
Miséria
tem solução Letícia
Helena
Iinfância,
numa região pobre do Norte da França, foi decisiva na
hora de o economista e urbanista Yves Cabannes, 48 anos, escolher a
vida que queria levar: após fazer doutorado na Sorbonne, com
uma tese sobre desenvolvimento urbano, Cabannes ganhou mundo, numa tentativa
de botar em prática, junto a populações carentes,
o que aprendera na conceituada universidade francesa. Neste périplo,
por 50 países, Cabannes acabou parando no Brasil, onde, durante
dez anos, trabalhou em Organizações Não-Governamentais
que atuam na área de habitação popular e geração
de renda. A experiência de lidar com a pobreza crônica e
a falta de perspectiva do sertão nordestino rendeu o convite
para o cargo de diretor para a América Latina e o Caribe do Programa
de Gerenciamento Urbano (PGU) da Organização das Nações
Unidas (ONU), um projeto de parceria com prefeituras em temas ligados
à miséria, com sede em Quito, no Equador. No Brasil, o
PGU, que também atua na África, na Ásia e no Oriente
Médio, apóia oito iniciativas municipais. No resto da
América Latina e do Caribe outras 28 cidades contam com a colaboração
do programa. O trabalho inclui desde metrópoles como Lima (Peru)
ou Cidade do México, até municípios com menos de
50 mil habitantes, como Independência e Rio Bonito do Iguaçu,
ambos no Brasil. A experiência
em ONGs e na ONU levaram Cabannes a concluir que, mais difícil
do que resolver problemas graves da região é a instabilidade
política. Não existe continuidade nas políticas
públicas. Cada vez que muda um governo, querem mudar tudo o que
o antecessor fez, por melhores que tenham sido os resultados.
O economista também observa que o investimento das ONGs na América
Latina nem sempre significa uma melhoria na qualidade de vida das populações
atendidas. Não adianta gastar milhões de dólares
num projeto se a comunidade não estiver envolvida. Quando a ONG
vai embora, volta tudo à estaca zero. Apesar das dificuldades,
Cabannes encontra motivos para se orgulhar: um dos xodós do PGU,
o projeto do Orçamento Participativo Mirim, da Prefeitura de
Barra Mansa, no Estado do Rio, fez tanto sucesso que já está
sendo exportado para outras cidades da América Latina e do Caribe.
No município do Vale do Paraíba fluminense, as crianças
e jovens participam ativamente da elaboração das propostas
de investimento da cidade. Em Maracaibo, na Venezuela, técnicos
brasileiros e venezuelanos trabalham na adaptação de um
projeto bem-sucedido do Ceará à realidade local. Na semana
passada, em visita ao Brasil para participar de dois seminários,
Cabannes deu a seguinte entrevista a ISTOÉ: ISTOÉ
Diante desse quadro, existe algum país da região
em que as condições de vida, de uma maneira geral, sejam
melhores? ISTOÉ
A região sob sua responsabilidade abrange 16 mil municípios.
O PGU apóia apenas 36 projetos. Não é pouco? ISTOÉ
Quais são os critérios utilizados na escolha dos
projetos? ISTOÉ
Algum dos projetos apoiados por vocês já deu frutos? |
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