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SARMENTO |
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| Num
bairro de classe média de SP, uma faixa alerta
os cidadãos |
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Um
cotidiano de guerra
Apavorado com a expansão da violência,
o brasileiro evita sair de casa e adota estratégias para
sobreviver à criminalidade nas grandes cidades
Bruno
Weis
O parque do Ibirapuera é um dos lugares mais tranquilos
da cidade de São Paulo. Ou melhor, era. Na manhã da
quarta-feira 9, o desembargador de Justiça Hamilton Elliot
Akel, 54 anos, e a esposa, Maria Emygdia Silveira, 47, foram roubados
enquanto faziam sua caminhada matinal pelo parque. Armado com um
revólver calibre 38, um menor de 15 anos abordou o casal,
levou seus relógios e fugiu. O crime foi presenciado por
uma multidão. Poucas horas depois, um tiroteio entre traficantes
interrompeu um jogo de futebol disputado nas quadras poliesportivas
do parque e uma pessoa ficou ferida. O bairro do Itaim, próximo
ao Ibirapuera, é considerado uma região segura e concentra
parte da elite da cidade. Deixou de ser. Na quinta-feira 3, o delegado
Luciano Heitor Beiguelman, 31 anos, foi perseguido por três
ladrões e assassinado com 11 tiros de metralhadora e pistola
9 mm. Cinco dias depois, o empresário Georges Gazale, 71
anos, ligado a políticos como Paulo Maluf e Fernando Collor,
levou três tiros nas pernas em frente a sua empresa, localizada
numa movimentada rua do mesmo Itaim.
Hoje ninguém escapa da violência urbana. Ela está
se espalhando dos bairros periféricos - onde as chacinas
ocorrem todas as madrugadas - para as ruas dos bairros de classe
média e classe média alta, considerados há
pouco tempo ilhas de segurança no caos das grandes cidades.
As fronteiras ainda existem, é claro. As estatísticas
mostram que as maiores e mais frequentes vítimas da violência
são as pessoas de classes mais baixas. Ricos e pobres, no
entanto, nunca estiveram tão unidos. Compartilham o medo
de viver nas grandes metrópoles. A insegurança da
população chegou a tal ponto que fez com que o governo
finalmente se mexesse. Há duas semanas, o ministro da Justiça,
José Carlos Dias, anunciou que está em preparação
em Brasília um plano nacional de segurança pública.
Não é para menos. Pesquisa divulgada pelo IBGE em
1999 revela que a expectativa de vida da população
masculina brasileira caiu dois anos e meio em decorrência
da violência.
Enquanto as medidas de Brasília não saem do papel,
a população brasileira vive em estado de alerta. Uma
ampla pesquisa realizada em dez capitais brasileiras pelo Núcleo
de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo
em parceria com a Secretaria de Estado dos Direitos Humanos do Ministério
da Justiça revela que o brasileiro deixou de sair de casa
à noite com medo da violência. Metade das 1.600 pessoas
ouvidas - entre março e abril de 1999 - pelo menos uma vez
ao ano não arriscou pisar na calçada. Preferiu ficar
trancada. O estudo revela que, em Porto Alegre, São Paulo,
Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Belém,
Manaus, Porto Velho e Goiânia, o medo leva muita gente a agir
como se estivesse vivendo num campo de batalha. "E isso não
é uma guerra?", pergunta a pesquisadora Nancy Cardia,
coordenadora do estudo. "Os números de mortos são
maiores do que os de muitas guerras. E a nossa não tem data
para acabar." Entre mortos e feridos, o brasileiro é
hoje um povo que adota estratégias para sobreviver.
Pelas vielas estreitas e tortas de uma favela no Jardim Rosana,
extrema zona sul de São Paulo, são poucos os que se
arriscam a caminhar depois que o Sol se põe. "À
noite é melhor não sair sozinha. Espero meu filho
chegar do trabalho no começo da rua para a gente descer a
viela juntos", diz Marlene Augusto Rabelo, 40 anos, que mora
há 18 na favela. A dona de casa já perdeu a conta
de quantas manhãs acordou e viu cadáveres estendidos
na soleira da porta. "O que a gente vê e ouve de noite,
não comenta de dia. Quem manda aqui são eles."
