zona norte,
um idoso, ao ser abordado por um ladrão, indicou outra vítima.
O idoso disse que já era roubado pelo governo e o bandido
respondeu que só assaltava porque precisava sustentar a mãe
aposentada. Com pena, o assaltado apontou outra pessoa para ser roubada
e ficou dando cobertura para o ladrão, conta Pires.
A situação dos estrangeiros detidos no aeroporto é diferente. O advogado de Iselinda, Luiz Carlos Andrade, espera o Ministério Público liberar as fitas para saber como defender sua cliente. Depois de sair da cadeia, absolvida pelo juiz Marcello Granado, da 7ª Vara Federal, ela passou quatro dias num hotel, custodiada pela polícia. Minha cliente ficou muito nervosa com tudo isso. Quem acusa precisa mostrar as provas, afirma Andrade. Já Abel Durán confessou o crime e deverá enfrentar agora outra batalha: arrumar dinheiro para pagar um advogado. No Uruguai, ele trabalhava como catador de papel. |
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