Nº 1585 - 16/02/2000
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ESPECIAL
ANDRÉ SARMENTO
Num bairro de classe média de SP, uma faixa alerta os cidadãos
Um cotidiano de guerra

Apavorado com a expansão da violência, o brasileiro evita sair de casa e adota estratégias para sobreviver à criminalidade nas grandes cidades

Bruno Weis

O parque do Ibirapuera é um dos lugares mais tranquilos da cidade de São Paulo. Ou melhor, era. Na manhã da quarta-feira 9, o desembargador de Justiça Hamilton Elliot Akel, 54 anos, e a esposa, Maria Emygdia Silveira, 47, foram roubados enquanto faziam sua caminhada matinal pelo parque. Armado com um revólver calibre 38, um menor de 15 anos abordou o casal, levou seus relógios e fugiu. O crime foi presenciado por uma multidão. Poucas horas depois, um tiroteio entre traficantes interrompeu um jogo de futebol disputado nas quadras poliesportivas do parque e uma pessoa ficou ferida. O bairro do Itaim, próximo ao Ibirapuera, é considerado uma região segura e concentra parte da elite da cidade. Deixou de ser. Na quinta-feira 3, o delegado Luciano Heitor Beiguelman, 31 anos, foi perseguido por três ladrões e assassinado com 11 tiros de metralhadora e pistola 9 mm. Cinco dias depois, o empresário Georges Gazale, 71 anos, ligado a políticos como Paulo Maluf e Fernando Collor, levou três tiros nas pernas em frente a sua empresa, localizada numa movimentada rua do mesmo Itaim.

Hoje ninguém escapa da violência urbana. Ela está se espalhando dos bairros periféricos - onde as chacinas ocorrem todas as madrugadas - para as ruas dos bairros de classe média e classe média alta, considerados há pouco tempo ilhas de segurança no caos das grandes cidades. As fronteiras ainda existem, é claro. As estatísticas mostram que as maiores e mais frequentes vítimas da violência são as pessoas de classes mais baixas. Ricos e pobres, no entanto, nunca estiveram tão unidos. Compartilham o medo de viver nas grandes metrópoles. A insegurança da população chegou a tal ponto que fez com que o governo finalmente se mexesse. Há duas semanas, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, anunciou que está em preparação em Brasília um plano nacional de segurança pública. Não é para menos. Pesquisa divulgada pelo IBGE em 1999 revela que a expectativa de vida da população masculina brasileira caiu dois anos e meio em decorrência da violência.

Enquanto as medidas de Brasília não saem do papel, a população brasileira vive em estado de alerta. Uma ampla pesquisa realizada em dez capitais brasileiras pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério da Justiça revela que o brasileiro deixou de sair de casa à noite com medo da violência. Metade das 1.600 pessoas ouvidas - entre março e abril de 1999 - pelo menos uma vez ao ano não arriscou pisar na calçada. Preferiu ficar trancada. O estudo revela que, em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém, Manaus, Porto Velho e Goiânia, o medo leva muita gente a agir como se estivesse vivendo num campo de batalha. "E isso não é uma guerra?", pergunta a pesquisadora Nancy Cardia, coordenadora do estudo. "Os números de mortos são maiores do que os de muitas guerras. E a nossa não tem data para acabar." Entre mortos e feridos, o brasileiro é hoje um povo que adota estratégias para sobreviver.

Pelas vielas estreitas e tortas de uma favela no Jardim Rosana, extrema zona sul de São Paulo, são poucos os que se arriscam a caminhar depois que o Sol se põe. "À noite é melhor não sair sozinha. Espero meu filho chegar do trabalho no começo da rua para a gente descer a viela juntos", diz Marlene Augusto Rabelo, 40 anos, que mora há 18 na favela. A dona de casa já perdeu a conta de quantas manhãs acordou e viu cadáveres estendidos na soleira da porta. "O que a gente vê e ouve de noite, não comenta de dia. Quem manda aqui são eles." Marlene sabe que para sobreviver numa das regiões mais violentas da cidade é preciso seguir um "código de ética" a fim de não criar problemas com "eles". "Os traficantes não mexem conosco, mas tenho medo de um deles desconhecer a gente."

MAX G. PINTO
Lincoln só sai à noite de bermuda, camiseta e deixa a carteira em casa

Neurose
Do outro lado da cidade, o empresário Raul Gigante, 48 anos, também mede seus passos ao sair de casa. "Tenho a sensação de que há sempre um predador à espreita. Tudo o que faço é uma estratégia para ficar a salvo", diz o empresário. "Vivo em uma neurose constante." Nos últimos 18 meses, Raul blindou duas vezes seus dois carros. "Ficou uma porcaria. Começou a entrar água pelo teto, levei o carro para um exame e descobri que há ocos balísticos nas colunas, onde uma bala pode passar facilmente." Raul faz compras somente em shopping centers, só pára o carro em estacionamento e não baixa o vidro do automóvel nem em postos de gasolina. Em sua casa, instalou sensor infravermelho e cerca com carga de oito mil volts. Contratou uma empresa de segurança para monitorar sua rua durante 24 horas. Gastou no total mais de US$ 80 mil. Ainda intranquilo, mudou-se em setembro com a família para um apartamento.