Marlene sabe que para sobreviver numa das regiões mais violentas
da cidade é preciso seguir um "código de ética"
a fim de não criar problemas com "eles". "Os
traficantes não mexem conosco, mas tenho medo de um deles
desconhecer a gente."
| MAX
G. PINTO |
 |
| Lincoln
só sai à noite de bermuda, camiseta e deixa
a carteira em casa |
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Neurose
Do outro lado da cidade, o empresário Raul Gigante, 48 anos,
também mede seus passos ao sair de casa. "Tenho a sensação
de que há sempre um predador à espreita. Tudo o que
faço é uma estratégia para ficar a salvo",
diz o empresário. "Vivo em uma neurose constante."
Nos últimos 18 meses, Raul blindou duas vezes seus dois carros.
"Ficou uma porcaria. Começou a entrar água pelo
teto, levei o carro para um exame e descobri que há ocos
balísticos nas colunas, onde uma bala pode passar facilmente."
Raul faz compras somente em shopping centers, só pára
o carro em estacionamento e não baixa o vidro do automóvel
nem em postos de gasolina. Em sua casa, instalou sensor infravermelho
e cerca com carga de oito mil volts. Contratou uma empresa de segurança
para monitorar sua rua durante 24 horas. Gastou no total mais de
US$ 80 mil. Ainda intranquilo, mudou-se em setembro com a família
para um apartamento.
Brasileiros de realidades opostas - a taxa de homicídio
no bairro do Jardim Rosana é de 250 mortes para 100 mil habitantes;
no Itaim, é de 50 para os mesmos 100 mil -, Raul e Marlene
engrossam a lista das pessoas assustadas com a criminalidade. Segundo
a pesquisa da USP, 93% dos entrevistados constatam, preocupados,
que a violência está aumentando em sua cidade; 35%
tiveram o desprazer de ter assistido a uma agressão física
nos últimos 12 meses; 13% testemunharam um assassinato. Por
menos que isso, as pessoas se traumatizam. "Acho que vou procurar
um psicólogo", diz a engenheira Geany Ferraz do Vale,
26 anos, moradora de Goiânia, onde 58% da população
prefere a segurança da sala de estar ao risco do asfalto.
Vinda de Itumbiara, interior de -Goiás, para trabalhar, ela
estava em Goiânia há apenas um mês quando teve
o carro roubado. O furto do veículo, que não tinha
seguro, foi o começo de um pesadelo. No carro havia uma ficha
de cadastro com seus dados pessoais. "Passaram a ligar fazendo
ameaças e dizendo que sabiam como me achar. Denunciei à
polícia e, mesmo com o fim dos telefonemas, continuo com
medo", lamenta Geany. "Virei uma pessoa medrosa. Só
saio de casa para trabalhar."
Pânico
Vale tudo na tática diária para salvar a própria
pele. No Rio de Janeiro - onde, segundo o IBGE, são assassinados
215 homens e 13 mulheres em cada 100 mil habitantes, entre 15 e
29 anos -, 45% dos pesquisados deixaram de circular por alguns bairros
ou ruas da cidade por temer uma agressão. Integrante da organização
não-governamental Rio com Paz, que luta contra a falta de
segurança na cidade, a estudante Claudia Ramos, 27 anos,
mudou seus hábitos. "Meu prédio foi assaltado,
eu já fui assaltada na portaria, assim como minha mãe
e irmã", desabafa. "Minha vida noturna acabou.
Se ando de ônibus depois das 18 horas, peço que alguém
me acompanhe."
A socialite Carmen Mayrink Veiga mora na avenida Ruy Barbosa,
zona sul do Rio, e teve o apartamento saqueado em abril do ano passado.
