A
metralhadora
Ameaçado
de cassação, o senador Luiz Estevão reclama que está sendo
linchado e conta que já financiou muita campanha eleitoral,
inclusive do PT
Mino
Pedrosa e Ricardo Miranda
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Foto:
Ricardo Stuckert
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INIMIGO
Luiz Estevão:
O PT é um partido que se notabiliza
hoje pela produção
de mentiróides
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Luiz
Estevão, dono do Grupo OK, é acusado de estar
envolvido no desvio de R$ 169 milhões da obra do Fórum
Trabalhista de São Paulo, o elefante branco idealizado
pelo juiz Nicolau dos Santos Neto e erguido pela construtora
Incal, do empresário Fábio Monteiro de Barros
Filho, amigo do senador. De acordo com a CPI do Judiciário,
mais de R$ 40 milhões repassados para a obra podem
ter ido parar nas contas de empresas do político. Estevão,
que diz estar desligado dessas empresas desde 1994, quando
entrou na vida pública, nega todas as acusações
e reduz as investigações contra ele a uma revanche
orquestrada pelo PT, partido que bateu nas últimas
eleições, quando se elegeu senador e ainda ajudou
o governador Joaquim Roriz a vencer seu rival Cristovam Buarque.
Senador mais votado da história de Brasília,
Luiz Estevão (PMDB-DF), eleito com 460 mil votos, está
lutando para não se tornar o primeiro integrante do
Senado a ser cassado. Para garantir sua sobrevivência
política, ele aposta na defesa que apresentou à
Comissão de Ética do Senado, responsável
por julgar seu pedido de cassação. Feroz adversário
dos petistas em Brasília, Estevão disse a ISTOÉ
que ajudou a financiar campanhas eleitorais, incluindo parlamentares
de oposição que hoje o maltratam, como o ex-deputado
Augusto Carvalho (PPS) e o atual deputado Agnelo Queiroz (PCdoB-DF).
Em troca, diz ele, recebia servicinhos.
ISTOÉ
O sr. é acusado de ter participado do desvio
de dinheiro público para a construção
do Fórum Trabalhista de São Paulo. O sr. roubou?
Luiz Estevão Os meus adversários
políticos gostariam que eu tivesse participado do desvio
de dinheiro público do TRT. Montaram essa história
desde o início da CPI do Judiciário. Passaram
nove meses vasculhando conta bancária, registro telefônico,
documentos fiscais, contabilidade, mandaram ofício
para todos os cartórios brasileiros e não acharam
nem o mínimo indício de participação
minha em irregularidades. Por isso eles têm pressa.
É como aquele feirante que precisa vender seu peixe
até as duas horas da tarde porque depois ele apodrece.
ISTOÉ
Quem são eles?
Estevão O PT, que desde o início
quer me envolver na CPI do Judiciário. Primeiro o partido
protocolou no Senado uma denúncia de que eu estaria
envolvido em irregularidades na construção do
prédio do Tribunal de Justiça de Brasília
e do Fórum de Samambaia. Nunca fui o construtor de
nenhuma das duas obras. Depois distribuíram um jornal
me acusando de ser o dono da Encol, quando todo mundo sabe
que nunca tive uma única ação dessa construtora.
A partir do momento em que veio à tona a questão
do TRT de São Paulo e eram públicas e notórias
as ligações empresariais do Grupo OK com o Grupo
Monteiro de Barros em outros empreendimentos, eles juntaram
duas meias-verdades para construir uma mentira. Primeira:
o Grupo Monteiro de Barros construiu a obra do TRT de São
Paulo, onde há irregularidades. Verdade. Segunda: o
Grupo Monteiro de Barros esteve associado ao Grupo OK em diversos
empreendimentos que não aquele. Verdade. A mentira:
tentaram passar para a opinião pública que,
se o Grupo Monteiro de Barros construiu aquela obra e se eles
já estiveram associados a nós em outras obras,
nós estaríamos associados ao Grupo Monteiro
de Barros na obra do TRT. Mentira.
ISTOÉ
Mas não foi apenas o PT que o acusou. A
CPI do Judiciário também o cita no relatório
final.
Estevão Eu vejo uma verdadeira manobra
política feita pelo PT. Os próprios partidos
que assinam a petição junto com o PT tentaram
descaracterizar o ato político buscando entidades que
subscrevessem a acusação contra mim, mas nenhuma
entidade isenta e representativa da sociedade brasileira,
como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), topou assinar
essa representação. Porque não viram
o menor fundamento. Por outro lado, a opinião pública
foi massacrada pela mídia por uma avalanche de informações.
