MÚSICA
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| Natasha:
canto árabe misturado a batidas eletrônicas |
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Se
oriente, rapaz
Com
o aval da Feiticeira, música étnica vira moda entre jovens e invade
as pistas de dança
A chamada música étnica quase nunca frequenta as FMs. Mas foi só
a Feiticeira Joana Prado aparecer no programa O+, da Rede Bandeirantes,
rebolando ao som das sacolejantes El arbi, do argelino Khaled, e
Simarik, apelidada de Melô do beijo, do alemão de origem turca Tarkan,
para os ritmos exóticos ganharem as pistas e as paradas. "É contagiante
e sensual", define a Feiticeira. Diante deste aval, aos primeiros
acordes das conhecidas flautas de encantar serpentes, os jovens
nas casas noturnas já dançam girando as mãos no ar como se estivessem
numa festa das arábias. Parece incrível, mas foi preciso o sortilégio
da Feiticeira para o álbum Khaled, de 1992, do chamado rei do rai
- irresistível mistura de ritmos árabes, funk e reggae -, só agora
chegar à casa dos 150 mil discos vendidos e induzir a gravadora
Universal Music a lançar seu mais recente trabalho, Kenza.
Também presente na trilha sonora dos remelexos de Joana Prado,
o flautista espanhol Hevia já vendeu mais de 40 mil cópias de Tierra
de nadie, que traz um batuque hipnótico feito com instrumentos celtas,
árabes e australianos. No mesmo embalo, acaba de chegar às lojas
Tarkan, disco homônimo do cantor fenômeno de vendas na Europa. A
exemplo de Khaled, Tarkan é dono de um trabalho bem pop, com tratamento
contemporâneo da música tradicional da Turquia. Este é, aliás, o
traço comum aos artistas mais populares do gênero. Natasha Atlas,
cantora belga de ascendência judaica e muçulmana, consegue seduzir
tanto amantes do tecno quanto os apreciadores da estranheza do canto
árabe modernizado por batidas eletrônicas. Gedida, seu terceiro
trabalho, é um exemplo típico. Sem dúvida, é uma nova moda musical.
Eduardo Muszkat, dono do selo MCD, acredita que a atual procura
pelo som étnico não seja um fenômeno passageiro. "No ano passado
o setor teve um crescimento de 40%. O que está acontecendo é apenas
a ponta de um iceberg", adianta.
Somando 150 títulos no catálogo, Muszkat investe em
artistas de procedências variadas, entre eles o cantor afropop senegalês
Baaba Maal, de quem lançou o ótimo álbum Nomad soul, e o turco Omar
Faruk Tekbilek, que esteve em São Paulo em janeiro para divulgar
seu mais recente CD, One truth. Ligado ao sufismo, seita mística
oriental, Tekbilek é um músico virtuoso, voltado à espiritualidade.
Faz o que se rotulou de new age, mas com personalidade oriental.
Em conversa por fax a ISTOÉ, ele disse aprovar todas as novidades,
apesar de ser mais tradicionalista. "Aprecio qualquer música feita
com gosto e alegria", conta. É um ensinamento que coloca em pé de
igualdade sons e ritmos de qualquer parte do mundo. (I.C.)
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