Ela toma suas precauções. "Hoje, quem anda tranquilamente
pela cidade em um carro conversível? Quem usa relógio
de ouro ou jóias nas ruas?". Carmen tem o privilégio
de se proteger com recursos indisponíveis à maioria
da população. "Fiz blindagem nas portas, tenho
grades no meu prédio e não ando por lugares perigosos",
diz a socialite, que, ainda assim, acredita que uma tragédia
pode ser inevitável. "Sou católica e fatalista.
Quando tem que acontecer, acontece."
No Recife, 41% dos habitantes tentam não esbarrar com a
violência. Mudam o trajeto da casa para o trabalho ou para
a escola. Em São Paulo, 18% dos moradores são adeptos
dessa estratégia. Um deles é o comerciante Lincoln
Dias Santos, 26 anos, morador do Tatuapé, na zona leste da
capital. "Depois das 11 da noite, desvio de um ponto onde ficam
prostitutas e traficantes. Mas o problema não é só
lá", diz o comerciante, assaltado duas vezes no ano
passado. Sempre em frente ao seu prédio. Escolado, Lincoln
procede automaticamente. "Ao chegar na minha rua, de noite,
vejo o movimento; se a rua está vazia, tudo bem. Senão,
dou uma volta no quarteirão e guardo tudo na mochila para
sair do carro rapidinho." Ele aprendeu a conviver com a insegurança.
"Não uso mais relógio. Se saio a pé à
noite, não levo nada - vou de camiseta, bermuda e chinelo.
A carteira fica em casa", detalha. A pesquisadora Nancy Cardia
afirma que esse paranóico cotidiano é uma barreira
ao exercício da cidadania. "Cada vez menos as cidades
são das pessoas. E é impossível não
ficar frustrado ao se ver impedido de fazer algo por medo da vio-lência",
aponta. O psicólogo César Ades, da USP, diz que conviver
em eterna vigilância é extremamente desgastante. "O
medo excessivo faz com que as pessoas tenham pânico de que
a violência surja até onde ela não está.
Isso faz com que a qualidade de vida despenque." Mas o medo
tem seu lado positivo. "Ele faz com que as pessoas tomem precauções
para sobreviver. É uma forma de proteção",
contrapõe a antropóloga carioca Alba Zaluar.
A apresentadora Adriane Galisteu, 26 anos, pensa em morar nos Estados
Unidos. Ela teve a casa invadida e assaltada por dois homens em
outubro do ano passado. Vive com medo. "Um ano antes, fui roubada
no trânsito. Apontaram um revólver na minha cara. Era
um dia de temporal na cidade, jamais imaginaria que pudesse sofrer
aquilo." Adriane era daquelas pessoas que não esperavam
sofrer uma violência. "Antes tudo era muito distante,
mas hoje todo mundo que conheço tem uma história dessas
para contar." A apresentadora classifica o assalto a sua casa
como um dos piores pelos quais passou. "É uma sensação
de impotência total. Me senti pequena como um grão
de areia." Mesmo acompanhada em suas andanças por um
segurança particular, contratado depois do assalto no trânsito,
e protegida em seu carro blindado, não consegue relaxar.
"Não paro para olhar uma árvore, sonhar de olho
aberto. Gostaria de ter até um olho na nuca." Mas ela
tenta manter uma segurança aparente. "Se der para ser
feliz dentro de uma redoma de vidro, ótimo, me adapto. O
que não dá é deixar de viver e se divertir.
Se eu tiver de sair com um batalhão de seguranças,
é uma pena, mas vou sair", garante ela. "Poderia
ir para o Rio, mas é complicado. Não sou contratada
da Globo."
O assessor especial da Presidência da República e
ex-governador Moreira Franco não quer viver dentro de uma
redoma de vidro. Nem ficar sob a mira de uma pistola por 40 minutos
fez com que ele mudasse de idéia. Moreira Franco foi vítima
da criminalidade ao ter sua cobertura no Leblon invadida por dois
rapazes armados no dia 29 de janeiro. "Eu amo muito a vida
para mudar minha rotina em função da violência.