A mídia não é juiz, não faz justiça.
A mídia publica notícia. E durante todo o processo
da CPI a notícia é a acusação.
E todos deram ressonância às acusações
contra mim. Agora chegou o momento da defesa. A mídia
refletiu, durante todo o processo da CPI, com muita precipitação,
as questões levantadas por meus adversários.
Suposição virou indício e indício
virou fato. Se o juiz fez algumas ligações para
nós, fez duas ou três vezes mais para outros
políticos aqui dentro do Congresso. A mídia
me culpou porque eu continuava fazendo negócios com
o Grupo Monteiro de Barros, mesmo com a obra maior que eles
faziam em São Paulo, a do TRT, sendo questionada pelo
TCU desde 1995. Mas, se foram gastos R$ 220 milhões
naquela obra, quem botou esse dinheiro lá não
foi o então deputado distrital Luiz Estevão.
Foi o Poder Executivo, o TST, a Comissão de Orçamento
do Congresso e o TCU. Essa obra tinha quase unanimidade no
Congresso. As emendas que colocavam dinheiro nela vinham,
inclusive, de gente do PPB e do PT. Gente como José
Genoíno (PT), Marta Suplicy (PT), José Dirceu
(PT)... É tudo espírito público e amor
à boa aplicação do dinheiro do povo.
ISTOÉ
O sr. é um bode expiatório?
Estevão Não tenho nenhuma
dúvida. Por razões que não consigo compreender,
os verdadeiros responsáveis por essa malversação
de recursos públicos na obra do TRT de São Paulo
não são procurados nem questionados.
ISTOÉ O sr. responde na Comissão
de Ética a três denúncias. A primeira:
coação de funcionário público.
Isso aconteceu?
Estevão Jamais. Essa é mais
uma fantasia. Inventaram uma história mentirosa de
que eu teria invadido uma reunião do presidente da
CPI com os assessores para intimidá-los e ameaçá-los.
O PT é um partido que se notabiliza hoje pela produção
de mentiróides. Durante a campanha, pegaram um episódio
extremamente dramático da minha vida, que foi o sequestro
da minha filha, e distribuíram mais de um milhão
de panfletos na cidade me acusando de ser o organizador e
o mandante do sequestro da minha filha. A mentira não
colou.
ISTOÉ
A segunda acusação: de que o sr. teria
confessado em seu depoimento no Senado sonegação
fiscal na transferência da Fazenda Santa Terezinha.
Estevão Fui a alguns dos maiores
tributaristas brasileiros para que eles opinassem se há
sonegação fiscal. E os pareceres que tenho descartam
essa sonegação. A terceira acusação
que fazem contra mim é que eu teria mentido à
CPI. Chegaram à indecência de dizer que eu neguei
ser amigo do sr. Fábio Monteiro de Barros e que afirmei
ser amigo do juiz Nicolau (dos Santos Neto). Eu nunca neguei
ser amigo do sr. Fábio Monteiro de Barros e nunca disse
que era amigo do juiz. Mas autoridades na área federal,
no Senado e na Câmara receberam mais de 150 telefonemas
do juiz e ninguém está falando em quebra de
decoro deles.
ISTOÉ
O sr. pode dar nomes?
Estevão Saiu na imprensa. Senadores,
deputados, ministros do Tribunal Superior do Trabalho, ministros...
ISTOÉ
Qual é sua real ligação com suas
empresas?
Estevão Minha vida empresarial terminou
no dia em que me elegi deputado distrital, iniciando minha
carreira política. Deixei a gestão administrativa
das minhas empresas, me afastei estatutariamente daquelas
que a lei determina, e desde então estou afastado do
dia-a-dia e do gerenciamento das empresas. Apenas tenho presença
em conselhos administrativos, o que me faz um personagem consultivo.
Eu deixei claro no meu depoimento que, embora afastado do
comando da empresa, continuo assinando documentos. Me afastei
como diretor, e não como sócio. É uma
empresa familiar e tenho o direito de assinar. Nunca escondi
que assino documentos. A única vez em que fui convocado
pela CPI, compareci e expus todos os nossos negócios
com o Grupo Monteiro de Barros. Tivemos negócios de
diversas naturezas, dentre eles empréstimos do Banco
OK ao Grupo Monteiro de Barros.
continua
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