Discos
Nós,
com Virgínia Rodrigues (Natasha Records) Uma
jóia rara este segundo disco da cantora baiana Virgínia
Rodrigues, revelada no excelente Sol negro, de 1997. Diferente
do trabalho de estréia, quando gravou alguns clássicos
da MPB, desta vez a baiana se debruçou sobre uma dúzia
de temas dos blocos afros do Carnaval da Bahia, como Olodum,
Ilê Ayê e Timbalada. Com sua voz de meio-soprano
e um sentimento telúrico à flor da pele, Virgínia
conferiu um tom solene e religioso aos cantos, que ganharam
novo andamento e luxuosos arranjos de sopros e cordas. A idéia
ousada foi de Caetano Veloso, diretor artístico do
disco, que buscou revelar a grandiosidade destas composições.
O que ficou claro especialmente nas belas Uma história
de Ifá, Ojú obá e Depois que o Ilê
passar, já gravada pelo baiano. (I.C.)
Ouça sem parar
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Vida
Noturna

Jazzy
(rua Clodomiro Amazonas, 99, Itaim, São Paulo) – Apesar do
nome e da fachada que lembra clubes enfumaçados do passado,
no Jazzy só se ouve música eletrônica. Ela é executada por
conhecidos DJs paulistanos, que animam uma pista pequena e
sem irritantes luzes estroboscópias. Pouca gente, no entanto,
se aventura a dançar no local. É que o bar funciona como uma
espécie de aquecimento para noites mais longas. Este é, aliás,
o grande diferencial do lugar, que possui decoração acolhedora
com destaque para um grande pufe de pele de zebra, onde as
pessoas costumam bebericar drinques sempre bem preparados
enquanto aguardam uma das concorridas mesas. A frequência
é de pessoas que gostam de ver e ser vistas e não se incomodam
com o alto valor da conta. (I.C.)
Vá sem medo
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Teatro

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Foto:
Rafic Farah
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CHRISTIANE:
sexy
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Patty
Diphusa (Teatro Brasileiro de Comédia, São Paulo) – O
texto do cineasta espanhol Pedro Almodóvar, publicado no início
dos anos 80, quando ainda não era famoso, serve como uma luva
para Christiane Tricerri, que o adaptou à imagem e semelhança
de sua persona irreverente, espécie de Cicciolina tropical
dos palcos. Como Patty Diphusa, símbolo sexual mergulhado
em solidão por opção, ela é convidada a escrever suas memórias
no jornal La Luna, o que faz à sua maneira piegas e amoral.
Christiane adora o papel. E a direção de Fernando Guerreiro,
aliada aos cenários de Osvaldo Gabrieli, recria a atmosfera
que Almodóvar consagraria nas telas, combinando cafonice lisérgica
com as presenças de assassinos bissexuais e diretoras de cinema
cocainômanas, entre outras estranhezas. Dirigido a um público
jovem, Christiane domina o espetáculo com agilidade e segurança,
apesar do estado avançado de gravidez. (L.C.)
Não perca
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Cinema
Cronicamente
inviável (em cartaz em São Paulo e Curitiba na sexta-feira
5) – No seu quarto longa-metragem, o paranaense Sérgio Bianchi
resolveu colocar de lado as metáforas e as firulas, oferecendo
um painel repleto de situações cruéis do cotidiano brasileiro,
com suas mulatas calipígias, o famoso jeitinho, a burocracia
e a miséria onipresente. Luís (Cecil Thiré) é um refinado
homossexual, dono de um restaurante cuja gerente Amanda (Dira
Paes) trafica órgãos humanos nas horas vagas. Carlos (Daniel
Dantas), um economista desiludido, e Maria Alice (Betty Gofman),
uma dondoca com mania de assistente social, formam um casal
sofisticado e indefeso. Estes são alguns dos personagens criados
por Bianchi e pelo roteirista Gustavo Steiberg em sua redescoberta
do Brasil. Diversão garantida. Só dói quando a gente ri da
própria desgraça. (L.C.)
Não perca
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