Não quero ser escravo do medo. Nunca tive segurança
e vou continuar não tendo." O ex-governador, porém,
afirma que vai mandar instalar grades e colocar no seu prédio
um porteiro noturno. Ao procurar a polícia, o político
se decepcionou. "Antes só tinha pisado numa delegacia
na qualidade de governante. Foi a primeira vez que estive lá
como usuário. E tenho que dizer que a polícia está
desaparelhada", critica. "Não é culpa só
do governo estadual, também é responsabilidade do
governo federal e da sociedade que deve se mobilizar."
De acordo com a pesquisa, a população
brasileira concorda com o ex-governador: 88% dos indivíduos
acham que as pessoas devem aprender a exigir ações
das autoridades e 84% afirmam que o governo tem de ouvir o que a
população deseja. O estudo trouxe à tona alguns
pontos positivos. "Ao contrário do que se pensa, a violência
não é banalizada. As pessoas continuam a se chocar.
Muitas, porém, preferem se poupar e evitam ler o noticiário",
diz a pesquisadora Nancy. Um dos dados mais importantes que a pesquisa
apresenta é que a população não se deixou
contaminar pela violência. Apenas 13% da população
aprova a existência de grupos de extermínio contra
"gente indesejada" e somente 11% acredita que um bairro
deve ser habitado exclusivamente por pessoas da mesma classe social.
O ânimo da Nação só costuma se exaltar
mesmo quando estão em jogo valores morais. No Pará,
35% da população acha justo agredir quem xinga a mãe.
Por outro lado, 30% dos brasileiros refutam a aplicação
da pena de morte em qualquer hipótese. "Em pesquisas
anteriores, esse número era bem maior. Há um subestrato
de tolerância muito grande na sociedade", ressalta Nancy.
O secretário Nacional dos Direitos Humanos, José Gregori,
reconhece que a população está assustada, mas
resiste em aderir à violência. "A pesquisa mostra
que os direitos humanos ganharam terreno no País nos últimos
anos", observa Gregori. O caminho para a paz continua aberto.
Links relacionados:
www.seguranca.sp.gov.br
www.ouvidoria-policia.sp.gov.br
www.soudapaz.org.br
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A
vida não é filme
A violência não está só
nas ruas. Ela entra diariamente em casa por meio da
televisão. Noticiários, filmes e até
programas infantis com cenas chocantes invadem a sala
sem cerimônia. E, sem dúvida, as crianças
são as principais vítimas. Um exemplo
claro é o que aconteceu com o menino D.J.G.,
nove anos. Ele deu pelo menos 20 facadas nas costas
de sua vizinha M.D.N., sete anos, enquanto brincavam
na tarde de segunda-feira 7, em sua casa na periferia
de Santa Maria, uma das cidades-satélites de
Brasília. No meio da brincadeira, o garoto, pequeno
e franzino, diz à amiguinha: "Você
vai morrer como o boneco assassino." A violência,
tão comum em Santa Maria, vai se instalar na
casa humilde. Mas o fato gerador não vem do dia-a-dia
comum a todas as periferias das grandes cidades brasileiras.
Ele vem de fora, da televisão. O garoto havia
visto o filme Brinquedo assassino 2, no SBT, três
dias antes e ficara impressionado a ponto de ter pesadelos
dias seguidos. E resolve brincar de Chuck (o personagem
do filme) com a amiga. É o horror. Ele pega algumas
facas comuns de mesa e desfere nela facadas em série.
Quando a amiguinha fica no chão, sangrando, o
menino se assusta e pára. Joga-lhe água,
e pede que ela acorde.
Em filme, isso acontece. Mas não é um
filme. A menina não se move e ele se apavora.
Larga as facas, limpa as mãos e sai da casa.
