MANIA
| MAX
G. PINTO |

"Existem
muitas regras para as lutas valerem. Uma delas é nunca
usar o monstro da água contra o de fogo" - Luan Pedrozo,
dez anos |
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Afinal,
qual é a desse bicho?
Aprenda de uma vez por todas tudo sobre os estranhos
Pokémons para, finalmente, poder conversar numa boa com seus filhos
Angela
Oliveira
Os nomes não poderiam ser mais bobos: Zubat, Gloom, Caterpie, Psyduck,
Mankey, Ash e Pikachu. O quê? Você já ouviu falar em Ash e Pikachu?
Então, pode continuar a ler essa matéria. Com certeza já identificou
o assunto que será tratado aqui. Afinal, o seu bolso já conhece
os Pokémons. Apenas o brinquedo chamado Game Boy com os cartuchos
de jogos dos monstrinhos, por exemplo, é capaz de diminuir a sua
conta bancária em mais de R$ 700. No último Natal e recomeço das
aulas, centenas de pais foram capturados por mochilas Pikachu --
um ratinho elétrico com o rabo em forma de raio e poderes eletrizantes
--, álbuns de figurinhas da turma, chaveiros, canetas, cadernos,
cards, bonés do garoto Ash. Enfim, todas as bugigangas possíveis
e inimagináveis dos personagens da hora. O angustiante, talvez,
não seja tanto o arrombamento de sua poupança, mas a impossibilidade
de um diálogo compreensível com o seu filho ou filha. Afinal, o
que é Pokémon? E qual a graça daquele desenho que está todos os
dias na tevê (Record e CartoonNet-work)? E o filme, então? É uma
continuação do jogo?
Vamos por partes. Em primeiro lugar, saiba que Pokémon nada mais
é do que a tradução de monstrinhos de bolso (ou algo parecido).
Toda a história (se é que existe alguma) gira em torno dos 150 seres
pequenos e estranhos que vivem para lutar entre si. O personagem
principal é o garoto Ash, que tem como objetivo colecionar Pokémons.
Difícil entender? Nem tanto. Se nos remetermos à história dos Pokémons
vai dar para perceber por que colecionar é a meta de Ash. Os personagens
foram criados por um jovem japonês chamado Satoshi Tajiri que passou
a infância catando e colecio-nando insetos e girinos. Tajiri é o
que os japoneses chamam de otaku: pes-soas alucinadas por games,
que preferem o universo virtual ao real e amam colecionar qualquer
coisa. Logo, Ash é a imagem e semelhança de seu criador. Ele tem
uma missão: capturar essas cria-turas e treiná-las para grandes
batalhas. Quanto mais bichinhos capturados, mais forte Ash ficará
como treinador de Pokémons e ganhará insígnias de todos os tipos
e graus. São eles que identificarão o seu poder. Para tanto, vive
inúmeras lutas, aventuras e desafios.
Junto com Pikachu, seu Pokémon de estimação e mais outros amigos,
o garoto enfrenta gangues de treinadores e clones de Pokémons que
se acreditam maléficos - mas não são. No fundo, todos são do bem
e têm sentimentos humanos, como o medo e a raiva. O garoto fluminense
Luan Pedrozo, dez anos, um pokémon-maníaco, sabe de cor o nome dos
150 personagens e, ninguém duvide, vai soletrar os 111 que ainda
faltam ser lançados. "Cada Pokémon tem um poder diferente do outro
e existem muitas regras para as lutas valerem. Uma delas é nunca
usar um monstrinho de água contra outro com poderes de fogo", conta
o menino. "A água não apaga o fogo? Então o Pokémon da água é mais
forte que o do fogo e aí a batalha se torna uma covardia!"
Satoshi Tajiri levou seis anos para convencer a Nintendo que o
Game Boy não estava ultrapassado. A empresa resolveu apos-tar, relançou
o joguinho com os Pokémons e foi o maior sucesso. Depois virou cartoon
e todas as quinquilharias que os talões de cheques reconhecem de
longe. É... tão cedo o negócio não vai parar por aí.
Mas Luan, o sabe-tudo, não perde nenhum lançamento de Pokémon.
Mal o primeiro (e ainda único) filme entrou em cartaz, ele se empoleirou
na primeira fila do cinema. E, como a maioria das crianças, Luan
adorou o longa-metragem. E se emocionou também. Prepare seu fôlego
para a explicação: "Algumas partes me deixaram triste", conta o
rapazinho. "É quando Ash quase se sacrifica para poder salvar todos
os Pokémons capturados por Mewtwo que quer dominar o mundo. Mas
Mewtwo não é do mal. Ele foi criado por DNA, numa experiência em
laboratório. É um clone do Mew e, por isso, ganhou o nome de Mew-two,
um Pokémon evoluído."
Deu para entender? Para Luan e todos os outros fãs
do Pokémon, não existe nenhum mistério. Para eles, os clones de
laboratórios já deram certo, DNA é uma sigla comum e falar sobre
seres evoluídos é tão natural quanto o Manda-chuva brigar com o
Guarda Belo. Não existe um personagem totalmente do mal e ninguém
morre nas histórias. Luan só não entende uma coisa: como o desenhista
conseguiu imaginar tantos seres interessantes e histórias malucas
no nosso planeta: "Ele poderia ter inventado uma outra galáxia,
não é? Mas tudo acontece aqui na Terra mesmo, o que é bem legal."
Seriam os Pokémons uns duendes high-tech? Ou tudo é muito mais simples
como o mundo das crianças e complicado como o universo dos adultos?
O lance é ter paciência, tentar ver um capítulo do desenho animado,
ouvir atentamente cada explicação do pimpolho e estar com a imaginação
aberta. Se, depois de tudo isso, você ainda continuar boiando no
assunto, relaxe e acredite: o desenho é genial.
Links relacionados:
www.pokemothemovie.com
www.pokemon.com
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