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FINANÇAS PESSOAIS

Investimento ilusório

Ilustração: Fernando Brum



Título de capitalização é loteria, não aplicação

Quem nunca recebeu uma proposta de compra de título de capitalização? Produto muito comum entre os bancos, o papel normalmente é oferecido como um misto de investimento programado e bilhete de loteria. Você deposita uma determinada quantia todo mês e concorre a sorteios, podendo ganhar uma bolada correspondente a várias vezes o valor pago. Se não for sorteado, resgata o valor ao final do período. Como loteria, o título de capitalização realmente funciona, mas pensar nele como investimento é ilusão. No máximo, o dinheiro volta corrigido, mas sem nenhum juro adicional. A correção normalmente é feita pela TR (taxa referencial), o mesmo indexador da poupança, mas o título de capitalização não ganha o rendimento mensal de 0,5%. O porcentual acaba perdido para cobrir a taxa de administração. “É uma combinação de investimento com sorte”, explica Luiz Carlos Previlato, gerente de mercado da Caixa Econômica Federal. Ele defende que o produto não pode ser comparado a outras aplicações, pois tem características diferentes. É verdade. Mas a imagem normalmente vendida pelos bancos é de que o título confere ganhos ao final do período mesmo para quem não foi sorteado. Isso é mentira. Capitalizar no sentido de adicionar, como diz o Aurélio, não acontece. Na melhor das hipóteses, você não perde o que depositou todo mês, mesmo assim, isso varia de banco para banco. O resgate só é total para quem cumpriu todo o prazo de capitalização. Quem desistir no meio do caminho (o resgate é permitido após carência de um ano) levará apenas uma parte. Neste caso, cada banco aplica um porcentual de deságio sobre o valor pago.
Marineide Marques

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Capitalização paga imposto de renda, ao contrário da poupança, que é isenta da mordida do leão.
O pagamento mensal pode ser feito por débito em cota ou boleto bancário.
Cliente inadimplente fica com o título suspenso e não concorre enquanto não colocar o pagamento em dia.
Alguns bancos cancelam o título após três meses de inadimplência, dando ao cliente o direito de resgatar apenas parte do que foi investido.
Quase sempre os sorteios começam antes de toda a série de títulos ser vendida. Se o número premiado ainda estiver em poder do banco, ninguém ganha.
O título é nominal e não precisa estar, necessariamente, no nome do comprador.
Ao adquirir o produto, não é permitido escolher o número.
Mesmo depois de sorteado, o título continua concorrendo. Mas fica a pergunta: quais as chances de um raio cair duas vezes no mesmo lugar?

 




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