Cinema
Magia gaulesa
Astérix & Obélix contra César seduz pelos efeitos e
por ser fiel ao humor dos quadrinhos
Apoenan
Rodrigues
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Foto:
Divulgação
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Clavier
(ao centro) como o herói nanico e Depardieu na pele
do grandalhão: idiossincrasias
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Fãs
de quadrinhos já devem ter lido um monte de vezes
aquela divertida introdução: Estamos
no ano 50 a.C. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos...
Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis
gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é
nada fácil para as guarnições de legionários
romanos nos campos fortificados de Babaorum, Aquarium, Laudanum
e Petibonum... Pois bem, os divertidíssimos
heróis franceses, criados em 1959 pelo falecido roteirista
René Goscinny e pelo desenhista Albert Uderzo, ambos
belgas, se materializaram nas telas. Não em desenho
animado como nas sete produções que rodaram
o mundo, mas em filme protagonizado por um ótimo
time de atores, a maioria impagável nas suas caracterizações.
Gérard Depardieu, no papel de Obelix, Christian Clavier,
como Asterix, Gottfried John, na pele de César, e
Pierre Palmade interpretando o insuportável trovador
Chatotorix, por exemplo, estão impressionantemente
iguais aos personagens dos quadrinhos. Cada um deles incorporando,
inclusive, as gags, idiossincrasias, defeitos e qualidades.
E é aí que reside o grande trunfo de Astérix
& Obélix contra César (Astérix
et Obélix contre César) em cartaz nacional
, dirigido por Claude Zidi, que no título em
português mantém a grafia francesa.
Desta
vez, o perigo que ronda a aldeia gaulesa, cujos habitantes
vivem às turras e pelo motivo mais banal se estapeiam
com arenques frescos, está na descoberta da fórmula
da poção mágica, criada pelo druida
Panoramix (Claude Piéplu), que dá força
descomunal até ao mais franzino aldeão. Sem
contar Obelix, que quando criança caiu no pote, tornou-se
um fortão invencível, mas é sumariamente
proibido de chegar perto da poção. O plano
do rapto de Panoramix é arquitetado por Detritus,
personagem de Roberto Benigni, mais uma vez confortável
no papel dele mesmo, com a diferença de que agora
é vilão. E haja confusão! Depois de
se divertir com a trama, efeitos especiais e a ironia contida
nos tiques do modo francês de vida, o espectador sai
convencido de que a produção francesa, cheia
de confeitos hollywoodianos, soube gastar US$ 40 milhões.
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