Nº 1585 - 16/02/2000
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Economia & Negócios
DANIEL GUIMARÃES
FOLHA IMAGEM

PANE Apesar dos problemas no UOL, Ribeiro, da NetGratuita, nega uso da mesma estrutura

INTERNET
Clientela virtual

Provedores gratuitos comemoram número de assinantes, mas concorrência questiona dados

O primeiro balanço é de cair o queixo. Em apenas 15 dias de atividade, os dois maiores provedores gratuitos de acesso à Internet do País - NetGratuita e iG - afirmam ter registrado, juntos, mais de 1,25 milhão de assinaturas. Um colosso que deixou muita gente em dúvida sobre a exatidão das informações. Isso porque somente na Grande São Paulo o número de pessoas que utilizam a rede mundial de computadores é de 1,5 milhão, conforme levantamento do Ibope de dezembro de 1999. O desempenho oficial da Net-Gratuita - empresa do grupo UOL - é de 830 mil registros, incluindo aí as inscrições realizadas antes no site de e-mail gratuito BOL. O que para o iG é inadmissível. "Eles juntaram laranja com banana. Duvido que tenham conseguido mais de 80 mil assinantes para o acesso à Web", critica Fabian De La Rúa, diretor do iG. Ele, por sua vez, afirma ter 420 mil clientes, o que significaria um registro a cada quatro segundos.

Os concorrentes pagos questionam toda essa numerália e colocam em dúvida se seria possível montar tão rápido uma infra-estrutura de telefonia para suprir tamanha demanda. Há quem diga que a NetGratuita estaria usando equipamentos do UOL - Universo Online, provedor pago do mesmo grupo. "Temos estruturas completamente independentes", rebate Victor Ribeiro, diretor-geral da Net-Gratuita. Coincidência ou não, UOL, BOL e NetGratuita apresentaram problemas de lentidão na semana passada. O UOL chegou a colocar até um aviso sobre os problemas que enfrentava na quarta-feira 9. A NetGratuita não revela quantas linhas telefônicas dispõe e nem se segue a recomendação da Abranet, associação dos provedores que estabelece como padrão de qualidade uma linha para cada dez assinantes. "Padrão cada um tem o seu", argumenta. O iG garante ter 48 mil linhas e promete chegar a 100 mil em março.

Envie esta página para um amigoO sucesso instantâneo não assegura uma curva de crescimento desses provedores gratuitos daqui para a frente. Primeiro porque o número de empresas não pára de crescer. Além dos já conhecidos Bradesco, Unibanco, Terra Livre, BRFree e Super 11, entre outros, há quem esteja preparado para entrar em ação nos próximos dias, como o Tutopia. Além disso, todos os provedores, gratuitos ou pagos, esbarram num problema: o número de internautas brasileiros. Estima-se que hoje sejam oito milhões. É um universo pequeno e para ser ampliado depende principalmente da redução dos preços dos computadores e das tarifas telefônicas. O acesso gratuito sem dúvida beneficia consumidores e pode ser uma fonte de renda para os provedores, através de anúncios e taxas sobre as vendas de comércio eletrônico. É por isso que a NetGratuita estuda inclusive outras iniciativas para tornar o acesso menos oneroso. Pelo visto, a guerra está só no começo.

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