Outra criança, sua prima, moradora na casa em
frente, pergunta o que houve. O garoto diz que cortou
o dedo e vai pegar um curativo. Segue para os fundos
da casa e, atordoado, sobe ao telhado, escondendo-se
atrás da caixa-d'água. A prima entra na
casa e descobre a outra criança ensanguentada
no chão. A menina é levada para o Hospital
de Base, onde é tratada dos ferimentos, nenhum
de muita gravidade. Policiais levam o garoto para a
Delegacia da Criança e do Adolescente. Lá
ele encontra a mãe, empregada doméstica,
32 anos. A reação é como a de qualquer
criança. Ele se agarra a ela, chora e diz que
nunca mais vai fazer aquilo. Os policiais se espantam.
A criança frágil não faz o tipo
capaz de qualquer violência. Terminado o depoimento,
mãe e filho são liberados.
Para sorte do menino, a lei brasileira determina que
crianças com menos de 12 anos são inimputáveis.
Em vez de um processo, ele terá acompanhamento
psicológico, junto com a família, e proteção
da Justiça. Isso começa a se mostrar uma
providência fundamental. Na casa de parentes,
junto com a mãe e o padrasto desde a noite de
segunda-feira, a criança talvez tenha de mudar-se
definitivamente da rua pobre de Santa Maria. As outras
crianças incorporaram às suas brincadeiras
uma outra particularmente cruel: gritar "brinquedo
assassino" diante de sua casa. Os vizinhos já
ameaçam fazer um abaixo-assinado pedindo a saída
da família da rua, temendo pela segurança
de seus filhos. Na visão deles, o garoto tímido,
que soltava pipa e preferia brincar de casinha em vez
de jogar futebol, virou um monstro. Impressionado com
o caso, o secretário de Estado dos Direitos Humanos,
José Gregori, convocou na quarta-feira o diretor
do SBT em Brasília, Flávio Cavalcanti
Jr., para uma reunião. Gregori é informado
de que o filme tinha sido exibido no horário
adequado - depois das 22 horas -, mas pediu que as emissoras
de tevê voltem a pensar na adoção,
o mais cedo possível, de um código de
ética que coíba cenas de violência
em filmes e programas.
Se isso acontecer, haverá apoio de muitos especialistas.
A psicóloga Suzana Prado, diretora-executiva
da Tver, organização não-governamental
que discute a qualidade da programação
televisiva, acredita que a criança não
deve ser confrontada com cenas de violência ou
sexo. "Ela não tem estrutura psicológica
para digerir essas informações",
explica. "Essa criança, mesmo tendo nove
anos, não tinha a intenção de matar
e sim de imitar o que viu, como se quisesse trabalhar
o que a impressionou."
Eduardo Holanda
Pacote
antiviolência
O ministro da Justiça, José Carlos Dias,
apresenta na quinta-feira 17, ao presidente Fernando
Henrique Cardoso, o pacote com medidas especiais de
segurança pública e combate à violência.
As medidas incluem uma reformulação do
combate ao crime organizado, ao narcotráfico,
ao roubo de cargas, à pistolagem, à violência
urbana e na vigilância das áreas de fronteira.
Em suma, uma reestruturação geral. Há
três meses uma equipe do Ministério está
trabalhando no pacote antiviolência. O primeiro
passo foi uma reunião em Brasília, que
contou com a presença de todos os secretários
estaduais de segurança, onde foram mapeadas as
áreas críticas da violência no País.
O pacote foi uma exigência do presidente Fernando
Henrique, alarmado com os altos índices de violência
no País. Ele prevê também a reformulação
das polícias militares dos Estados e a possibilidades
de ações conjuntas de polí-cias
e tropas federais e estaduais, como na Operação
Mandacaru, para erradicação do plantio
de maconha no Estado de Pernambuco. Além do pacote,
o governo decidiu que um Grupo de Segurança,
integrado pelos ministros da Justiça, da Defesa,
Geraldo Quintão, e pelo chefe do gabinete de
Segurança Institucional, general Alberto Cardoso,
passará a assessorar diretamente FHC nas questões
relacionadas à segurança.
E. H.
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Colaboraram: Celina Côrtes e Francisco Alves Filho
(RJ), Eduardo Holanda (DF) e Rita Moraes (SP)
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