Brasileiros de realidades opostas - a taxa de homicídio no bairro do Jardim Rosana é de 250 mortes para 100 mil habitantes; no Itaim, é de 50 para os mesmos 100 mil -, Raul e Marlene engrossam a lista das pessoas assustadas com a criminalidade. Segundo a pesquisa da USP, 93% dos entrevistados constatam, preocupados, que a violência está aumentando em sua cidade; 35% tiveram o desprazer de ter assistido a uma agressão física nos últimos 12 meses; 13% testemunharam um assassinato. Por menos que isso, as pessoas se traumatizam. "Acho que vou procurar um psicólogo", diz a engenheira Geany Ferraz do Vale, 26 anos, moradora de Goiânia, onde 58% da população prefere a segurança da sala de estar ao risco do asfalto. Vinda de Itumbiara, interior de -Goiás, para trabalhar, ela estava em Goiânia há apenas um mês quando teve o carro roubado. O furto do veículo, que não tinha seguro, foi o começo de um pesadelo. No carro havia uma ficha de cadastro com seus dados pessoais. "Passaram a ligar fazendo ameaças e dizendo que sabiam como me achar. Denunciei à polícia e, mesmo com o fim dos telefonemas, continuo com medo", lamenta Geany. "Virei uma pessoa medrosa. Só saio de casa para trabalhar."

Pânico
Vale tudo na tática diária para salvar a própria pele. No Rio de Janeiro - onde, segundo o IBGE, são assassinados 215 homens e 13 mulheres em cada 100 mil habitantes, entre 15 e 29 anos -, 45% dos pesquisados deixaram de circular por alguns bairros ou ruas da cidade por temer uma agressão. Integrante da organização não-governamental Rio com Paz, que luta contra a falta de segurança na cidade, a estudante Claudia Ramos, 27 anos, mudou seus hábitos. "Meu prédio foi assaltado, eu já fui assaltada na portaria, assim como minha mãe e irmã", desabafa. "Minha vida noturna acabou. Se ando de ônibus depois das 18 horas, peço que alguém me acompanhe."

A socialite Carmen Mayrink Veiga mora na avenida Ruy Barbosa, zona sul do Rio, e teve o apartamento saqueado em abril do ano passado. Ela toma suas precauções. "Hoje, quem anda tranquilamente pela cidade em um carro conversível? Quem usa relógio de ouro ou jóias nas ruas?". Carmen tem o privilégio de se proteger com recursos indisponíveis à maioria da população. "Fiz blindagem nas portas, tenho grades no meu prédio e não ando por lugares perigosos", diz a socialite, que, ainda assim, acredita que uma tragédia pode ser inevitável. "Sou católica e fatalista. Quando tem que acontecer, acontece."

No Recife, 41% dos habitantes tentam não esbarrar com a violência. Mudam o trajeto da casa para o trabalho ou para a escola. Em São Paulo, 18% dos moradores são adeptos dessa estratégia. Um deles é o comerciante Lincoln Dias Santos, 26 anos, morador do Tatuapé, na zona leste da capital. "Depois das 11 da noite, desvio de um ponto onde ficam prostitutas e traficantes. Mas o problema não é só lá", diz o comerciante, assaltado duas vezes no ano passado. Sempre em frente ao seu prédio. Escolado, Lincoln procede automaticamente. "Ao chegar na minha rua, de noite, vejo o movimento; se a rua está vazia, tudo bem. Senão, dou uma volta no quarteirão e guardo tudo na mochila para sair do carro rapidinho." Ele aprendeu a conviver com a insegurança. "Não uso mais relógio. Se saio a pé à noite, não levo nada - vou de camiseta, bermuda e chinelo. A carteira fica em casa", detalha. A pesquisadora Nancy Cardia afirma que esse paranóico cotidiano é uma barreira ao exercício da cidadania. "Cada vez menos as cidades são das pessoas. E é impossível não ficar frustrado ao se ver impedido de fazer algo por medo da vio-lência", aponta. O psicólogo César Ades, da USP, diz que conviver em eterna vigilância é extremamente desgastante. "O medo excessivo faz com que as pessoas tenham pânico de que a violência surja até onde ela não está. Isso faz com que a qualidade de vida despenque." Mas o medo tem seu lado positivo. "Ele faz com que as pessoas tomem precauções para sobreviver. É uma forma de proteção", contrapõe a antropóloga carioca Alba Zaluar.

