
Discos
Binaural,
com Pearl Jam (Sony Music) Mesmo quando Kurt Cobain e sua banda
Nirvana eram as divas máximas do movimento grunge nascido em
Seattle, o Pearl Jam já se mostrava atento a uma carreira que
não seria meteórica. A prova está neste sexto álbum
de estúdio, elaborado dentro da grife do grupo, ou seja, peso
nos instrumentos sempre bem executados, melodias para deixar todo mundo
acordado e o vocal macho-cavernoso sem tiques histéricos de revolta
de Eddie Vedder. Uma voz que o rock reconhecerá para sempre,
dando-lhe crédito de personalidade e beleza. Binaural só
não tem canções marcantes. Alguma que o fã
não renitente possa lembrar de imediato e associá-la ao
disco em questão. Outra: não se dê ao trabalho de
ouvir os três minutos e um segundo que rolam em silêncio
na última faixa, antes do total término da canção.
É um truque bobo, desgastado e não reserva a mínima
surpresa. Só irrita. (A.R.) Cinema
Fogo
sagrado (em cartaz no Rio de Janeiro e São Paulo)
A vulcânica sensualidade da jovem atriz inglesa Kate Winslet,
apenas insinuada em seu filme anterior, o megassucesso Titanic, poreja
em todas as cenas do novo trabalho de Jane Campion, diretora do premiadíssimo
O piano. Talvez porque, em vez do inócuo Leonardo DiCaprio, ela
contracene com um ator de verdade, o americano Harvey Keitel. Ambos
formam um casal improvável numa história estranha. Kate
é Ruth, uma jovem australiana que depois de uma viagem à
Índia retorna cheia de convicções religiosas. Keitel
faz PJ Waters, um conselheiro espiritual convocado para curá-la.
O duelo entre eles resulta tórrido e, em vez de orações,
o que prevalece é o sexo, com direito à magnífica
nudez de Kate, perfeita em seus quilinhos a mais. (C.F.) * O
dia da caça (cartaz nacional na sexta-feira 9) Interpretações
afetadas, cacoetes imperdoáveis e diálogos de arranhar
o ouvido contribuem para ofuscar o interesse deste thriller de lances
policialescos, dignos da CPI do narcotráfico. Centrado no ex-traficante
Nando (Marcello Antony), que vai à Colômbia fazer um serviço
extra, o filme narra uma história de traição e
vingança envolvendo policiais federais, empresários, políticos,
um homossexual desequilibrado, uma francesa charmosa e um jornalista
ridículo. São personagens de um mundo real, mas que nas
mãos do diretor Alberto Graça ganharam um tom inverossímil.
No final, salvam-se as carregadas cenas filmadas na selva Amazônica,
que garantem o clima de tensão. (I.C.) Teatro
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