Nº 1585 - 16/02/2000
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MANIA
MAX G. PINTO

"Existem muitas regras para as lutas valerem. Uma delas é nunca usar o monstro da água contra o de fogo" - Luan Pedrozo, dez anos
Afinal, qual é a desse bicho?

Aprenda de uma vez por todas tudo sobre os estranhos Pokémons para, finalmente, poder conversar numa boa com seus filhos

Angela Oliveira

Os nomes não poderiam ser mais bobos: Zubat, Gloom, Caterpie, Psyduck, Mankey, Ash e Pikachu. O quê? Você já ouviu falar em Ash e Pikachu? Então, pode continuar a ler essa matéria. Com certeza já identificou o assunto que será tratado aqui. Afinal, o seu bolso já conhece os Pokémons. Apenas o brinquedo chamado Game Boy com os cartuchos de jogos dos monstrinhos, por exemplo, é capaz de diminuir a sua conta bancária em mais de R$ 700. No último Natal e recomeço das aulas, centenas de pais foram capturados por mochilas Pikachu -- um ratinho elétrico com o rabo em forma de raio e poderes eletrizantes --, álbuns de figurinhas da turma, chaveiros, canetas, cadernos, cards, bonés do garoto Ash. Enfim, todas as bugigangas possíveis e inimagináveis dos personagens da hora. O angustiante, talvez, não seja tanto o arrombamento de sua poupança, mas a impossibilidade de um diálogo compreensível com o seu filho ou filha. Afinal, o que é Pokémon? E qual a graça daquele desenho que está todos os dias na tevê (Record e CartoonNet-work)? E o filme, então? É uma continuação do jogo?

Vamos por partes. Em primeiro lugar, saiba que Pokémon nada mais é do que a tradução de monstrinhos de bolso (ou algo parecido). Toda a história (se é que existe alguma) gira em torno dos 150 seres pequenos e estranhos que vivem para lutar entre si. O personagem principal é o garoto Ash, que tem como objetivo colecionar Pokémons. Difícil entender? Nem tanto. Se nos remetermos à história dos Pokémons vai dar para perceber por que colecionar é a meta de Ash. Os personagens foram criados por um jovem japonês chamado Satoshi Tajiri que passou a infância catando e colecio-nando insetos e girinos. Tajiri é o que os japoneses chamam de otaku: pes-soas alucinadas por games, que preferem o universo virtual ao real e amam colecionar qualquer coisa. Logo, Ash é a imagem e semelhança de seu criador. Ele tem uma missão: capturar essas cria-turas e treiná-las para grandes batalhas. Quanto mais bichinhos capturados, mais forte Ash ficará como treinador de Pokémons e ganhará insígnias de todos os tipos e graus. São eles que identificarão o seu poder. Para tanto, vive inúmeras lutas, aventuras e desafios.

Junto com Pikachu, seu Pokémon de estimação e mais outros amigos, o garoto enfrenta gangues de treinadores e clones de Pokémons que se acreditam maléficos - mas não são. No fundo, todos são do bem e têm sentimentos humanos, como o medo e a raiva. O garoto fluminense Luan Pedrozo, dez anos, um pokémon-maníaco, sabe de cor o nome dos 150 personagens e, ninguém duvide, vai soletrar os 111 que ainda faltam ser lançados. "Cada Pokémon tem um poder diferente do outro e existem muitas regras para as lutas valerem. Uma delas é nunca usar um monstrinho de água contra outro com poderes de fogo", conta o menino. "A água não apaga o fogo? Então o Pokémon da água é mais forte que o do fogo e aí a batalha se torna uma covardia!"

Satoshi Tajiri levou seis anos para convencer a Nintendo que o Game Boy não estava ultrapassado. A empresa resolveu apos-tar, relançou o joguinho com os Pokémons e foi o maior sucesso. Depois virou cartoon e todas as quinquilharias que os talões de cheques reconhecem de longe. É... tão cedo o negócio não vai parar por aí.

Mas Luan, o sabe-tudo, não perde nenhum lançamento de Pokémon. Mal o primeiro (e ainda único) filme entrou em cartaz, ele se empoleirou na primeira fila do cinema. E, como a maioria das crianças, Luan adorou o longa-metragem. E se emocionou também. Prepare seu fôlego para a explicação: "Algumas partes me deixaram triste", conta o rapazinho. "É quando Ash quase se sacrifica para poder salvar todos os Pokémons capturados por Mewtwo que quer dominar o mundo. Mas Mewtwo não é do mal. Ele foi criado por DNA, numa experiência em laboratório. É um clone do Mew e, por isso, ganhou o nome de Mew-two, um Pokémon evoluído."

Envie esta página para um amigo Deu para entender? Para Luan e todos os outros fãs do Pokémon, não existe nenhum mistério. Para eles, os clones de laboratórios já deram certo, DNA é uma sigla comum e falar sobre seres evoluídos é tão natural quanto o Manda-chuva brigar com o Guarda Belo. Não existe um personagem totalmente do mal e ninguém morre nas histórias. Luan só não entende uma coisa: como o desenhista conseguiu imaginar tantos seres interessantes e histórias malucas no nosso planeta: "Ele poderia ter inventado uma outra galáxia, não é? Mas tudo acontece aqui na Terra mesmo, o que é bem legal." Seriam os Pokémons uns duendes high-tech? Ou tudo é muito mais simples como o mundo das crianças e complicado como o universo dos adultos? O lance é ter paciência, tentar ver um capítulo do desenho animado, ouvir atentamente cada explicação do pimpolho e estar com a imaginação aberta. Se, depois de tudo isso, você ainda continuar boiando no assunto, relaxe e acredite: o desenho é genial.

Links relacionados:
www.pokemothemovie.com
www.pokemon.com

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