
Investimento ilusório
Título
de capitalização é loteria, não é aplicação Quem nunca
recebeu uma proposta de compra de título de capitalização?
Produto muito comum entre os bancos, o papel normalmente é oferecido
como um misto de investimento programado e bilhete de loteria. Você
deposita uma determinada quantia todo mês e concorre a sorteios,
podendo ganhar uma bolada correspondente a várias vezes o valor
pago. Se não for sorteado, resgata o valor ao final do período.
Como loteria, o título de capitalização realmente
funciona, mas pensar nele como investimento é ilusão.
No máximo, o dinheiro volta corrigido, mas sem nenhum juro adicional.
A correção normalmente é feita pela TR (taxa referencial),
o mesmo indexador da poupança, mas o título de capitalização
não ganha o rendimento mensal de 0,5%. O porcentual acaba perdido
para cobrir a taxa de administração. É uma
combinação de investimento com sorte, explica Luiz
Carlos Previlato, gerente de mercado da Caixa Econômica Federal.
Ele defende que o produto não pode ser comparado a outras aplicações,
pois tem características diferentes. É verdade. Mas a
imagem normalmente vendida pelos bancos é de que o título
confere ganhos ao final do período mesmo para quem não
foi sorteado. Isso é mentira. Capitalizar no sentido de adicionar,
como diz o Aurélio, não acontece. Na melhor das hipóteses,
você não perde o que depositou todo mês, mesmo assim,
isso varia de banco para banco. O resgate só é total para
quem cumpriu todo o prazo de capitalização. Quem desistir
no meio do caminho (o resgate é permitido após carência
de um ano) levará apenas uma parte. Neste caso, cada banco aplica
um porcentual de deságio sobre o valor pago.
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