A apresentadora Adriane Galisteu, 26 anos, pensa em morar nos Estados Unidos. Ela teve a casa invadida e assaltada por dois homens em outubro do ano passado. Vive com medo. "Um ano antes, fui roubada no trânsito. Apontaram um revólver na minha cara. Era um dia de temporal na cidade, jamais imaginaria que pudesse sofrer aquilo." Adriane era daquelas pessoas que não esperavam sofrer uma violência. "Antes tudo era muito distante, mas hoje todo mundo que conheço tem uma história dessas para contar." A apresentadora classifica o assalto a sua casa como um dos piores pelos quais passou. "É uma sensação de impotência total. Me senti pequena como um grão de areia." Mesmo acompanhada em suas andanças por um segurança particular, contratado depois do assalto no trânsito, e protegida em seu carro blindado, não consegue relaxar. "Não paro para olhar uma árvore, sonhar de olho aberto. Gostaria de ter até um olho na nuca." Mas ela tenta manter uma segurança aparente. "Se der para ser feliz dentro de uma redoma de vidro, ótimo, me adapto. O que não dá é deixar de viver e se divertir. Se eu tiver de sair com um batalhão de seguranças, é uma pena, mas vou sair", garante ela. "Poderia ir para o Rio, mas é complicado. Não sou contratada da Globo."

O assessor especial da Presidência da República e ex-governador Moreira Franco não quer viver dentro de uma redoma de vidro. Nem ficar sob a mira de uma pistola por 40 minutos fez com que ele mudasse de idéia. Moreira Franco foi vítima da criminalidade ao ter sua cobertura no Leblon invadida por dois rapazes armados no dia 29 de janeiro. "Eu amo muito a vida para mudar minha rotina em função da violência. Não quero ser escravo do medo. Nunca tive segurança e vou continuar não tendo." O ex-governador, porém, afirma que vai mandar instalar grades e colocar no seu prédio um porteiro noturno. Ao procurar a polícia, o político se decepcionou. "Antes só tinha pisado numa delegacia na qualidade de governante. Foi a primeira vez que estive lá como usuário. E tenho que dizer que a polícia está desaparelhada", critica. "Não é culpa só do governo estadual, também é responsabilidade do governo federal e da sociedade que deve se mobilizar."

Envie esta página para um amigoDe acordo com a pesquisa, a população brasileira concorda com o ex-governador: 88% dos indivíduos acham que as pessoas devem aprender a exigir ações das autoridades e 84% afirmam que o governo tem de ouvir o que a população deseja. O estudo trouxe à tona alguns pontos positivos. "Ao contrário do que se pensa, a violência não é banalizada. As pessoas continuam a se chocar. Muitas, porém, preferem se poupar e evitam ler o noticiário", diz a pesquisadora Nancy. Um dos dados mais importantes que a pesquisa apresenta é que a população não se deixou contaminar pela violência. Apenas 13% da população aprova a existência de grupos de extermínio contra "gente indesejada" e somente 11% acredita que um bairro deve ser habitado exclusivamente por pessoas da mesma classe social. O ânimo da Nação só costuma se exaltar mesmo quando estão em jogo valores morais. No Pará, 35% da população acha justo agredir quem xinga a mãe. Por outro lado, 30% dos brasileiros refutam a aplicação da pena de morte em qualquer hipótese. "Em pesquisas anteriores, esse número era bem maior. Há um subestrato de tolerância muito grande na sociedade", ressalta Nancy. O secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, reconhece que a população está assustada, mas resiste em aderir à violência. "A pesquisa mostra que os direitos humanos ganharam terreno no País nos últimos anos", observa Gregori. O caminho para a paz continua aberto.

Links relacionados:
www.seguranca.sp.gov.br
www.ouvidoria-policia.sp.gov.br
www.soudapaz.org.br

A vida não é filme

A violência não está só nas ruas. Ela entra diariamente em casa por meio da televisão. Noticiários, filmes e até programas infantis com cenas chocantes invadem a sala sem cerimônia. E, sem dúvida, as crianças são as principais vítimas. Um exemplo claro é o que aconteceu com o menino D.J.G., nove anos. Ele deu pelo menos 20 facadas nas costas de sua vizinha M.D.N., sete anos, enquanto brincavam na tarde de segunda-feira 7, em sua casa na periferia de Santa Maria, uma das cidades-satélites de Brasília. No meio da brincadeira, o garoto, pequeno e franzino, diz à amiguinha: "Você vai morrer como o boneco assassino." A violência, tão comum em Santa Maria, vai se instalar na casa humilde. Mas o fato gerador não vem do dia-a-dia comum a todas as periferias das grandes cidades brasileiras. Ele vem de fora, da televisão. O garoto havia visto o filme Brinquedo assassino 2, no SBT, três dias antes e ficara impressionado a ponto de ter pesadelos dias seguidos. E resolve brincar de Chuck (o personagem do filme) com a amiga. É o horror. Ele pega algumas facas comuns de mesa e desfere nela facadas em série. Quando a amiguinha fica no chão, sangrando, o menino se assusta e pára. Joga-lhe água, e pede que ela acorde.

