DANIEL
GUIMARÃES
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Apesar dos problemas no UOL, Ribeiro, da NetGratuita, nega uso
da mesma estrutura |
INTERNET
Clientela
virtual
Provedores gratuitos comemoram número de assinantes, mas
concorrência questiona dados
O primeiro balanço é de cair o queixo. Em apenas
15 dias de atividade, os dois maiores provedores gratuitos de acesso
à Internet do País - NetGratuita e iG - afirmam ter
registrado, juntos, mais de 1,25 milhão de assinaturas. Um
colosso que deixou muita gente em dúvida sobre a exatidão
das informações. Isso porque somente na Grande São
Paulo o número de pessoas que utilizam a rede mundial de
computadores é de 1,5 milhão, conforme levantamento
do Ibope de dezembro de 1999. O desempenho oficial da Net-Gratuita
- empresa do grupo UOL - é de 830 mil registros, incluindo
aí as inscrições realizadas antes no site de
e-mail gratuito BOL. O que para o iG é inadmissível.
"Eles juntaram laranja com banana. Duvido que tenham conseguido
mais de 80 mil assinantes para o acesso à Web", critica
Fabian De La Rúa, diretor do iG. Ele, por sua vez, afirma
ter 420 mil clientes, o que significaria um registro a cada quatro
segundos.
Os concorrentes pagos questionam toda essa numerália e colocam
em dúvida se seria possível montar tão rápido
uma infra-estrutura de telefonia para suprir tamanha demanda. Há
quem diga que a NetGratuita estaria usando equipamentos do UOL -
Universo Online, provedor pago do mesmo grupo. "Temos estruturas
completamente independentes", rebate Victor Ribeiro, diretor-geral
da Net-Gratuita. Coincidência ou não, UOL, BOL e NetGratuita
apresentaram problemas de lentidão na semana passada. O UOL
chegou a colocar até um aviso sobre os problemas que enfrentava
na quarta-feira 9. A NetGratuita não revela quantas linhas
telefônicas dispõe e nem se segue a recomendação
da Abranet, associação dos provedores que estabelece
como padrão de qualidade uma linha para cada dez assinantes.
"Padrão cada um tem o seu", argumenta. O iG garante
ter 48 mil linhas e promete chegar a 100 mil em março.
O sucesso instantâneo não assegura uma
curva de crescimento desses provedores gratuitos daqui para a frente.
Primeiro porque o número de empresas não pára
de crescer. Além dos já conhecidos Bradesco, Unibanco,
Terra Livre, BRFree e Super 11, entre outros, há quem esteja
preparado para entrar em ação nos próximos
dias, como o Tutopia. Além disso, todos os provedores, gratuitos
ou pagos, esbarram num problema: o número de internautas
brasileiros. Estima-se que hoje sejam oito milhões. É
um universo pequeno e para ser ampliado depende principalmente da
redução dos preços dos computadores e das tarifas
telefônicas. O acesso gratuito sem dúvida beneficia
consumidores e pode ser uma fonte de renda para os provedores, através
de anúncios e taxas sobre as vendas de comércio eletrônico.
É por isso que a NetGratuita estuda inclusive outras iniciativas
para tornar o acesso menos oneroso. Pelo visto, a guerra está
só no começo.
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