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Pitta contra-ataca

Prefeito de São Paulo se diz vítima de complô tucano, não perdoa ACM, critica Maluf e admite gastar mais do que ganha

Florência Costa, Mário Simas Filho

Foto: João Primo

RESPOSTA Pitta: "Antonio Carlos Magalhães não é uma pessoa serena e equilibrada

Dono do terceiro maior orçamento do País, prefeito da maior cidade da América do Sul e a nove meses de terminar seu mandato, Celso Pitta (PTN) é um homem acuado, cercado de denúncias de corrupção lançadas pela ex-mulher, Nicéa Pitta. “Veja minha situação. O que posso fazer tendo um padrinho como Maluf, um vice como Régis e uma mulher como Nicéa?”, desabafou o prefeito a ISTOÉ, na manhã da quarta-feira 15, em seu gabinete. Pitta nega as acusações de corrupção, trata a ex-mulher como “dona Nicéa”, afirma que é vítima de uma conspiração tucana – com a participação do governador Mário Covas e do presidente Fernando Henrique Cardoso –, mas admite que gasta muito mais do que ganha. “Nicéa está sendo ingrata. Ela sabe que temos amigos que nos ajudam e agora os ataca sem o menor fundamento”, lamenta. Apesar de dizer que a ex-mulher está agindo movida por emoção, o prefeito assegura que não irá levar a briga conjugal para os jornais. “Acho que roupa suja se lava em casa”, disse. A seguir, a entrevista concedida por Pitta:

ISTOÉA que o sr. atribui esse comportamento de dona Nicéa?
Celso Pitta – É um conjunto de ingredientes. Juntaram-se os desejos de vingança de uma emissora com os desejos de vingança de dona Nicéa, uma mulher sob pressão emocional com um processo de separação litigiosa irreversível, e interesses políticos que transcendem a política local.

ISTOÉ – Que interesses são esses?
Pitta – Desde o momento que a própria Globo admite colocar o nome do senador Antônio Carlos Magalhães nesse assunto, ela projetou esse tema da esfera local para a nacional. O que faz supor que há o envolvimento do governador Covas e do presidente Fernando Henrique nesse episódio, que poderia servir para também atingir e enfraquecer a figura política de ACM. Uma avaliação correta de bastidores pode revelar o sentido exato disso.

ISTOÉ – Quais são esses bastidores?
Pitta – Tenho informações de que marketeiros ligados ao Palácio dos Bandeirantes (sede do governo paulista) participaram da edição da entrevista de dona Nicéa. Também sei que o presidente Fernando Henrique e membros do Ministério Público sabiam do conteúdo das denúncias muito antes de a gravação ser exibida.

ISTOÉ – Apesar dessas questões, dona Nicéa faz acusações concretas, como a de que seu filho, Victor, teria recebido US$ 5 mil do pianista João Carlos Martins.
Pitta – Meu filho estava em Londres e precisou de dinheiro. Me telefonou e eu disse que não tinha como socorrê-lo lá, mas que iria ver, através de pessoas que moravam fora do País, uma maneira de dar a ele o dinheiro que precisava para continuar a viagem. Falei com João Carlos, com quem tenho contato desde a época do Paulo Maluf, e dei-lhe o telefone do hotel onde estava o Victor. O João Carlos ligou para meu filho e remeteu o dinheiro. Estou contando tudo isso para desdizer o que dona Nicéa disse, que o Victor foi surpreendido ao receber o dinheiro do João Carlos. Isso não é verdade. O João Carlos falou com ele algumas vezes antes de processar a entrega do dinheiro.

ISTOÉ – O sr. tem uma conta conjunta com João Carlos?
Pitta – Isso é uma maledicência. Um absurdo de toda ordem. Ele nada mais fez do que socorrer o filho de um amigo, a pedido desse amigo. A dona Nicéa, fragilizada emocionalmente, não se preocupou em atingir amigos e pessoas que nos socorreram e nos ajudaram.
ISTOÉ – O aluguel de sua filha, Roberta, em Nova York custa cerca de R$ 5 mil. Quem paga?
Pitta – É a tia dela, irmã de dona Nicéa.

ISTOÉ – Qual o salário do prefeito de São Paulo?
Pitta – Meu salário é de R$ 6 mil.

ISTOÉ – Como é que, ganhando R$ 6 mil, o sr. manda US$ 5 mil, quase o dobro do seu salário, para socorrer seu filho? O sr. gasta mais do que recebe?
Pitta – Sim, gasto mais do que recebo e a dona Nicéa sabe bem disso. Dona Nicéa não deveria se surpreender, ela sabe exatamente o que ganho e quanto nós gastávamos em casa. Se os gastos eram superiores, teríamos que ter outra fonte de renda, muito clara, para justificar os gastos.

ISTOÉ – Ela gasta muito em casa?
Pitta – Essa é uma seara muito íntima do casal. Preferia não abordar. É importante ressaltar a ingratidão dela. Nosso filho no Exterior, de uma hora para outra se vê em problema, pede socorro, encontramos um amigo que o socorre e ela agora o ataca.

ISTOÉ – Ela diz que o sr. está milionário. O sr. tem conta no Exterior?
Pitta – É evidente que não. Isso é absurdo. Ela disse essa frase 24 horas após uma outra em que afirmava que éramos pobres. Tenho amigos que ajudam sempre que preciso e pago a eles como posso.

ISTOÉ – E o sr. já pagou o João Carlos Martins?
Pitta – (sorrindo) O João Carlos disse que me dá crédito e eu vou pagá-lo aos poucos. Assim como o empréstimo do Jorge Yunes (R$ 600 mil ) foi feito e ele já declarou que se precisar emprestar mais me empresta.

ISTOÉ – O sr. acha normal que o prefeito da maior cidade do País gaste mais do que ganha e recorra a amigos?
Pitta – Sim. Eu sou pessoa honesta e não teria outra fonte de recurso a não ser pedir empréstimos para amigos. Não sei como arcaria com despesas além do salário que recebo se não fossem os empréstimos dos amigos.

ISTOÉ – Mas o sr. terá de devolver. Como é que fica?
Pitta – Aí é uma questão de crédito. Se essas pessoas fizeram os empréstimos é porque sabem que quando deixar a prefeitura terei condições e patrimônio para repor.

ISTOÉ – O senador Antônio Carlos Magalhães referiu-se a sua família como um prostíbulo. Como o sr. reage a isso?
Pitta – Uma das primas enviou um e-mail a ele narrando a história da família, que é de muita riqueza e muita honra. Não somos pés-rapados. O primeiro livro sobre a história do Brasil foi escrito por Sebastião da Rocha Pitta. São inúmeras as pessoas que ao longo deste século a família teve a honra de registrar. Esse e-mail mostra o terrível equívoco da declaração do senador, que indignou a todos.

ISTOÉ – Mas o sr. não vai reagir?
Pitta – Se partisse de uma pessoa serena e equilibrada seria um choque muito maior. Mas partindo de uma pessoa que é conhecida por seus rompantes a gente tem que admitir que essas afirmações são produto de um destempero
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