Em filme, isso acontece. Mas não é um filme. A menina não se move e ele se apavora. Larga as facas, limpa as mãos e sai da casa. Outra criança, sua prima, moradora na casa em frente, pergunta o que houve. O garoto diz que cortou o dedo e vai pegar um curativo. Segue para os fundos da casa e, atordoado, sobe ao telhado, escondendo-se atrás da caixa-d'água. A prima entra na casa e descobre a outra criança ensanguentada no chão. A menina é levada para o Hospital de Base, onde é tratada dos ferimentos, nenhum de muita gravidade. Policiais levam o garoto para a Delegacia da Criança e do Adolescente. Lá ele encontra a mãe, empregada doméstica, 32 anos. A reação é como a de qualquer criança. Ele se agarra a ela, chora e diz que nunca mais vai fazer aquilo. Os policiais se espantam. A criança frágil não faz o tipo capaz de qualquer violência. Terminado o depoimento, mãe e filho são liberados.

Para sorte do menino, a lei brasileira determina que crianças com menos de 12 anos são inimputáveis. Em vez de um processo, ele terá acompanhamento psicológico, junto com a família, e proteção da Justiça. Isso começa a se mostrar uma providência fundamental. Na casa de parentes, junto com a mãe e o padrasto desde a noite de segunda-feira, a criança talvez tenha de mudar-se definitivamente da rua pobre de Santa Maria. As outras crianças incorporaram às suas brincadeiras uma outra particularmente cruel: gritar "brinquedo assassino" diante de sua casa. Os vizinhos já ameaçam fazer um abaixo-assinado pedindo a saída da família da rua, temendo pela segurança de seus filhos. Na visão deles, o garoto tímido, que soltava pipa e preferia brincar de casinha em vez de jogar futebol, virou um monstro. Impressionado com o caso, o secretário de Estado dos Direitos Humanos, José Gregori, convocou na quarta-feira o diretor do SBT em Brasília, Flávio Cavalcanti Jr., para uma reunião. Gregori é informado de que o filme tinha sido exibido no horário adequado - depois das 22 horas -, mas pediu que as emissoras de tevê voltem a pensar na adoção, o mais cedo possível, de um código de ética que coíba cenas de violência em filmes e programas.

Se isso acontecer, haverá apoio de muitos especialistas. A psicóloga Suzana Prado, diretora-executiva da Tver, organização não-governamental que discute a qualidade da programação televisiva, acredita que a criança não deve ser confrontada com cenas de violência ou sexo. "Ela não tem estrutura psicológica para digerir essas informações", explica. "Essa criança, mesmo tendo nove anos, não tinha a intenção de matar e sim de imitar o que viu, como se quisesse trabalhar o que a impressionou."

Eduardo Holanda

Pacote antiviolência

O ministro da Justiça, José Carlos Dias, apresenta na quinta-feira 17, ao presidente Fernando Henrique Cardoso, o pacote com medidas especiais de segurança pública e combate à violência. As medidas incluem uma reformulação do combate ao crime organizado, ao narcotráfico, ao roubo de cargas, à pistolagem, à violência urbana e na vigilância das áreas de fronteira. Em suma, uma reestruturação geral. Há três meses uma equipe do Ministério está trabalhando no pacote antiviolência. O primeiro passo foi uma reunião em Brasília, que contou com a presença de todos os secretários estaduais de segurança, onde foram mapeadas as áreas críticas da violência no País.

O pacote foi uma exigência do presidente Fernando Henrique, alarmado com os altos índices de violência no País. Ele prevê também a reformulação das polícias militares dos Estados e a possibilidades de ações conjuntas de polí-cias e tropas federais e estaduais, como na Operação Mandacaru, para erradicação do plantio de maconha no Estado de Pernambuco. Além do pacote, o governo decidiu que um Grupo de Segurança, integrado pelos ministros da Justiça, da Defesa, Geraldo Quintão, e pelo chefe do gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, passará a assessorar diretamente FHC nas questões relacionadas à segurança.

E. H.

 

Colaboraram: Celina Côrtes e Francisco Alves Filho (RJ), Eduardo Holanda (DF) e Rita Moraes (SP)

 

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