Saúde
Suave
caminhar
Brasileiros
cuidam mal dos pés, apesar de contarem com tratamentos
eficazes
Lia
Bock e Mônica Tarantino
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Foto:
Alex Soletto
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Os
pés dos brasileiros têm menos conforto e mais
problemas do que se poderia imaginar. Uma pesquisa feita pela
Sociedade Brasileira de Dermatologia, com apoio da Janssen-Cilag
Farmacêutica, com 33,5 mil pessoas de várias
idades no País revelou que 65,4% dos entrevistados
tinham algum tipo de doença nos pés. Os grandes
vilões são as infecções fúngicas
(as populares micoses), seguidas pelas alergias, calos, joanetes
e unhas encravadas. Felizmente, a maioria dos problemas tem
tratamento e cura.
Já
existem, por exemplo, potentes medicamentos antifúngicos
locais ou tomados por via oral para vencer os fungos dermatófitos,
causadores das micoses. Os fungos adoram ambientes quentes
e úmidos, como as pocinhas de água em volta
da piscina ou no vestiário da academia. Eles se instalam
de preferência nas dobrinhas da pele, como os espaços
entre os dedos, quando o sistema de defesa do organismo enfraquece.
Machucados e inflamações na pele ao redor das
unhas, além de doer, facilitam a entrada desses invasores.
Problemas nas unhas, aliás, representam cerca de 20%
das queixas relacionadas aos pés no consultório
da dermatologista paulista Ana Lúcia Récio.
Mas
procurar o médico para cuidar da saúde da dupla
que sustenta o corpo não faz parte da rotina. A
pesquisa mostrou que as pessoas se envergonham de ir ao médico
por causa de uma coceirinha nos pés, conta Sérgio
Bartczak, diretor-médico da Janssen Cilag. É
um erro porque, sem tratamento, problemas como calos e micoses
podem se agravar e causar muito desconforto. No entanto, muita
gente se habitua a chateações como sofrer com
o mau cheiro dos pés (bromidrose) sem pensar que uma
consulta com o dermatologista pode eliminar o problema. Provocado
pela decomposição do suor pelas bactérias,
o odor ruim dos pés pode ser vencido com medidas para
redobrar a higiene local. A sugestão é lavar
e secar os pés diversas vezes ao dia, usar sabonetes
e talco bactericida (para meias e sapatos), mudar diariamente
as meias (de algodão, porque absorvem melhor o suor)
e os sapatos. Funciona, mas precisa fazer sempre,
ressalta o dermatologista Arone Pesce.
Às
vezes, a solução para problemas antigos, como
a unha encravada, está nos podólogos
profissionais que ensinam a cortar corretamente as unhas,
usam técnicas para desencravá-las e acertar
a curvatura, além de tirar calos. Foi com esses profissionais
que o ginecologista Henrique Oti Shinomata, de São
Paulo, resolveu um problema de unha encravada que aturou durante
anos. Devia ter procurado ajuda antes. Hoje não
vivo sem cuidar dos pés, diz.
O
podólogo que tratou de Shinomata, José Domingues,
da Podoclin, acredita que o bom profissional precisa saber
a hora de encaminhar o cliente para o médico. Ele sabe
o que faz. Se os calos voltarem mais de uma vez, podem
estar associados a problemas mecânicos nos pés,
explica o ortopedista Antônio Carvalho Júnior,
chefe do Grupo de Pés do Hospital das Clínicas
de São Paulo.
O
cuidado com os pés deve começar na infância.
Quanto antes as pessoas procurarem ajuda, melhor,
diz a dermatologista Ana Lúcia. Como não é
o que acontece, os adultos pagam um preço alto por
não corrigir deformidades e atitudes posturais que
podem levar ao desenvolvimento de joanetes, por exemplo. Nesse
caso, procurar o dermatologista quando os sintomas aparecem
principalmente dor é a melhor atitude,
porque assim o especialista pode lançar mão
de vários recursos, como medicamentos e até
palmilhas para retificar o apoio dos pés, evitando
as cirurgias, reservadas para casos mais graves. Os médicos
indicam também cuidados básicos, como enxugar
bem os vãos entre os dedos. Não se deve
ter pressa ou preguiça de cuidar dos pés. Eles
devolvem a atenção na forma de conforto,
garante o dermatologista Arone Pesce.
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